Mostrando postagens com marcador entrevista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador entrevista. Mostrar todas as postagens

domingo, 24 de agosto de 2014

* Entrevista com a ativista Vandana Shiva

“Em abril de 2011 a ONU adotou uma resolução sobre a água como um direito humano. Mesmo com toda a ganância das multinacionais, a energia democrática dos movimentos sociais também está crescendo e desafiando a privatização da água”. É o que aborda Vandana Shiva, física e ativista defensora do meio ambiente e dos direitos das mulheres, nascida na Índia. O jornal britânico The Guardian a definiu como uma das cientistas de maior destaque e mais promissoras do mundo. Em seu livro “As guerras da água”, Shiva destaca que este recurso é um direito humano fundamental, o qual não pode ser tratado como uma mercadoria. No mundo, 768 milhões de pessoas não têm acesso à água potável.
A entrevista é de Gabriel Díaz, publicada por Diário.es, 07-08-2014. A tradução é do Cepat.
Eis a entrevista.
Que importância a água tem para a vida humana, para as comunidas e a natureza? Que importância tem para você e para sua cultura?
A água é o próprio sangue da vida. Compõe 70% do planeta, 70% das plantas, 70% do nosso corpo é água. Sem água não há vida. A água circula através de todas as espécies e pelo ciclo hidrológico, que conecta a todos em uma comunidade. É a comunidade da água.
Eu nasci em Himalaya e cresci na região que é a fonte do Ganges. O movimento Chipko, ao qual me uni há uma década, é um movimento de mulheres para proteger o bosque e a água. Durante 10 anos estamos construindo movimentos para evitar a privatização das águas do Ganges. Nosso lema é “Nossa mãe Ganges não está à VENDA”. Detivemo-los.
Vários analistas internacionais assinalam que o século XXI será marcado pelas guerras da água.
As guerras pela água já estão acontecendo. Os recursos hídricos diminuem, a demanda por água aumenta. Os meios de comunicação e os políticos encobrem os conflitos da água e os apresentam como se fossem religiosos e étnicos. Isso facilita a divisão e as políticas de governo. Se os conflitos da água fossem tratados como conflitos pela água, as elites se veriam obrigadas a abordar a justiça da água, a democracia da água e a paz da água.
Em seu livro “As guerras da água”, você ressalta a importância de conseguir uma democracia real da água. Poderia explicar os princípios fundamentais desta ideia?
No núcleo da solução do mercado para a contaminação está a suposição de que a água existe em quantidade ilimitada. A ideia de que os mercados podem atenuar a contaminação facilitando um aumento da alocação não leva em conta que o desvio de água para uma área produz a escassez da mesma em outros lugares. Em contraste com as teorias das empresas que promovem uma solução de mercado para a contaminação, as organizações de base pedem soluções políticas e ecológicas.
As comunidades que lutam contra a contaminação industrial propuseram um projeto de lei sobre a Comunidade de Direitos Ambientais, que inclui os direitos para “limpar” a indústria, a segurança frente à exposição nociva, a prevenção, o conhecimento, a participação, a proteção e a observação; uma indenização e a limpeza. Todos estes direitos são elementos básicos em uma democracia da água, na qual se protege o direito à água potável para todos os cidadãos. Os mercados não podem garantir nenhum destes direitos.
O livro também insiste no negócio gigante que a VENDA de água engarrafada representa.
Uma mulher chamada Mylamma iniciou um movimento contra um gigante como a Coca-Cola, na região de Plachimada e , junto a ela, uma pequena aldeia de Keral conseguiu fechar a fábrica. A fábrica em Plachimada foi encomendada em março de 2000, para produzir 1.224.000 garrafas de produtos da Coca-Cola por dia e uma licença condicional para instalar uma bomba de água com motor. Contudo, a companhia começou a extrair ilegalmente milhões de litros de água limpa. Começaram a extrair 1,5 milhões de litros por dia. O nível da água começou a cair e a instalação indiscriminada de poços para aproveitar a água subterrânea TEVE graves consequências para os cultivos. Como resultado houve uma notificação contra a empresa e sua licença foi cancelada. Trataram de subornar o presidente do panchayat (o conselho comunitário), mas não tiveram êxito. Não apenas o roubo da água, mas também a contaminação do ambiente e as áreas próximas pelo derramamento de resíduos, que estava causando um grave perigo à saúde.
