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quinta-feira, 3 de julho de 2014

* Socióloga aponta fatores e consequências da profissionalização da prostituição

Por Nayá Fernandes

Uma pessoa escolhe se prostituir? A prostituição é uma opção livre? A resposta a esta pergunta é passível de opiniões diversas e até mesmo condenações podem nascer a partir dela. A prostituição atravessa a história sendo uma realidade controversa em todos os campos.Em tempos de Copa de Mundo e com os olhos abertos para o turismo e a exploração sexual, a Pastoral da Mulher Marginalizada (PMM) Nacional se manifestou publicamente por ocasião do Dia da Prostituta, 02 de junho. A data foi estabelecida após uma manifestação em Lyon, na França, em 1975.
"150 prostitutas francesas ocuparam a igreja de Saint-Nizier, em Lyon. Elas protestavam contra as multas e detenções que sofriam e pelas mortes de colegas que não eram investigadas. Esse gesto foi uma ‘guerra contra o rufianismo’ atividade de quem tira proveito da prostituição alheia. Obtiveram apoio da população e foram reprimidas fortemente pela polícia, mas entraram para a história”, recorda Sueli Aparecida da Silva, socióloga e coordenadora Nacional da PMM.
"Nós queremos chamar atenção para este dia, não como um dia de celebração, de glamorização da prostituição, de confirmação da profissão de prostituta. Compreendemos que a prostituição é mais uma forma cruel de violência contra a mulher”, continua Sueli.
A partir da experiência cotidiana com mulheres em situação de prostituição, a PMM afirma que a grande maioria delas não o faz por opção. "A prostituição foi, de alguma forma, a única saída para um problema do momento. Envolve muitos fatores psicossociais e não pode ser considerada uma escolha livre”, diz a socióloga. Sueli afirma ainda que uma vez tendo conseguido deixar a prostituição, as mulheres fazem de tudo para não voltar a esse espaço.
Até que ponto a prostituição deve ser uma profissão regularizada é outra discussão na qual a PMM está inserida. O Projeto de Lei Nº 4.211, de 2012, de autoria do deputado federal Jean Wyllys, busca a regulamentação da prostituição, mas este não é o primeiro, outros já estiveram em tramitação, segundo a Pastoral.
"Sempre defendemos que a profissionalização não traz benefícios para a grande maioria das mulheres. Não é um trabalho como outro qualquer. A prostituição é resultado de um fenômeno social maior, não podendo ser caracterizada como um trabalho que dá dignidade ao ser humano”, assinala Sueli.
No Brasil, a prostituição não é crime, mas a indústria do sexo sim, ou seja, as casas de exploração não regulamentadas. "Ter um salário e a carteira assinada não garante que a mulher seja livre. Poderá ela ser obrigada a ser uma escrava sexual, tendo que cumprir com uma carga horária exaustiva ou ter um número de programas que vai além da condição física dela”, explica a socióloga.
Outras dificuldades foram apontadas, como a contratação da mulher, depois que ela resolver deixar a prostituição, o moralismo social e o desrespeito. "A maioria das mulheres evita que suas famílias e seus amigos saibam como estão vivendo”, continua a coordenadora da Pastoral, que trabalha em três frentes principais: com as mulheres que situação de prostituição; com o enfrentamento ao abuso e a exploração sexual ou comercial de crianças e adolescentes; e contra o tráfico de mulheres, crianças e adolescentes para fins de exploração sexual.
Assim, a chamada profissionalização da prostituição não iguala socialmente o papel das pessoas que estão se prostituindo ao dos trabalhadores de outras áreas. Sueli destaca que "usar da sexualidade para angariar recursos é uma forma de ferir a conduta de bons comportamentos sociais e isso põe as mulheres em condições exclusas socialmente. Na prostituição, a mulher não tem direito de ser pessoa, ela é sempre vista como a "puta”, a "prostituta”, a "sem vergonha”, a de "vida fácil” ou, religiosamente falando, "a pecadora”, mas nunca como mulher”.
Direto com elas
A PMM atua diretamente com as mulheres que estão em situação de prostituição, realiza contatos semanais, visitas em praças, ruas, boates, hotéis e outros lugares em que elas se encontram. Promove ainda a acolhida nas sedes das equipes base da PMM. A orientação e encaminhamento das mulheres para a profissionalização por meio de capacitação pessoal e profissional tendo como base a economia solidária e geração de renda também é uma frente de atuação da Pastoral. Indiretamente, a Pastoral trabalha a sensibilização social sobre a realidade da mulher na prostituição, no enfrentamento ao tráfico de pessoas para fins de exploração sexual e contra ao abuso e exploração de crianças e adolescentes.

