quinta-feira, 10 de abril de 2014

* Superbactérias: os riscos de uma crise global


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Salmonella, bactéria que provoca infecções gástricas
Banalização do uso de antibióticos e impasses na pesquisa de fármacos suscitam espectro de epidemias incontroláveis. Há alternativas, mas é preciso agir já
Por Martin Khor | Tradução: Gabriela Leite
Um número crescente de doenças tem sido afetado pela resistência, um fenômeno que se dá quando as bactérias não podem ser mortas, mesmo quando distintos medicamentos são ministrados a alguns pacientes, que sucumbem. Isso gera a perspectiva sombria de um futuro em que os antibióticos já não funcionam e muitos de nós, ou de nossos filhos, não vão mais resistir a doenças como tuberculose, cólera, formas mortais de desinteria e germes contraídos durante cirurgias.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) vai discutir o tema em maio, em sua assembleia anual de ministros da saúde. A agende inclui o debate de um plano global de ação contra a resistência microbiana. Em momentos anteriores, houve diversas resoluções a respeito, mas pouca ação. Este ano, pode ser diferente, porque países como o Reino Unido estão convencidos de que anos de inatividade tornaram o problema cada vez mais grave.
Chatham House, uma organização internacional sediada no Reino Unido, foi local de duas reuniões recentes a respeito: uma em outubro e outra no mês passado (co-organizada pelo Geneva Graduate Institute). Ambas foram presididas pela Diretora Geral da Saúde da Inglaterra, a professora Dame Sally Davies, que transformou a resistência a antibióticos em uma campanha emergente. Em um livro recente, The Drugs Don’t Work (“Os remédios não funcionam”), ela revelou que seu relatório anual sobre saúde focou-se, em 2012, em doenças infecciosas.
“Nossas descobertas são simples: estamos perdendo a batalha contra doenças infecciosas. As bactérias estão reagindo e tornando-se resistentes à medicina moderna. Para resumir: os remédios não funcionam.” Davies lembrou que os antibióticos adicionaram em média vinte anos à expectativa de vida dos seres humanos e que, por mais de setenta anos, eles nos permitiram sobreviver a infecções e cirurgias que ameaçavam nossa vida. Contudo, “a verdade é que temos abusado deles como pacientes, médicos, viajantes e em nossa comida”, diz ela em seu livro.
Davies prossegue: “Nenhuma classe de antibióticos foi descoberta nos últimos 26 anos e os micróbios estão contra-atacando. Em poucas décadas, poderemos começar a morrer por cirurgias mais comuns e por doenças que hoje podem ser tratadas facilmente.”
Nas duas reuniões da Chatham House, às quais compareci, diferentes aspectos da crise e das possíveis ações foram discutidas. Em uma das sessões, fiz um sumário das ações necessárias, incluindo:
> Mais pesquisa científica sobre como a resistência é causada e se espalha, incluindo a emergência de genes resistentes a antibióticos como no caso do NDM-1 [cuja ação é explicada mais adiante].
> Pesquisas em todos os países para determinar os níveis da resistência a atibióticos e bactérias que causam várias doenças.
> Diretrizes e regulações de saúde em todos os países para orientar os médicos sobre quando (e quando não) prescrever antibióticos.
> Regulamentações para indústrias de drogas sobre marketing ético de seus remédios, para evitar que promoções de venda dirigidas a médicos ou ao público levem a um uso elevado e desnecessário.
> Educar o público a usar antibióticos apropriadamente, incluindo informações sobre quando eles não devem ser usados.
> Banir o uso de antibióticos na alimentação animal (com o propósito de obter crescimento acelerado). Restringir o uso em animais apenas para doenças de risco.
> Promover o desenvolvimento de novos antibióticos e criar mecanismos (inclusive financeiras) que não tornem as novas drogas propriedade exclusiva das indústrias farmacêuticas.
> Assegurar que pessoas pobres também tenham acesso aos novos remédios.
Quanto ao primeiro ponto, um fato novo e alarmante foi a descoberta de um gene, conhecido como NDM-1, que tem a habilidade de alterar a bactéria e fazê-la altamente resistente a qualquer droga conhecida.
Em 2010, só se localizou a presença do gene NDM-1 (detectado em 2006) em dois tipos de bactérias — E. coli e pneumonia Klebsiella. Mas descobriu-se que este gene pode facilmente saltar de uma espécie de bactéria para o outro. Em maio de 2011, cientistas da Universidade de Cardiff (Reino Unido), que fizeram os primeiros relatos sobre a existência da NDM-1, descobriram que este gene se espalhou para vinte espécies de bactérias.
Também em maio de 2011, houve um surto de uma doença mortal, causada por uma nova cepa da bactéria E. coli, que matou mais de vinte pessoas e afetou outras duas mil na Alemanha. Apesar de a E. coli “normal” produzir doenças suaves de estômago, este novo tipo causa diarreia com sangue e dores de estômago severas. Em casos mais sérios, atinge as células sanguíneas e os rins.
A tubercolose é outra doença que esta retornando de forma agravada. Em 2011, a Organização Mundial de Saúde (OMS) descobriu que meio milhão de novos casos no mundo eram do tipo resistente a múltiplas drogas (MDR-TB), significando que não poderiam ser tratados pela maior parte dos remédios. Além disso, em torno de 9% das tuberculoses resistentes a drogas múltiplas também têm resistência a duas outras classes de remédios. São conhecidas como tuberculoses extensivamente resistente a drogas (XDR-TB). Pacientes com XDR-TB não podem ser tratados com sucesso.
Pesquisadores também descobriram que, no sudeste da Ásia, cepas de malária estão se tornando resistentes a tratamentos. Em 2012, a diretora-geral da OMS, Margaret Chan alertou que todos os antibióticos já produzidos até hoje estão correndo risco de tornarem-se inúteis.