Como resultado destes despejos em poços, sempre de água potável, as instalações agrícolas secaram. O médico distrital informou que a água era imprópria para beber. As mulheres de Plachimada não iriam permitir esta hidro-pirataria e TEVE início um protesto nas portas da Coca-Cola e o lançamento de um ultimato aos mesmos. O litígio do interesse público foi apresentado por um dos panchayats contra a Coca-Cola no Tribunal Superior de Kerala, e o Tribunal também apoiou a população. Assim a juiza Balakrishan Nair ordenou que a Coca-Cola detesse a pirataria de água de Plachimada.
Você sita exemplos de como nos grandes projetos hidráulicos, as alterações do CURSO dos rios ou construção de barragens geralmente têm consequências irreversíveis para as comunidades.
Os projetos nos vales dos rios são geralmente considerados a solução para as necessidades da água para a AGRICULTURA, o controle das inundações e a atenuação da seca. Nas últimas três décadas, a Índia tem sido testemunha da construção de aproximadamente 1.554 represas. Entre 1951 e 1980, o governo gastou 1,5 bilhões de dólares em barragens de irrigação de grande ou médio prazo. Todavia, o retorno deste investimento tem sido muito menor que o previsto. Nas terras irrigadas, onde deveriam ter sido produzidas pelo menos cinco toneladas de grão por hectare, manteve-se o 1,27 tonelada por hectare.
As perdas anuais devido à inesperada baixa de disponibilidade de água, um assoreamento intenso, redução da capacidade de armazenamento e alagamentos, totalizam agora 89 milhões dólares. A construção de represas em dois dos rios mais sagrados da Índia, o Ganges e o Narmada, gerou um veemente protesto das mulheres, dos agricultores e das comunidades cujas vidas, e modos de subsistência, foram interrompidos, além de terem seus lugares sagrados ameaçados. As pessoas de Narmada Valley não somente resistem ao deslocamento causado pelas represas de Sardar Sarovar e Narmada, mas também estão travando uma guerra contra a destruição de civilizações inteiras.
Quais são as chaves para o desenvolvimento de projetos que combinem os avanços tecnológicos e o cuidado responsável do meio ambiente?
Para garantir a sustentabilidade e a equidade na gestão da água e o uso da água, dois indicadores são de vital importância: como afeta o ciclo hidrológico, e de que maneira impacta na água das pessoas. Se estes critérios são levados em conta podemos garantir a sustentabilidade no uso da água e a equidade e a democracia na gestão da água. Durante as duas últimas décadas, os movimentos pela democracia da água aumentaram e têm desafiado a ideia de que a água é uma mercadoria, assim como as políticas de privatização da água.
Em Nova Deli deteve-se a privatização do abastecimento da água da cidade mediante a Aliança Cidadã para a Democracia da Água. Na Itália, em um referendo, os cidadãos votaram para a democracia da água em junho de 2011. Em abril de 2011 a ONU adotou uma resolução sobre a água como um direito humano. Mesmo com toda a ganância das multinacionais, a energia democrática dos movimentos sociais também está crescendo e desafiando a privatização da água.
Então muita gente está reagindo frente às políticas que degradam a natureza e a forma de vida de muitas comunidades.
Desde o movimento 15M para ocupar WALL STREET, a Primavera Árabe ao inverno russo, pessoas de todo o mundo estão se levantando contra a corrupção, a desonestidade e a falta de uma real democracia na classe política que, por sua vez, esta presa em uma camisa de força devido às políticas de privatização impostas pelas instituições FINANCEIRAS. Nossas democracias passaram de ser do povo, para o povo e pelo povo, para ser das corporações, pelas corporações e elas corporações.
Princípios da “democracia da água”
1. Nós recebemos água livremente da natureza.
2. Todas as espécies e os ecossistemas têm direito a uma parte da água no planeta.
3. A vida está interligada através da água. Todos nós temos o dever de assegurar que as nossas ações não causem danos a outras espécies e outras pessoas.
4. A água deve ser acessível às necessidades de subsistência. A compra e VENDA com objetivo de lucro viola o nosso direito inerente.
5. A água é limitada e pode acabar se não for usada de forma sustentável.
6. Todo homem tem o dever de conservar a água e a sustentabilidade do uso da água, dentro dos limites ecológicos e justos.
7. A água não é uma invenção humana e não tem fronteiras. Ela é por natureza um bem comum. Ela não pode ser uma posse como propriedade privada e vendida como uma mercadoria.
8. Ninguém tem o direito de abusar, desperdiçar, jogar lixo ou poluir os SISTEMAS de água.
9. A água é intrinsecamente diferente de outros recursos e seus produtores. Ela não pode ser tratada como uma mercadoria.