Depoimentos
"Fui violentada por meu tio para ter o que comer. Eu morava na casa dele, quando minha tia saía, ele me obrigava a fazer sexo com ele. Eu tinha nove anos. Depois vim pra rua. Tinha 16 anos, um cliente me levou para casa dele, chamou seis homens e disse que podiam fazer o que eles quisessem, porque eu era p... mesmo. Eles fizeram tudo comigo. Eu estava grávida e perdi o bebê, até hoje dói muito lembrar.” (Raquel, 29 anos)

"Fui parar na Luz e, naquele tempo, tinha um plano de higienização. Os policiais me levaram várias vezes para o xadrez, com acusação de "vadiagem”. Lá, colocavam a gente para varrer, limpar. De vez em quando, um policial engraçadinho abusava da gente, às vezes, soltava a gente depois disso. Mas ele sempre chegava dizendo que era p... mesmo. Um dia, um policial me violentou com um cassetete. Quase morri de dor.” (Celiane, ex-prostituta)

"Eu morei num bordel em que a dona era muito ruim. Ela só queria o dinheiro da gente. Não podíamos parar com os programas nem quando estávamos menstruadas. Quando eu estava menstruada, ela me dava um rolo de algodão. Tinha uma menina que morava nessa casa e ela bebia muito. Quando estava bêbada, a cafetina colocava dois clientes no quarto com ela. Recebia o dinheiro e não dava nada para a menina.” (Cris, 26 anos)

"Eu nunca me apresentei como prostituta. Fiquei seis anos na Luz. Minha família nunca soube, pode ser que desconfiava, mas se me perguntarem, vou negar até a morte. Nunca sofri violência. Estar na prostituição já é violência. Entregar a intimidade por dinheiro é muito violento. Nunca vesti roupa curta, ia trabalhar com camiseta e calça jeans. Mas todo mundo associa a prostituição com a falta de vergonha e caráter.” (Carina, 37 anos)

Jornal O SÃO PAULO

Semanário da Arquidiocese de São Paulo, que há 58 anos leva as informações da Igreja particular da maior cidade do País.