Assembleia Mundial de Saúde, convocada para o próximo mês é uma oportunidade que não pode ser perdida para finalmente lançar um plano de ação global para resolver esta crise.

* A equipe de futebol que preferiu morrer a perder


 9 de abril de 2014
Nunca, em uma partida de futebol, a expressão “vida ou morte” foi tão levada a sério. O contexto histórico não era para menos. A coisa toda começou em 1941, quando a Alemanha nazista invadiu Kiev, capital da Ucrânia, trazendo centenas de prisioneiros de guerra. Entre eles, estava um tal de Nikolai Trusevich, que anos antes havia sido o badalado goleiro do Dínamo, um dos principais clubes soviéticos.
Josef Kordik, um padeiro alemão – que, por sua descendência, era tratado de maneira “mais suave” pelos nazistas – e torcedor fanático do Dínamo, caminhava distraído pela rua quando encontrou… advinha quem? Sim, o goleiro Trusevich.
O padeiro o acolheu em sua casa, burlando a vigilância alemã e, de quebra, deu uma ideia para o goleirão: encontrar os outros jogadores do Dínamo. Em poucas semanas, a padaria já escondia, entre seus empregados, a equipe completa.
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Volta aos campos
O passo seguinte era evidente: jogar bola. Como estava proibido ao Dínamo atuar em qualquer jogo, batizaram o “novo” clube de FC Start. Começaram desafiando seleções formadas pelo III Reich como uma “desforra” pelas atrocidades praticadas pelo Exército de Hitler.
Na primeira partida, realizada em 1942, venceram por 7 a 2. Depois veio uma guarnição húngara: emplacaram 6 a 2. Depois, mais 11 gols contra uma equipe romena. A coisa foi ficando séria e já chamava a atenção dos alemães, que novamente os desafiaram e, também novamente, foram goleados por 6 a 2. Trouxeram da Hungria outra equipe para pará-los: nova goleada por 5 a 1. Pediram revanche e perderam de 3 a 2.
Com apenas uma bola, os caras ameaçavam toda a meticulosa propaganda de Hitler de superioridade da raça ariana. E isso, claro, não poderia ficar barato. Os nazistas formaram uma equipe com jogadores da Luftwaffe, o Flakelf, um grande time da época. A missão: a qualquer custo – e isso incluía violência futebolística generalizada – deveriam vencer. Só esqueceram de avisar isso para o Start, que novamente venceu, por 5 a 1.
É vida ou morte
Essa humilhação sofrida pela raça ariana não poderia ficar barato e o alto comando nazista deu ordens para fuzilar o time todo. Mas os oficiais locais queriam, antes, vencer o Star. Precisavam desmoralizá-los, primeiramente, diante do povo ucraniano, para, aí sim, matá-los.
A revanche foi marcada. O estádio de Zenit estava lotado. Um oficial da SS advertiu aos jogadores ucranianos que, em campo, saudassem o Führer, com o clássico braço esticado. Os jogadores do Start levantaram o braço diante do estádio, porém no momento da saudação, levaram a mão ao peito e gritaram “Fizculthura!” (expressão que proclama a cultura física), ao invés do obrigatório “Heil Hitler!”.
No segundo tempo, nova visita ao vestiário. Só que agora com armas! E ordens bem claras: se vencerem, ninguém vivo. Os jogadores até se propuseram a não voltar para o segundo tempo, mas pensaram em suas famílias, nos crimes cometidos pelos nazistas e nas pessoas que torciam nas arquibancadas.
Voltaram e deram um baile nos rivais. Quando já ganhavam por 5 a 3, o atacante Klimenko ficou cara a cara com o goleiro alemão, driblou-o e, debaixo das traves, debochadamente voltou e chutou a bola para o centro do campo. O estádio veio abaixo.
Revanche sangrenta
Os nazistas deixaram que o Star saísse do campo como se nada tivesse ocorrido, mas a vingança não tardou. A Gestapo visitou a padaria e dizimou a equipe. Somente Goncharenko e Sviridovsky, que não estavam na padaria naquele dia, sobreviveram. Aquele fatídica partida ficou conhecida, mundialmente, como o “Jogo da Morte”.
Ainda hoje, no estádio Zenit, uma placa homenageia: “aos jogadores que morreram com a cabeça levantada ante o invasor nazista”.
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Fotos: Duke.edu
Fontes: UOL, Ukemonde, The Guardian