Fonte: IHU Online.

domingo, 23 de março de 2014

* Entrevista com o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola


O BRASIL INTEIRO DEVERIA LER ESTA ENTREVISTA
Entrevista com o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, ao jornal O Globo.
Estamos todos no inferno. Não há solução, pois não conhecemos nem o problema

O GLOBO: Você é do PCC?
- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível… vocês nunca me olharam durante décadas… E antigamente era mole resolver o problema da miséria… O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias… A solução é que nunca vinha… Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a “beleza dos morros ao amanhecer”, essas coisas… Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo… Nós somos o início tardio de vossa consciência social… Viu? Sou culto… Leio Dante na prisão…
O GLOBO: – Mas… a solução seria…
- Solução? Não há mais solução, cara… A própria idéia de “solução” já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma “tirania esclarecida”, que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC…) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios…). E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.
O GLOBO: – Você não têm medo de morrer?
- Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar… mas eu posso mandar matar vocês lá fora…. Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba… Estamos no centro do Insolúvel, mesmo… Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração… A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala… Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em “seja marginal, seja herói”? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha… Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante… mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem.Vocês não ouvem as gravações feitas “com autorização da Justiça”? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.
O GLOBO: – O que mudou nas periferias?
- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório… Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no “microondas”… ha, ha… Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.
O GLOBO: – Mas o que devemos fazer?
- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas… O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, “Sobre a guerra”. Não há perspectiva de êxito… Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas… A gente já tem até foguete anti-tanques… Se bobear, vão rolar uns Stingers aí… Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas… Aliás, a gente acaba arranjando também “umazinha”, daquelas bombas sujas mesmo. Já pensou? Ipanema radioativa?
O GLOBO: – Mas… não haveria solução?
- Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a “normalidade”. Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco…na boa… na moral… Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês… não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: “Lasciate ogna speranza voi cheentrate!” Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

* Palestrante que fez sucesso na internet se apresenta hoje no Dia de Campo

Palestrante que fez sucesso na internet se apresenta hoje no Dia de Campo

Foto: Globo
O professor e doutor em filosofia Clóvis de Barros Filho realiza nesta quinta feira (27), a partir das 13h30, uma palestra com o tema “Cooperação” dentro da programação do Dia de Campo Verão 2014 da Agrária, que acontece na sede da FAPA em Entre Rios.
Clóvis de Barros é doutor pela Universidade de Paris e pela Escola de Comunicações e Artes da USP e é um dos palestrantes mais requisitados do país. Em 2013, uma entrevista do professor ao apresentador Jô Soares virou sucesso na web recebendo milhares de visualizações.
Veja os vídeos:



Na palestra desta tarde, Clóvis promete passar conteúdos filosóficos importantes de maneira bastante leve, entre exemplos do cotidiano e divertidas histórias. "Além dos temas técnicos, procuramos trazer ao Dia de Campo um tema reflexivo para o nosso cotidiano, a cooperação. Esta palestra traz um algo a mais, algo que pode nos auxiliar tanto na vida profissional, no campo, quanto na pessoal", ressaltou o coordenador da FAPA, Leandro Bren. "Ele envolverá o público em uma visão filosófica de cooperação, do porque as pessoas se reúnem em cooperativas e a importância que isso possui, a relevância das cooperativas num âmbito geral".