sexta-feira, 28 de março de 2014

* Cultura machista está impregnada na sociedade brasileira, diz socióloga

Marcha das Vadias (Foto: Tulio Vianna)
Marcha das Vadias (Foto: Tulio Vianna)
Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil 
A revelação de que a maioria dos brasileiros concorda que o comportamento da mulher pode motivar o estupro comprova que a cultura machista está impregnada nos homens e nas mulheres da sociedade brasileira, segundo a socióloga Nina Madsen, integrante do Colegiado de Gestão do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea). A pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostrou que 58,5% dos entrevistados concordaram totalmente ou parcialmente com a frase “Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”.
Os pesquisadores também avaliaram a seguinte frase: “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. O levantamento mostrou que 42,7% concordaram totalmente com a afirmação e 22,4% parcialmente; 24% discordaram totalmente e 8,4% parcialmente. Das 3.810 pessoas entrevistadas, 66,5% eram mulheres.
“Nossa sociedade é violenta contra as populações marginalizadas e as mulheres compõem essa população. A culpa da violência sexual nunca é das mulheres. Temos que educar os meninos a não estuprar. Hoje eles aprendem que uma menina que se veste de uma determinada forma está provocando e que eles têm uma pretensa autorização para fazer uso daquele corpo que está sendo exposto. Temos que interferir nesse processo”, disse Nina.
Para a socióloga, os parâmetros educacionais e culturais precisam ser modificados. “É preciso atuar com muita força e continuidade na mudança cultural e a educação formal tem que incorporar os conteúdos que dizem respeito aos direitos das mulheres e à igualdade de gênero”, acrescentou.
Nina ressalta que o novo Plano Nacional de Educação (PNE), que está tramitando no Congresso, prevê uma educação voltada para a promoção da igualdade de gênero. No entanto, diz a socióloga, esse princípio está sendo questionado por grupos conservadores, sobretudo pela bancada evangélica, que querem retirá-lo do texto.
“Os grupos conservadores estão numa campanha ferrenha para que isso seja eliminado do texto do plano. Eles estão combatendo o que chamam de uma ideologia de gênero. Isso é um retrocesso gravíssimo. Se o governo permitir que isso aconteça estará sendo conivente com essa cultura do estupro revelada nesses dados que o Ipea apresentou”, disse Nina.
Outra pesquisa do Ipea revela que a maioria das vítimas de estupro é mulher, sendo 70% crianças e adolescentes. “A escola é espaço estratégico porque tem centralidade na vida dos jovens. É um espaço de proteção e que aciona o Estado. Por isso, precisa ser um lugar que se estruture em torno dos princípios da igualdade de gênero, dos direitos das mulheres e das crianças e adolescentes”, destacou a integrante do Cfemea.
A presidenta Dilma Rousseff defendeu hoje (28) “tolerância zero” à prática deste tipo da violência contra a mulher. “Pesquisa do Ipea mostrou que a sociedade brasileira ainda tem muito o que avançar no combate à violência contra a mulher. Mostra também que governo e sociedade devem trabalhar juntos para atacar a violência contra a mulher, dentro e fora dos lares”, escreveu Dilma, em sua conta no Twitter.
Edição: Denise Griesinger

sábado, 31 de agosto de 2013

* Menina de 18 anos é agredida covardemente por policiais


Foto : Reprodução

'Foi constrangedor’, diz menina de 18 anos agredida por policial em Curitiba.


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Uma menina de 18 anos foi agredida por policiais militares em Curitiba. Parte da agressão foi filmada por outra mulher que participava da escolta realizada pela PM até um estádio de futebol, e as imagens mostram um policial batendo a cabeça da vítima contra um portão de ferro.

“Foi bem constrangedor”, resumiu a estudante de administração Ana Paula Lima. Ela conta que a atitude violenta dos policiais começou ainda na Praça Santos Andrade, após um evento organizado chamado de “Caminhada pela paz”, e horas antes da partida de futebol. “Nós juntamos torcedores e resolvemos fazer uma caminhada pacífica em homenagem a colegas que faleceram recentemente”.

Também presente no local, a fotógrafa Ana Paula Ribeiro confirmou a versão da vítima. “Chegou uma viatura da polícia mandando o pessoal calar a boca, que lugar de cantar é no estádio. A galera obedeceu, ficou quieta reunida ali na praça. Sem tumulto algum, nenhuma algazarra, tinha até crianças de colo”, relatou. Ambas relatam que na sequência os policiais mandaram os participantes se encaminharem ao Couto Pereira.

Segundo Lima, os policiais partiram para cima dela e outra amiga começou a filmar. “Eles me pediram para apagar imagens, eu disse que não ia, porque não tinha nada de errado em filmar. Então eles tentaram tirar da minha mão e vieram em dois para cima de mim. Um deles pegou meu braço e pôs para trás, de forma que eu fiquei com uma mão livre apenas. Então decidi colocar o celular dentro da minha calça”, denunciou Lima.