quarta-feira, 9 de abril de 2014

* Banco Mundial prevê guerra por comida e água nos próximos anos


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Efeitos das mudanças climáticas devem agravar a crise do sistema hídrico
Foto: UN Photo/Martine Perret


As batalhas por alimento e água devem eclodir dentro de cinco a dez anos, devido ao efeitos das mudanças climáticas. A projeção do presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, foi feita durante entrevista ao jornal britânico The Guardian.
Ele pediu que ativistas e cientistas trabalhem em conjunto para criar uma solução para este problema global, e usou o exemplo do HIV para demonstrar como a união de esforços pode resultar em soluções mais rápidas e mais eficazes.
A fim de manter o aquecimento global abaixo do limite acordado internacionalmente, de 2 graus Celsius, Kim observou que o mundo precisa de um plano para mostrar que está comprometido com a meta.
Ele delineou quatro áreas em que o Banco Mundial poderia ajudar a combater a mudança climática: investir em cidades mais limpas e sustentáveis, encontrar um preço estável para o carbono, reduzir os subsídios aos combustíveis fósseis e desenvolver uma agricultura mais inteligente e resistente ao clima.
Os comentários de Kim seguem a publicação da segunda parte do quinto relatório do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que advertiu que nenhuma nação ficaria intocada pelo aquecimento global.
O relatório também alertou para os efeitos que as mudanças climáticas teriam sobre os preços dos alimentos, assim como em muitas outras áreas, como recursos hídricos. A produtividade agrícola pode cair 2% por década até o final do século, ao passo que a demanda deverá aumentar 14% até 2050.

* Estudante leva 190 picadas de abelha para saber onde dói mais

Abelha
Estudante se deixou picar 190 vezes para determinar onde a picada dói mais ou menos
Um estudante de PhD britânico se deixou picar por abelhas 190 vezes, como parte de um experimento para determinar em que parte do corpo a dor é mais forte.
Smith vinha estudando abelhas na universidade quando uma entrou por sua roupa de baixo e o picou em uma parte delicada do corpo.

A intenção, conta Michael L. Smith, da conceituada Cornell University, do Estado americano de Nova York, "era fazer uma pergunta bem básica, a parte do seu corpo em que você é picado influi o quanto de dor você vai sentir? A resposta é definitivamente sim".O aluno de PhD resolveu transformar a dor em algo mais produtivo e fez de si mesmo uma espécie de rato de laboratório para o seu experimento.
Em entrevista à radio 5 Live, da BBC, Smith contou ter escolhido 25 partes de seu corpo e deixou que as abelhas o picassem nestas partes.