* O poder da mulher é enorme

Em entrevista ao Fronteiras do Pensamento, a pós-feminista norte-americana Camille Paglia esclareceu uma de suas mais polêmicas ideias, de que o progresso social é resultado de um homem que compete com o poder de Deus. Paglia defende que o homem deve manter esta competição também com relação ao poder da mulher, algo que conclui de seus estudos antropológicos e dos rituais de separação entre filho e mãe, que introduziam o menino no mundo dos homens. Para Paglia, se o homem não lutar para se separar da mulher, ela pode tragá-lo, pois "o poder da mulher é enorme".
Paglia afirma que “muitas das grandes conquistas da civilização vêm da fuga dos homens em relação às mulheres, que os homens devem lutar para estabelecer uma identidade separada de suas mães. Isso é uma saga, uma guerra, com a qual muitas feministas não são simpáticas. Acho que, a não ser que os homens tentem escapar dos domínios da mulher, eles simplesmente caem de volta para ela. O poder da mulher é enorme.”
Também em entrevista ao Fronteiras, o psicanalista Jean-Pierre Lebrun, um dos fundadores da Associação Lacaniana Internacional, defende que uma das grandes questões contemporâneas é a mudança do papel do pai. Antes, um lugar de exceção, organizador da existência, o pai acabou sendo apontado por Freud como a figura responsável por separar o filho da mãe e introduzi-lo no mundo adulto. Lacan surgiria, diz Lebrun, para desafiar tal visão. A criança se torna adulta não por ter sido separada da mãe exclusivamente pelo pai, mas porque ela aprende a falar e se socializar.
De qualquer forma, é a difícil separação da mãe para se posicionar na sociedade que torna a criança um indivíduo. Este papel, antes do pai, teria se perdido na sociedade contemporânea. “É verdade que é uma dificuldade, e nessa dificuldade, é o sujeito que finalmente age, a criança, o futuro sujeito, já que ele não é mais ajudado no seu trabalho de, de novo, separar-se da mãe por alguém que diz ‘vamos lá, é preciso deixar isso, você vai ter seu lugar no social’, e ele não é mais ajudado porque seu pai está, ele mesmo, perguntando-se de onde é que ele virá a dizer isso. E essa é a dificuldade na qual encontramo-nos frequentemente hoje, quer dizer, com um exercício da função paterna tornada mais difícil porque a legitimidade da intervenção paterna encontra-se seriamente questionada”, argumenta o psicanalista. Assista a ambas entrevistas abaixo:

Camille Paglia - A ansiedade masculina e a civilização
Jean-Pierre Lebrun - O papel do pai não é mais o mesmo 

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

* Entrevista exclusiva de Fidel Castro jornal oficial de Cuba um dia após completar 87 anos

Ao completar 87 anos, Fidel Castro se diz surpreso de estar vivo


  • Marcelino Vazquez/Reuters
    O ex-presidente cubano Fidel Castro durante entrevista em fevereiro deste ano
    O ex-presidente cubano Fidel Castro durante entrevista em fevereiro deste ano
Em um artigo publicado pelo jornal oficial de Cuba um dia após completar 87 anos, o ex-líder cubano Fidel Castro afirma que não esperava viver tanto tempo quando deixou o poder em 2006, como consequência de um grave problema de saúde.
"Estava longe de imaginar que minha vida se prolongaria por mais sete anos", afirma Fidel no artigo, intitulado "As verdades objetivas e os sonhos".
"Assim que compreendi que seria definitivo, não vacilei nem um segundo em proclamar no dia 31 [de julho de 2006] que pretendia deixar meus cargos como presidente dos conselhos de Estado e de ministros", disse Fidel, ao fazer referência ao momento em que decidiu transferir o poder ao seu irmão, Raúl Castro, que assumiu em 2008.
O ex-presidente diz que tinha então pendente o término da revisão do livro de entrevistas Cem horas com Fidel, do jornalista espanhol Ignacio Ramonet.
Ampliar


Relembre a trejatória de Fidel Castro, que completa 87 anos49 fotos

1 / 49
Governante de Cuba de 1976 a 2008, Fidel Castro foi um dos principais mentores da Revolução Cubana de 1959; conheça a trajetória do ex-líder, desde sua infância no meio rural até suas aparições mais recentes, que têm se tornado cada vez mais rarasRafael Perez/Reuters
"Estava deitado, temia perder minha consciência enquanto ditava, e às vezes adormecia. Apesar disso, dia a dia respondia às endiabradas perguntas e que pareciam interminavelmente longas. Mas persisti até terminar", conta.

COM VOZ ROUCA, FIDEL ELOGIA EM ABRIL CANÇÃO SOBRE A MORTE DE CHÁVEZ

Passados os piores momentos da doença e nestes anos que segundo ele mesmo não esperava viver, Fidel disse ter tido "o privilégio de ler e estudar muitas coisas" que deveria "ter aprendido antes".