O vídeo ainda mostra outro policial retirando do local a torcedora que filmou a agressão, e não há registros de imagens do que acontece na sequência. “Eles continuaram me batendo, mais umas cinco ou seis vezes. Ameaçavam me levar presa, eu perguntava um motivo para me levarem, e diziam que eu estava desobedecendo ordem policial. Mas com esse tipo de ordem eu não concordo”, questionou a vítima. Ela conta que o celular continuou gravando o áudio das agressões de dentro da roupa, mas que ela não pretende divulgar o material por conta do constrangimento.

Veja o vídeo :

Reportagem de 2012 reproduzida com intuito de causar discussão

* Feministas denunciam ofensiva do capitalismo sobre o trabalho, o território e os corpos das mulheres

Encontro Internacional da MMM: Feministas denunciam ofensiva do capitalismo sobre o trabalho, o território e os corpos das mulheres

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Ontem (26), durante o primeiro dia de atividades do 9º Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres, foi realizada a Conferência “Acumulação por despossessão: trabalho, natureza, corpos das mulheres e desmilitarização”. O debate foi marcado pela denúncia da violência e da opressão sofrida pelas mulheres em territórios militarizados, e da perda de autonomia das mulheres sobre seus corpos.
A mesa contou com a participação de Helena Hirata (França/Brasil), pesquisadora sobre trabalho e uso do tempo; Ariel Saleh (Austrália), autora de várias obras sobre feminismo e ecologia; Malalaia Joya (Afeganistão), da RAWA (Associação Revolucionária das Mulheres do Afeganistão); Jean Enriquez (Filipinas), integrante do Comitê Internacional da MMM e da Coalizão Contra o Tráfico de Mulheres; e Yildiz Temurturkan (Turquia), integrante do Comitê Internacional da Marcha Mundial das Mulheres.
Malalai Joya relatou a presença ostensiva no Afeganistão do fundamentalismo, do governo estadunidense e da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que está construindo diversas bases militares no país. “O fundamentalismo e o imperialismo se uniram para provocar a bárbarie em meu país”, afirmou. Para ela, a situação no Afeganistão só será revertida com o apoio da população por governos democráticos.
Jean Enriquez alertou que, dentro deste processo de violência, o corpo enquanto território não pertence mais à mulher: “Hoje o corpo está ocupado pelo homem, pela igreja e pelas corporações”. Com isso, segundo Jean, é o mundo corporativo e militarizado que lucram com o corpo das mulheres. “No mundo árabe, as mulheres são armas de guerra”, denunciou.
Já Helena Hirata afirmou que existe um contexto de crise na qual as mulheres são as mais atingidas pelo que ela considera como crise do sistema público. “A crise do cuidado deve ser uma preocupação de todos: homens, sindicatos, partidos”. Finalizando a conferência, a partir das contribuições do marxismo, Ariel Saleh apresentou um panorama da importância do feminismo ecológico para entender a ofensiva patriarcal contra o corpo e o trabalho nos territórios.
Esta é a primeira vez que o Encontro Internacional da MMM é realizado no Brasil, que já foi sediado na Índia, em Ruanda e nas Filipinas. A programação teve início ontem, no Memorial da América Latina, em São Paulo, e se estende até o dia 31, quando mulheres de 48 países realizam uma grande mobilização, na Avenida Paulista.