Onde dói mais?

Apesar de ter se sujeitado a picadas até mesmo em suas partes íntimas, ele afirmou que a área mais sensível de todas foi a narina, em particular a parte interna do nariz. Em segundo, ele listou o lábio superior e, em terceiro, o corpo do pênis.

Estudante criou mapa com pontos e fez um ranking para a dor
A pesquisa exigiu não apenas empenho, mas também muita coragem. "Eu pegava a abelha pelas asas e a colocava no local que precisava ser picado. E em segundos, você sentia a picada. Não é necessário aplicar ciência complexa para que uma abelha pique você, elas o fazem quando provocadas."
De acordo com a pesquisa, as partes menos dolorosas foram o crânio, a ponta do dedão do pé e a parte superior do braço.
A dor sentida foi classificada segundo uma escala que ia de 1 a 10.
Na eventualidade de algum amador excêntrico querer repetir o experimento de Smith, ele adverte:

"Quando você é picado na narina, todo o seu corpo reage...Eu não recomendaria."

* Açúcar e demência

Altos níveis de glicose no sangue aumentam o envelhecimento do cérebro e o risco de doenças, aponta estudo
saúde
A pesquisa mostrou que um maior índice de glicose no sangue pode indicar maior chance de demência

O envelhecimento da população transformou as demências em problema de saúde pública. As epidemias mundiais de obesidade e diabetes parecem aumentar a incidência de algumas formas de demência, embora os resultados dos estudos sejam muitas vezes controversos.
A relação entre as taxas de açúcar no sangue e o risco de desenvolver demência foi explorada num trabalho conjunto realizado nas Universidades de Washington e Harvard.
Pelo número de pessoas acompanhadas, a metodologia científica criteriosamente selecionada e a publicação em revista de grande impacto (The New England Journal of Medicine), essa pesquisa tem tido grande repercussão na literatura.
O estudo envolveu 1.228 mulheres e 839 homens com 65 anos de idade ou mais (média: 76 anos), sem sinais de demência, que faziam parte de uma coorte seguida pelo Adult Changes in Thought (ACT), no estado de Washington.
Os participantes retornavam a cada dois anos para testes de avaliação das habilidades cognitivas. Se o resultado mostrasse algum déficit, eram encaminhados para uma bateria de exames clínicos, laboratoriais e neuropsicológicos para afastar ou confirmar o diagnóstico de Alzheimer ou outro quadro demencial.
Os níveis de glicose no sangue foram recolhidos das sucessivas dosagens de glicemia e de hemoglobina glicada, realizadas pelos participantes a partir de 1988. As médias desses valores nos últimos cinco anos foram comparadas com as de períodos anteriores.
Para afastar a ingerência de outros fatores sabidamente envolvidos no risco de desenvolver demência, o grupo foi estratificado de acordo com a prática de atividade física, nível educacional, fumo, doença coronariana, doenças cerebrovasculares e hipertensão.
Nos cinco anos que precederam a avaliação, a média da glicemia de jejum dos participantes sem diabetes foi de 101 mg/dL, número que aumentou para 175 nos portadores de diabetes.
Em 6,8 anos – período médio de acompanhamento – ocorreram 524 casos de demência (25,4%), assim distribuídos: 450 entre os 1.724 sem diabetes (26,1%) e 74 entre os diabéticos (21,6%).
Entre os participantes sem diabetes o risco de demência aumentou à medida que os níveis de glicose no sangue aumentaram: entre aqueles com glicemia de jejum de 115 mg/dL houve 18% mais demências do que naqueles com glicemia igual a 100.
Entre os diabéticos, quanto mais alta a glicemia maior o número de demências. Aumentar a glicemia de 160 para 190 mg/dL fez aumentar 40% no risco de demência.
A conclusão dos autores é enfática: “Nesse estudo prospectivo, realizado na comunidade, verificamos que níveis mais altos de glicose estão associados a aumento do risco de demência, em populações com ou sem diabetes. Os dados sugerem que níveis mais elevados de glicose podem ter efeitos deletérios no cérebro que envelhece”.
Fartura à mesa, vida sedentária, obesidade, hipertensão arterial, diabetes, demência na velhice, será esse o destino implacável de nossa espécie?

terça-feira, 8 de abril de 2014

* protesto contra cessão da Fábrica Tacaruna para o setor privado

Ação deverá acontecer às 12h da próxima sexta-feira (11) na praça da Independência, Recife.