Chávez, o "melhor amigo"

No artigo, no qual o líder da revolução cubana comenta diversos fatos históricos, Fidel também faz referência à morte do presidente venezuelanoHugo Chávez.
O ex-líder cubano diz que Chávez foi seu "melhor amigo" nos anos em que esteve ativo politicamente e que guarda uma "lembrança especial" do venezuelano.
"Homem de ação e ideias, foi surpreendido por um tipo de doença extremamente agressiva que o fez sofrer bastante, mas enfrentou com grande dignidade e com profunda dor para familiares e amigos próximos que tanto amou. Bolívar foi seu professor e o guia que orientou seus passos na vida. Ambos reuniram a grandeza suficiente para ocupar um lugar de honra na história humana", diz ao final do texto.
Fidel, que chegou ao poder em Cuba após a revolução de 1959, revela no artigo que em 1980 a União Soviética o advertiu que não estava mais preparada para defender a ilha de um eventual ataque americano.
Ao mesmo tempo, porém, o ex-presidente norte-coreano Kim Il Sung, avô do atual líder da Coreia do Norte, enviou 100 mil fuzis sem pedir nada em troca.
"Decidimos pedir a outros amigos as armas suficientes para contar com um milhão de combatentes cubanos. O companheiro Kim Il Sung, um veterano e íntegro combatente, nos enviou 100 mil fuzis AK e munições sem cobrar um centavo", afirma.

Fidel chega aos 87 anos ligado na web e com sigilo total sobre sua saúde


Afastado das tarefas do governo e dos microfones desde 2006, Fidel Castro completa 87 anos nesta terça-feira (13), dedicado a testar cultivos para melhorar a alimentação dos cubanos, a navegar na internet e, eventualmente, a receber líderes estrangeiros.
Estão programados um show em um parque de Havana e o lançamento de dois livros, mas não haverá atos oficiais para este ícone da esquerda latino-americana e inimigo histórico dos Estados Unidos, que nasceu no dia 13 de agosto de 1926 em Birán, no leste de Cuba.
"Vivi para lutar", escreveu Castro em uma carta aos oito presidentes que compareceram no dia 26 de julho ao evento pelo 60º aniversário do ataque ao Quartel Moncada, no qual ele foi o grande ausente. "Devo respeitar a óbvia resistência dos guardiões da saúde", se desculpou.
O estado de saúde do "comandante em chefe", como é chamado pelos cubanos, é guardado como um segredo de Estado desde que ele ficou doente e cedeu o comando do país ao irmão Raúl, cinco anos mais novo, no dia 31 de julho de 2006.
Cada vez a imprensa publica menos fotos suas e em uma de suas últimas aparições públicas - ao votar em uma escola do bairro de El Vedado no dia 3 de fevereiro - aparecia muito encurvado e apoiado em uma bengala. Neste dia,foi reeleito como um dos 612 deputados cubanos - entre 612 candidatos -, embora não compareça às sessões do Parlamento.
Em seus anos como presidente, Castro comemorava seu aniversário com crianças, que cantavam e comiam bolo ao seu lado, no Palácio dos Pioneiros de Havana.

"Soldado das ideias"

Discreto sobre sua vida particular desde que chegou ao poder, em 1959, pouco se sabe sobre o afastamento de Castro. Sua biógrafa e editora de livros, a jornalista Katuiska Blanco, revelou que dedica parte de seu tempo a navegar na internet, mas que continua escrevendo a mão.
"Apesar de já não apertar as teclas (de uma máquina de escrever ou computador), navega pela internet em busca de perfis de personalidades, mapas, monografias, dados, anedotas, contos", contou Blanco à AFP.

SEM FIDEL CASTRO NO PODER, CUBA CELEBROU 50 ANOS DA REVOLUÇÃO EM 2009

  • Ismael Francisco/AP
    Fidel Castro, durante sessão da Assembleia Nacional do Poder Popular
Castro é pai de oito filhos e avô de vários netos. Com Dalia Soto del Valle, sua mulher há cinco décadas, teve Alejandro, Antonio, Alex, Alexis e Ángel.
De seu primeiro casamento, com Mirta Díaz-Balart, nasceu seu primogênito, Fidelito. Ele também tem filhos de outros relacionamentos: Alina Fernández (que viajou há alguns anos aos Estados Unidos) e Jorge Ángel.
Fidel Castro "continua sendo brilhante, sempre promotor de ideias", disse o presidente uruguaio, José Mujica, que o visitou há três semanas. "Encontrei-me com um Fidel carregado em anos, mas sempre mentalmente ativo, com um homem perfeitamente ciente do que acontece no mundo, informado e interessado por todos os temas, como sempre."
Orador maratônico, onipresente na vida dos cubanos durante cinco décadas, Castro deixou de publicar há um ano suas "reflexões" na imprensa, tarefa que, como "soldado das ideias", cumpriu com certa regularidade depois de deixar o poder.