* Por um feminismo em marcha para mudar o mundo e a vida das mulheres


9605492682_761b86bbcb_oA realização do 9º Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil tem uma grande relevância política para pensar o combate às opressões que ameaçam a vida das mulheres e dos homens.
E por ser o Brasil, o país que coordena o secretariado internacional do movimento desde o ano de 2006, o evento tem um caráter ainda mais especial para as brasileiras que assumiram o desafio de facilitar a construção de um feminismo internacional profundamente enraizado nas lutas locais.
Refletir sobre a contribuição da Marcha para reposicionar o feminismo em um campo político que tem como horizonte a superação do capitalismo patriarcal, racista e lesbofóbico e reconhecer os aprendizados de luta das mulheres em marcha são os objetivos destes Encontro.
Além de refletir sobre as trajetórias do feminismo neste continente, as conferências realizadas no Encontro estão aprofundando o debate sobre o avanço do capital sobre os territórios, trabalho e corpo das mulheres que utilizam a militância como ferramenta de controle.
As lutas são comuns. As representantes de Moçambique, por exemplo, denunciaram as políticas de controle de seus territórios, que destroem as condições de sobrevivência, produção e autonomia econômica das mulheres para beneficiar empresas como a Vale brasileira. As brasileiras estão no mesmo processo de resistência ao avanço da mineração, por exemplo, em Minas Gerais. Da mesma forma, desde as Filipinas e Bélgica, as militantes apresentaram como organizam a resistência a mercantilização do corpo, denunciando e combatendo a aumento da prostituição e tráfico de mulheres.
Nesta lutas, as mulheres enfrentam simultaneamente o capitalismo e o patriarcado, já que esta realidade gera lucros para o mercado mas, também, poder e controle dos homens sobre os corpos e sexualidade das mulheres. Como disse uma militante camponesa da Bahia, o que estamos questionando é esta lógica da vida que produz as mulheres para que sejam consumidas, fazendo com que seus corpos, trabalho e sexualidade estejam disponíveis e a serviço dos homens e do capital.
A articulação entre estas e outras questões, na análise e na prática politica, é uma das características deste feminismo que está em marcha para mudar o mundo e a vida das mulheres. Seguiremos em marcha…

* Mostra “Feminismo em Marcha” reflete o feminismo na Galeria Olido


Exposição Feminismo em marcha na Galeria Olido – Foto: Elaine Campos
Exposição Feminismo em marcha na Galeria Olido – Foto: Elaine Campos
Rostos, lambes, camisetas, vídeos, fotos, bonecas e uma colcha confeccionada a muitas mãos. Mãos que trabalham, que lutam, que amam e que querem mudar o mundo. É o que podemos ver na Mostra ‘Feminismo em Marcha’ da Marcha Mundial das Mulheres, que teve a sua abertura ontem, 25 de agosto, que ficará até o dia 30 de setembro na Galeria Olido, SP.
A mostra reúne materiais históricos que resgatam a trajetória, ações e principais temáticas abordadas pela Marcha Mundial das Mulheres, com o objetivo de provocar uma reflexão sobre o movimento feminista, os problemas que as mulheres enfrentam hoje e as alternativas de resistência que o movimento apresenta.
Ontem estavam presentes na abertura da Mostra as delegadas dos mais de 40 países e de cada estado do país onde a marcha atua. Segundo Luiza Hardman, responsável pela produção cultural, “a exposição é um espaço de encontro das mulheres com a história delas, com a nossa história. Bonito ver as mulheres se reconhecendo, se emocionando com a nossa própria luta. A marcha não está fora, está em todas nós.”

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

* seminário feminsta: Gênero, direito á cidade e Justiça Ambiental

Aconteceu nos dias 20 e 21 no Convento das Dorotéias em Olinda o seminário: Gênero, direito á cidade e Justiça Ambiental: conflitos e resistências nos territórios.