Arthur Mota, da Folha de Pernambuco

Fábrica Tacaruna, que está inativa há 21 anos, deverá abrigar centro de pesquisa e desenvolvimento automotivo
Às 12h da próxima sexta-feira (11), a praça da Independência, situada no centro do Recife, deverá ser palco de um protesto contra a cessão, por parte do Governo do Estado, das estruturas da antiga Fábrica Tacaruna, situada na Av. Agamenon Magalhães, para a empresa Fiat, que obteve autorização para desenvolver um centro de pesquisa próprio no local. Desde o último dia 5 deste mês, internautas recifenses vêm se mobilizando através da rede social Facebook para organizar um ato contrário a cessão, que consideram como integrante de um processo de “privatização de espaços públicos”.
Até esta segunda-feira (7), mais de oito mil pessoas já haviam sido convidadas para integrar o evento, que tem como objetivo não só questionar a cessão da antiga Fábrica Tacaruna para a empresa privada, mas também manifestar repúdio contra “o desprezo às demandas sociais das famílias removidas pelas obras da Copa do Mundo” e a destinação de áreas de paisagem próximas de locais em que há contato com vistas marítimas e remanescentes de paisagem natural para grupos privados.
Dos pouco mais de oito mil convidados, aproximadamente 600 pessoas já confirmaram presença no evento. Entre os perfis virtuais que manifestaram apoio ao protesto estão o de representantes da cena cultural pernambucana, como o do cineasta Beto Normal, e o de comunidades da cidade, entre elas o bairro do Coque.
Dentre os questionamentos levantados na página virtual do protesto, o mais reproduzido entre os que confirmaram presença na ação é o motivo pelo qual o Governo do Estado, que segundo os participantes da página teria recebido uma verba de R$ 45 milhões de reais em 2009 para transformar o espaço da antiga Fábrica Tacaruna em um centro cultural, teria mudado de ideia e doado o espaço para a empresa Fiat.
“A regra de ouro das aprovações dos empreendimentos de impacto no Conselho de Desenvolvimento Urbano (CDU): (A) É empreendimento do setor privado? Aprovado. (B) É para a preservação da memória urbana do Recife? Rejeitado”, comentou na página do evento Edinéa Alcântara, uma das usuárias do Facebook que confirmou presença na ação.
Para o protesto da próxima sexta-feira (11), os internautas prometem fazer barulho com batuques na praça da Independência e levar fitas e tintas para confeccionar cartazes. A demolição ou não do edifício Caiçara, situado no bairro de Boa Viagem, e o empreendimento Novo Recife, que visa construir torres na área do cais José Estelita, também serão alvo de protesto por parte dos manifestantes.
Decisão:
Na última terça-feira (3), o Governo do Estado pactuou, em conjunto com a Prefeitura do Recife, a Fiat Chrysle e o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), a destinação do espaço da antiga Fábrica Tacaruna para a instalação de um Centro de Pesquisa, Desenvolvimento, Inovação e Engenharia Automotiva da Fiat. Na ocasião, o Governo do Estado afirmou que a ação tinha o intuito de auxiliar no desenvolvimento tecnológico de Pernambuco e no desenvolvimento industrial da economia.
A Fábrica Tacaruna está inativa há 21 anos e é tombada como patrimônio histórico estadual.

* Movimentos sociais reforçam necessidade da presença de defensores nas manifestações populares