Silêncio sobre reformas

Segundo Mujica, Fidel "está motivado em impulsionar uma experimentação em biologia, para encontrar vegetais da área tropical que sirvam na fabricação de ração, para a comida dos animais (...), para que sobrem mais grãos disponíveis para que as pessoas comam".
Castro - que já não veste seu tradicional uniforme verde-oliva, mas roupas esportivas - também falou sobre seus ensaios com a moringa (uma árvore tropical com sementes oleaginosas originária da Ásia), que espera que ajude a melhorar a alimentação humana e animal na ilha.
Respeitado ou criticado pelos cubanos, Castro guardou silêncio sobre as reformas realizadas por Raúl na quebrada economia cubana, planejada ao estilo soviético e instaurada por ele.
Para os economistas José Antonio Alonso (espanhol) e Pavel Vidal (cubano), "o silêncio confirmatório de Fidel Castro constitui uma fonte de legitimidade" para as reformas de Raúl, embora estas caminhem na direção contrária.
Raúl, que carece do carisma do irmão, continua chamando-o publicamente de "meu chefe", embora tenha agora as rédeas do governo e do Partido Comunista (único). (com Reuters)

Celebrações e protestos durante aniversário de Fidel Castro


Imagem 1/8: 13.ago.2013 - Integrantes da Plataforma Democracia Cuba ¡Ya! colocaram objetos alusivos ao aniversário de 87 anos do ex-presidente de Cuba Fidel Castro em frente à sede do Ministério de Assuntos Exteriores, em Madri, na Espanha, em protesto contra o regime cubano nesta terça-feira (13). O líder máximo da revolução que implantou o socialismo em Cuba, Fidel Castro, faz aniversário nesta terça, o oitavo desde que uma doença no intestino o levou a abandonar a presidência de Cuba, em 2006 

Celebrações e protestos durante aniversário de Fidel Castro


Imagem 2/8: 13.ago.2013 - Integrantes da Plataforma Democracia Cuba ¡Ya! seguram cartazes e objetos contra o regime cubano, nesta terça-feira (13), em frente à sede do Ministério de Assuntos Exteriores, em Madri, na Espanha. Nesta terça, o líder máximo da revolução que implantou o socialismo em Cuba, Fidel Castro, completa 87 anos de vida. Esse é o oitavo aniversário do ex-presidente cubano desde que uma doença no intestino o levou a abandonar a presidência de Cuba, em 2006 

Celebrações e protestos durante aniversário de Fidel Castro


Imagem 4/8: 13.ago.2013 - Integrantes da Plataforma Democracia Cuba ¡Ya! seguram cartazes e objetos contra o regime cubano, nesta terça-feira (13), em frente à sede do Ministério de Assuntos Exteriores, em Madri, na Espanha. Nesta terça, o líder máximo da revolução que implantou o socialismo em Cuba, Fidel Castro, completa 87 anos de vida. Esse é o oitavo aniversário do ex-presidente cubano desde que uma doença no intestino o levou a abandonar a presidência de Cuba, em 2006 

Celebrações e protestos durante aniversário de Fidel Castro


Imagem 8/8: 13.ago.2013 - Um homem passa em frente a um escrito na parede de uma casa em Havana que saúda o líder revolucionário cubano Fidel Castro e seu irmão Raúl Castro, atual presidente da ilha. Nesta terça-feira (13), Fidel Castro completa 87 anos de vida. Segundo a sobrinha, filha de Raúl Castro, Mariela Castro, o aniversariante está ativo e preocupado com a segurança alimentar mundial. Esse é o oitavo aniversário do ex-presidente cubano desde que uma doença no intestino o levou a abandonar a presidência de Cuba, em 2006 

Celebrações e protestos durante aniversário de Fidel Castro


Imagem 6/8: 13.ago.2013 - Cartazes pendurados na parede de um estacionamento para motos e bicicletas em Havana, Cuba, mostram o líder revolucionário cubano Fidel Castro (à dir.), seu companheiro de lutas Ernesto "Che" Guevara (ao centro) e o ex-presidente da Venezuela Hugo Chávez (à esq.). Fidel Castro completa 87 anos nesta terça-feira (13). Segundo a sobrinha de Fidel, filha do presidente Raúl Castro, Mariela Castro, o aniversariante está ativo e preocupado com a segurança alimentar mundial. Esse é o oitavo aniversário do ex-presidente cubano desde que uma doença no intestino o levou a abandonar a presidência de Cuba, em 2006