Durante dois dias 32 mulheres sendo algumas representantes das três instituições que compõem o convênio mulheres populares e diversas no Brasil e de várias organizações populares. O seminário: Gênero, direito à cidade e Justiça Ambiental: conflitos e resistências nos territórios, propôs uma metodologia democrática participativa onde todas as mulheres e homens presentes puderam compartilhar suas experiências sobre os impactos sócio ambientais das grandes obras em sua localidade ,podemos afirmar que as discussões nos grupos e nas plenárias foram de suma importância para que os objetivos do seminário pudessem ser alcançados.
Objetivos: identificar e qualificar as de violações de direitos nos territórios e os conflitos daí advindos nas áreas do porto de SUAPE, da região metropolitana do recife e zona da mata.
Produzir subsídios para o debate da cartografia a partir da identificação da dinâmica sócio-territorial experimentada pelas mulheres
Para colaborar com a construção coletiva de mapas de conflitos e desigualdades socioambientais, foram apresentados dados sobre os impactos causados pela ocupação dos mega empreendimentos e construções nas regiões ribeirinhas coma o desafio de fazer uma analise dessas na vida social das pessoas do entorno e em especial das mulheres da região metropolitana e da zona da mata. Os trabalhos do dia foram coordenados por: Luiza de Marillac – FASE
“O modelo de cidade que eles pensam é o modelo DUBAI, eles querem fazer uma higienização na cidade, querem que os pobres não precisem sair das favelas, ou se intimidem de vir para cá, eles querem fazer um Brasil estilo Dubai”. Guita - MLB – Região Metropolitana do Recife.
“A estrada agora passa na praticamente na porta da minha casa, antes tinha uma distância de mais ou menos 5km, com a duplicação da BR o governo comeu um pedaço da minha parcela que já estava reflorestada. ”Luiza- assentada/São Lourenço da Mata – PE.
No segundo dia iniciamos as atividades com a apresentação de painéis sobre: desenvolvimento econômico, à cidade e justiça ambiental, após as apresentações  dos painéis feitas por Nivete Azevedo - CMC,Maria José Pacheco CPP  e Joana Barros FASE/ Nacional, foram construídas propostas  de estratégias para o enfrentamento da atual situação dos territórios do entorno das regiões metropolitana do Recife e Zona da Mata Sul e Norte em relação aos impactos sócio ambientais sofridos por essas comunidades.
Nivete apresentou dados sobre a realidade das comunidades e cidades do entorno do Porto de SUAPE, o que não difere muito da realidade das comunidades ribeirinhas da Região metropolitana e Zona da Mata sul/Norte e litoral de Pernambuco.
Maria José Pacheco mostrou um panorama da realidade das comunidades tradicionais que lidam diretamente com a degradação do ambiente marinho e a escassez de pescado o que afeta diretamente a situação econômica das famílias que vivem da pesca artesanal.
Joana Barros fez um passeio sobre as diversas realidades em torno do Brasil fazendo um comparativo com a realidade da RMR e Zona da Mata sul e norte do Estado de Pernambuco. A coordenação dos trabalhos do dia foi feita por: Itanacy Ramos/CMN.
Existem hoje cerca de 70.000 pessoas em SUAPE esses trabalhadores são das cidades do entorno e de outros estados. Nivete Azevedo – CMC.
Nós estamos vendendo nosso Brasil, estamos vendendo nossa terra, vendendo nossas águas e as mulheres são as primeiras a serem atingidas por esse pseudodesenvolvimento. Mª José Pacheco – CPP
Os recursos não estão passando por nenhuma instancia de decisão eles estão descendo direto do ministério para o local e a ordem é assim: CUMPRA-SE. Joana Barros /FASE Nacional.
Encerramos as atividades com a música Fantasia de Chico Buarque.


Estavam representadas no encontro as seguintes organizações: MLBV- Movimento de Lutas Nos Bairros Vilas e Favelas, ACTIONAID, Associação de Mulheres da Água- Preta, CEAS- Rural ,Grupo Vitória – Art. De Mulheres da zona da mata,Sec. da mulher do Estado,FASE, representantes da associação de mulheres pescadoras, Cooperativas de catadores de material reciclável e PRO- Recife.
O evento foi uma realização da FASE em parceria com o convênio Mulheres popular e diversas o convênio é celebrado por três organizações: Casa da Mulher do Nordeste, Centro das Mulheres do Cabo, Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste com apoio AECID e OXFAM/INTERMÓN.
Maiores informações: FASE: www.fase.org.br
CMN:www.casadamulherdonordeste.org.br
CMC: www.mulheresdocabo.org.br
MMTR: mmtrne.org. br/quemsomos.html

REALIZAÇÃO: 

APOIO


* Feministas brasileiras participarão de encontro internacional no Equador!