unnamed (1)Fonte: Ascom ANADEP Estado: DF
Representantes de movimentos da sociedade civil organizada, reunidos na manhã de ontem (7), durante o primeiro turno da Assembleia Geral da ANADEP promovida na Faculdade de Direito da UnB, em Brasília, reforçaram a importância da presença de defensores públicos nas manifestações populares. Manifestaram-se, ainda, no sentido de que é necessária a busca de soluções coletivas, reconhecendo o número reduzido de agentes no país e a estrutura deficitária da Defensoria no Brasil. O encontro, que contou com a presença de defensores de diversas regiões do país, representantes do Governo Federal, judiciário, Ministério Público Federal, organizações voltadas à garantia dos direitos humanos, entre outros, prossegue à tarde, e encerra com a retirada de uma orientação conjunta para atuação unificada dos defensores em todo o território nacional, frente às manifestações populares que se avizinham, com a proximidade dos jogos da copa.
Ao abrir o encontro, a presidente da ANADEP, Patrícia Kettermann, agradeceu a presença de todos. “Esta escuta, esta troca democrática é essencial para a Defensoria Pública. Nossa meta é cada vez mais fazer com e não fazer para. Queremos ouvir o que os atores da sociedade esperam da Instituição, para podermos efetivamente garantir aquilo que a sociedade brasileira espera”, pontuou.
O diretor e ex-presidente da Associação, André Castro, coordenou a primeira roda de debates, voltada à escuta dos movimentos sociais, convidando a todos, inicialmente, a responder um questionário com as principais preocupações e dilemas com relação às manifestações populares, além de intermediar os diálogos. Um dos primeiros a fazer uso da palavra foi o representante da rede Observatório das Metrópoles, Rômulo Ribeiro. O organismo tem uma pesquisa em rede específica com relação à copa e seu impacto nas cidades-sede, basicamente contemplando quatro eixos: segurança, moradia e mobilidade meio ambiente e governança.  “O que se percebe é a desinformação sobre as ações a serem tomadas, justamente para desmobilizar a articulação popular. Há um processo de mercantilização e elitização das cidades. E o que chama a atenção sobre a copa já começa pelo nome. É um evento da Fifa, e não do povo, temos percebido isso, inclusive pelo nome”, afirmou.
ATUAÇÃO POSITIVA
Defensores públicos do Distrito Federal trouxeram o exemplo da atuação da categoria em Brasília, durante as últimas manifestações, criando uma cartilha com os direitos do manifestantes, indo ao centro de movimento. “É um desejo nosso de comunicar com o Estado, e surgiu a ideia de criarmos um grupo na associação, e elaboramos esta cartilha, disponibilizando um telefone, para que soubéssemos as dificuldades dos palestrantes Foi uma experiencia muito rica, tivemos relatos importantes, de como era a relação dos manifestantes com a polícia, e isso abriu um espaço importante, conseguimos evitar atritos importantes”, relatou o defensor Alexandre Braúna.
O juiz de direito, membro da Associação Juízes para a Democracia, Rubens Casara, classificou os movimentos sociais da forma como foram desencadeados um fenômeno novo, ao qual todas as instituições estão se adequando. E pontuou a diferença entre multidão e massa. “O que caracteriza multidão é o desejo de democracia. Manifestações marcadas com o desejo de democracia. E qual seria o papel da Defensoria participando dessas manifestações? Fazer uma mediação com as instituições. Me assusta um pouco a Defensoria participando unicamente na responsabilização daqueles que atuam contra a liberdade. Acho que a Defensoria é das instituições de estado a única que tem o perfil de alimentar a discussão entre instituições”, ponderou.
Ana Virginia Ferreira, presidente do colégio de ouvidorias das Defensorias Públicas, tem uma visão distinta com relação ao ineditismo dos movimentos.  “Dentro deste cenário penso que o papel da Defensoria deve ser atuar pela garantia dos direitos, não apenas na garantia da justiça, mas direitos sociais e direitos políticos. Essas manifestações acontecem justamente porque esses direitos estão sendo negados. Discordo que seja um fenômeno novo; os movimentos sociais tem um histórico de atuação. Dizer que isso é um fenômeno novo é negar o papel histórico dos movimentos. Infelizmente esses movimentos não tiveram o direcionamento das manifestações de massa”, completou. Ela aponta ainda a necessidade de uma maior compreensão dos Defensores Públicos com relação a sua atuação social.  “Seria importante a sensibilização dos defensores como um todo. Há os que lutam e há os que não estão dando a devida importância, sem atuar como agente político, estão ali apenas para fazer seu trabalho e voltar para sua casa. Seria ideal a sensibilização dos defensores como um todo. A Defensoria poderia ser vanguardista neste sentido”, finalizou.
GOVERNO E MOVIMENTOS SOCIAIS
Representante do governo federal no encontro, o secretário para Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Marivaldo Pereira, falou um pouco sobre a visão do Executivo sobre as mobilizações. Destacou a criação de um protocolo padrão de atuação das polícias, prevendo o uso proporcional da força, obrigatoriedade de identificação, diálogo para solução de conflitos. Também enfatizou a necessidade de haver  uma previsão de linhas de atuação da polícia. “Precisamos prever os dois lados. Proteção à atuação de jornalistas e advogados. Para, se acaso criarmos algo, que isso que não vá pelo caminho da mera tipificação de terrorismo. O MJ tem que atuar no sentido de garantir a segurança em grandes eventos. Ao governo se atribui todos os males e violências cometidas nas manifestações”,  relatou, garantindo que o único ponto possível de avaliação, por parte do governo, dos 17 projetos que foram apresentados com relação às manifestações populares, se refere ao crime de dano.
Pareira propôs ainda uma reflexão também sobre a afirmação de que a copa retiraria dinheiro da saúde e educação. “Esses recursos vem aumentando, sem qualquer interrupção”, disse. Afirmação à qual Larissa da Silva Araújo, representante do Comitê Popular da Copa no DF, estabeleceu um contraponto. “Quando o secretário diz que não houve desvio de dinheiro da saúde e educação isso é metafórico. Porque indiretamente sim. Quando não há orçamento para combate de violações ao direito de crianças e adolescentes durante a copa temos um exemplo disso. É importante, portanto, o posicionamento da Defensoria,  que é um dos mais contundentes canais de interlocução com a esfera pública, um dos principais canais com a institucionalidade”, definiu.
Confira a seguir algumas de outras importantes falas registradas ainda durante a manhã:
Marcelo Semer – Magistrado integrantes da Associação Juízes para a Democracia
“A Defensoria Pública tem um caráter anfíbio: atua como importante instrumento do sistema de justiça, mas também tem um papel fundamental no diálogo com a sociedade civil. A Defensoria é do povo. Em relação à manifestação popular, acho que o defensor tem que estar presente, pois ele será essencial na proteção à vítima; para diminuir e coibir a violência policial.”
Eduardo Cavalieri – Defensor público Minas Gerais
“Me preocupa quando se fala nesta questão de que a defensoria Pública precisa se apropriar de bandeiras, porque nossa bandeira deve e precisa ser o empoderamento da sociedade civil organizada. Estar presente nas manifestações populares para garantir o direito a voz do cidadão, esta deve ser a nossa bandeira. Se adotarmos qualquer outra, perdemos o posto de mediadores”.
Adriano Campos – Defensor público Maranhão
“Só com a presença da Defensoria já há uma modificação da conduta policial. A presença pura e simples, não estavam lá institucionalmente. As defensorias presentes nas manifestações ostensivamente como forma de coibir de imediato, Não no sentido de responsabilizar criminalmente, mas no sentido de servir como um colchão, de amortecer, frear este impacto. A grade solução que a DP traz para os problemas sociais no Brasil é a educação em direitos. Essas manifestações foram quase instintivas, quase como um empurrão. As manifestações estão vindo, e virão de uma forma avassaladora. E se a DP não se organizar podemos ter aí um recrudescimento, algo mais violento.”
Erika Lula de Medeiros – Terra de Direitos
“Seria importante que os defensores procurassem os grupos com pautas já definidas. Um pouco da demanda das cidades sedes pode vir destes grupos.”
Arilson Malaquias – Defensor Piauí
“Precisamos ter o cuidado para uso da linguagem para não retirar os defensores do papel de intermediação e interlocução junto ao Estado. Devemos trabalhar também no sentido preventivo no sentido de minimizar os exageros, de ambas as partes, inclusive. Dialogar com os movimentos e também como  Estado, de como enfrentar esta questão. Próximo que é dos movimentos sociais, o papel da defensoria é de colaborar para que haja respostas positivas à sociedade.”
Antonio Escrivão – Articulação Justiça e Direitos Humanos
“O Recrudescimento aumenta a necessidade da Defensoria Pública e da advocacia. Acontece que nestas posições de diálogo e atuação conjunta vimos um processo de criminalização dos advogados populares. Está sendo fomentado um plebiscito popular por uma nova Constituinte, coisa que os juristas tem muita dificuldade de lidar. Mas a questão é fazer o debate. Um plebiscito puxado pelo s movimentos sociais populares, centrais sindicais e partidos de esquerda. Convido a todos a abrir os olhos e não ceder à primeira perspectiva jurídica de negar o tema.”