 MULHERES POPULARES E DIVERSAS REPRESENTAM O BRASIL EM ESCOLA FEMINISTA NO EQUADOR


Entre os dias 26 de agosto e 10 de setembro, 06 mulheres populares representantes de três organizações do nordeste do Brasil se juntam à mulheres latino-americanas do Peru, Colômbia e Equador para participar de mais uma edição da Escola Feminista Regional. Essa atividade que é promovida pelo Convênio Fortalecimento e empoderamento de Mulheres Populares e Diversas para novas cidadanias Colômbia, Equador, Brasil e Peru.

As atividades reforçam as ações formativas da Escola Feminista no Brasil, para Mary Fernandes, representante da Casa da Mulher do Nordeste, “Estar na escola regional em Caruaru ajuda muito a gente a chegar lá, nos dá ânimo para pesquisar, ler e querer saber mais sobre o que acontece com as mulheres aqui e no mundo e a escola no Equador, foi importante porque me fez descobrir depois do meu trabalho de pesquisa que Um grupo pequeno é muito importante e se torna referência para toda a comunidade“. Declarou Mary com entusiasmo.

Durante os quinze dias que estarão na FLASO as seis brasileiras irão trocar experiências e conhecimentos com mulheres do Equador, Peru e Colômbia a formação é resultado de uma iniciativa do Oxfam Intermón em parceria com a Universidade Latino Americana de Ciências Sociais em Quito.

Para Maria Ângela, representante do MMTR ir para escola regional é um desafio, mas, ela recebeu o convite com os olhos brilhando e afirma que vem se preparando para essa atividade antes de chegar o convite, pois já havia participado de outras ações do movimento lá no Equador, mas ir representando o Brasil na perspectiva do aprendizado é diferente. Angela disse: “Já havia ido para lá outra vez, mas não fui preparada com roupas e tal, dessa vez não. Da outra vez eu sentia vontade de sair, passear vestir uma roupa mais leve, mas o frio era muito grande, agora eu já sei (...)Em relação ao conteúdo... Desde o dia que Elizete fez a capacitação sobre patriarcado no feminismo e isso na política eu vi que tem tudo haver e ter ido para a formação em Caruaru me ajudou muito a entender mais ainda sobre o tema. Eu não vou dizer que vim me preparando com pesquisa em slides, revistas na internet, a minha preparação está vindo da prática, então estou aberta para aprender e quando a gente fala assim os olhos ficam brilhando a minha expectativa é essa de ir para aprender, tentar passar a minha prática do dia a dia e o que eu sei, não vou dizer que eu estou preparada, eu estou me preparando.
A Escola Feminista Regional “Poder e participação política das mulheres populares e diversas” para Izabel Santos, do Centro das Mulheres do Cabo e Coordenadora do GT de Participação Política do Convênio a Escola regional é um espaço para a construção coletiva em torno da formação política e do empoderamento das mulheres.
A formação irá abordar quatro módulos com os seguintes temas:

·         Metodologias de Investigação,
·         Ferramentas para a incidência política e tecnologias de aprendizagem;
·         Gênero, cotidiano e poder;
·         Estado, Direitos, participação e política pública;
·         Movimentos sociais, movimento de mulheres e autoria sócio-política das mulheres.  
Irão Do Brasil representantes de comunidades de base da Zona da Mata Sul ( CEAS- RURAL e CMC), Região Metropolitana do Recife ( Rede de mulheres Produtoras – CMN), do Estado de Alagoas, e do estado do Maranhão ( MMTR – Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste).

Maiores informações:



                                                                                                              Por: Domênica Rodrigues

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

* Vereadora é impedida de assumir cargo no Irã por ser 'bonita demais'

Uma jovem candidata a vereadora no interior do Irã foi impedida de assumir o cargo por ser "bonita demais", segundo a imprensa local.
Candidata em Qazvin (norte), Nina Siahkali Moradi, 27, obteve 10 mil votos na eleição ocorrida junto com o pleito presidencial, em junho.
O resultado a colocou na 14ª posição num ranking que qualificava os 13 primeiros entre 163 candidatos.
Com a desistência do primeiro colocado, Moradi entrou na lista dos vencedores. Mas conservadores barraram sua ida à prefeitura.
"Seus votos foram anulados por [causa de] suas credenciais", disse Reza Hossaini, do comitê local de monitoramento de eleições.
"Não queremos uma modelo desfilando na prefeitura", disse um clérigo local.
Seus adversários já a haviam acusado de manter comitê de campanha que atraía comportamentos incompatíveis com valores islâmicos.
Moradi conquistou apoio ao defender direitos da mulher e incentivos culturais.
O incidente contraria esforços do novo presidente iraniano, Hasan Rowhani, que acaba de nomear uma vice-presidente como parte da promessa de promover direitos da mulher.
Reprodução/Al Arabiya
Nina Siakhali Moradi, que foi impedida de assumir seu posto na Câmara de Qazvin
Nina Siakhali Moradi, que foi impedida de assumir seu posto na Câmara de Qazvin

* Mulheres baianas em manifesto hoje, 14 de Julho de 2013! A Luta pelos Direitos continua!

A UNEGRO- União de Negros pela Igualdade completou 25 anos de existência no dia 14 de julho de 2013. 
E para marcar a passagem do seu aniversário realizaremos o IV Seminário O Negro na Educação: Por uma Escola Pública de Qualidade e de Valorização da Diversidade. O evento terá como ponto central o lançamento de uma campanha em defesa do resgate da escola pública, considerando a bandeira dos 10% do PIB e dos Royalties do Pré-Sal para a Educação pública. Para a UNEGRO que, ao lado de outras organizações negras, lutou pela aprovação da Lei 10.639/06, O Estatuto da Igualdade Racial e acompanhou todas as etapas do julgamento das cotas no STF, conquistando o veredicto de aprovação unanime do Sistema de Cotas, é chegada a hora de realizar uma ampla ação em defesa da Escola pública. A UNEGRO entende que, se o Petróleo é nosso, negros e negras também querem parte dessa riqueza para que se construa nesse país um generoso projeto de Educação pública, baseado na qualidade e na diversidade, e com novas fontes de financiamento.

* A luta por Direitos continua: Marcha Mundial das Mulheres!

Programação do 9º Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres

sandra moran
25/08 – Chegada das delegações Apresentação do Encontro para as delegadas internacionais 26/08, às 9:00 - Conferência “A trajetória do feminismo na América Latina” Nalu Faria (Brasil): Coordenadora da SOF – Sempreviva Organização Feminista em São Paulo. Psicóloga com especialização em psicodrama pedagógico e autora de vários artigos sobre movimento de mulheres, feminismo e economia solidária. Desde 2000 […]

Vamos pra rua! Manifestação Feminismo em Marcha para Mudar o Mundo, 31 de agosto, em São Paulo

Manifestação MMM
No dia 31 de agosto, mulheres de todo o mundo estarão nas ruas de São Paulo para reafirmar o feminismo como um projeto para mudar o mundo e nossas vidas! Estamos em marcha para transformar a sociedade! Queremos acabar com o machismo e o capitalismo, que também é racista, lesbofóbico e depredador da natureza. Afirmamos […]

Cultura feminista no Encontro Internacional da MMM: participe!

chamadocultura
Estamos a mil na organização do 9° Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres. A Comissão de Cultura tem trabalhado para elaborar uma proposta artística cultural que lide com a diversidade, que promova reflexões sobre a cultura na nossa prática militante e, ao mesmo tempo, esteja coordenada com os conteúdos debatidos. Para que toda nossa […]

Seis passos para o jornalismo machista

jornalismomachista1
Por: Thandara Santos* Parece só mais uma notícia na coluna de esportes do Uol. Só mais uma página na internet. Só mais uma reportagem sobre esportes radicais. Só mais uma reportagem sobre um torneio de esportes no Mundo.  Só que NÃO é! É, mais uma vez, o machismo nosso de cada dia, que tenta passar […]