quarta-feira, 9 de abril de 2014

* Banco Mundial prevê guerra por comida e água nos próximos anos


agua-ecod.jpg
Efeitos das mudanças climáticas devem agravar a crise do sistema hídrico
Foto: UN Photo/Martine Perret


As batalhas por alimento e água devem eclodir dentro de cinco a dez anos, devido ao efeitos das mudanças climáticas. A projeção do presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, foi feita durante entrevista ao jornal britânico The Guardian.
Ele pediu que ativistas e cientistas trabalhem em conjunto para criar uma solução para este problema global, e usou o exemplo do HIV para demonstrar como a união de esforços pode resultar em soluções mais rápidas e mais eficazes.
A fim de manter o aquecimento global abaixo do limite acordado internacionalmente, de 2 graus Celsius, Kim observou que o mundo precisa de um plano para mostrar que está comprometido com a meta.
Ele delineou quatro áreas em que o Banco Mundial poderia ajudar a combater a mudança climática: investir em cidades mais limpas e sustentáveis, encontrar um preço estável para o carbono, reduzir os subsídios aos combustíveis fósseis e desenvolver uma agricultura mais inteligente e resistente ao clima.
Os comentários de Kim seguem a publicação da segunda parte do quinto relatório do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que advertiu que nenhuma nação ficaria intocada pelo aquecimento global.
O relatório também alertou para os efeitos que as mudanças climáticas teriam sobre os preços dos alimentos, assim como em muitas outras áreas, como recursos hídricos. A produtividade agrícola pode cair 2% por década até o final do século, ao passo que a demanda deverá aumentar 14% até 2050.

* Estudante leva 190 picadas de abelha para saber onde dói mais

Abelha
Estudante se deixou picar 190 vezes para determinar onde a picada dói mais ou menos
Um estudante de PhD britânico se deixou picar por abelhas 190 vezes, como parte de um experimento para determinar em que parte do corpo a dor é mais forte.
Smith vinha estudando abelhas na universidade quando uma entrou por sua roupa de baixo e o picou em uma parte delicada do corpo.

A intenção, conta Michael L. Smith, da conceituada Cornell University, do Estado americano de Nova York, "era fazer uma pergunta bem básica, a parte do seu corpo em que você é picado influi o quanto de dor você vai sentir? A resposta é definitivamente sim".O aluno de PhD resolveu transformar a dor em algo mais produtivo e fez de si mesmo uma espécie de rato de laboratório para o seu experimento.
Em entrevista à radio 5 Live, da BBC, Smith contou ter escolhido 25 partes de seu corpo e deixou que as abelhas o picassem nestas partes.

Onde dói mais?

Apesar de ter se sujeitado a picadas até mesmo em suas partes íntimas, ele afirmou que a área mais sensível de todas foi a narina, em particular a parte interna do nariz. Em segundo, ele listou o lábio superior e, em terceiro, o corpo do pênis.

Estudante criou mapa com pontos e fez um ranking para a dor
A pesquisa exigiu não apenas empenho, mas também muita coragem. "Eu pegava a abelha pelas asas e a colocava no local que precisava ser picado. E em segundos, você sentia a picada. Não é necessário aplicar ciência complexa para que uma abelha pique você, elas o fazem quando provocadas."
De acordo com a pesquisa, as partes menos dolorosas foram o crânio, a ponta do dedão do pé e a parte superior do braço.
A dor sentida foi classificada segundo uma escala que ia de 1 a 10.
Na eventualidade de algum amador excêntrico querer repetir o experimento de Smith, ele adverte:

"Quando você é picado na narina, todo o seu corpo reage...Eu não recomendaria."

* Açúcar e demência

Altos níveis de glicose no sangue aumentam o envelhecimento do cérebro e o risco de doenças, aponta estudo
saúde
A pesquisa mostrou que um maior índice de glicose no sangue pode indicar maior chance de demência

O envelhecimento da população transformou as demências em problema de saúde pública. As epidemias mundiais de obesidade e diabetes parecem aumentar a incidência de algumas formas de demência, embora os resultados dos estudos sejam muitas vezes controversos.
A relação entre as taxas de açúcar no sangue e o risco de desenvolver demência foi explorada num trabalho conjunto realizado nas Universidades de Washington e Harvard.
Pelo número de pessoas acompanhadas, a metodologia científica criteriosamente selecionada e a publicação em revista de grande impacto (The New England Journal of Medicine), essa pesquisa tem tido grande repercussão na literatura.
O estudo envolveu 1.228 mulheres e 839 homens com 65 anos de idade ou mais (média: 76 anos), sem sinais de demência, que faziam parte de uma coorte seguida pelo Adult Changes in Thought (ACT), no estado de Washington.
Os participantes retornavam a cada dois anos para testes de avaliação das habilidades cognitivas. Se o resultado mostrasse algum déficit, eram encaminhados para uma bateria de exames clínicos, laboratoriais e neuropsicológicos para afastar ou confirmar o diagnóstico de Alzheimer ou outro quadro demencial.
Os níveis de glicose no sangue foram recolhidos das sucessivas dosagens de glicemia e de hemoglobina glicada, realizadas pelos participantes a partir de 1988. As médias desses valores nos últimos cinco anos foram comparadas com as de períodos anteriores.
Para afastar a ingerência de outros fatores sabidamente envolvidos no risco de desenvolver demência, o grupo foi estratificado de acordo com a prática de atividade física, nível educacional, fumo, doença coronariana, doenças cerebrovasculares e hipertensão.
Nos cinco anos que precederam a avaliação, a média da glicemia de jejum dos participantes sem diabetes foi de 101 mg/dL, número que aumentou para 175 nos portadores de diabetes.
Em 6,8 anos – período médio de acompanhamento – ocorreram 524 casos de demência (25,4%), assim distribuídos: 450 entre os 1.724 sem diabetes (26,1%) e 74 entre os diabéticos (21,6%).
Entre os participantes sem diabetes o risco de demência aumentou à medida que os níveis de glicose no sangue aumentaram: entre aqueles com glicemia de jejum de 115 mg/dL houve 18% mais demências do que naqueles com glicemia igual a 100.
Entre os diabéticos, quanto mais alta a glicemia maior o número de demências. Aumentar a glicemia de 160 para 190 mg/dL fez aumentar 40% no risco de demência.
A conclusão dos autores é enfática: “Nesse estudo prospectivo, realizado na comunidade, verificamos que níveis mais altos de glicose estão associados a aumento do risco de demência, em populações com ou sem diabetes. Os dados sugerem que níveis mais elevados de glicose podem ter efeitos deletérios no cérebro que envelhece”.
Fartura à mesa, vida sedentária, obesidade, hipertensão arterial, diabetes, demência na velhice, será esse o destino implacável de nossa espécie?

terça-feira, 8 de abril de 2014

* protesto contra cessão da Fábrica Tacaruna para o setor privado

Ação deverá acontecer às 12h da próxima sexta-feira (11) na praça da Independência, Recife.


Arthur Mota, da Folha de Pernambuco

Fábrica Tacaruna, que está inativa há 21 anos, deverá abrigar centro de pesquisa e desenvolvimento automotivo
Às 12h da próxima sexta-feira (11), a praça da Independência, situada no centro do Recife, deverá ser palco de um protesto contra a cessão, por parte do Governo do Estado, das estruturas da antiga Fábrica Tacaruna, situada na Av. Agamenon Magalhães, para a empresa Fiat, que obteve autorização para desenvolver um centro de pesquisa próprio no local. Desde o último dia 5 deste mês, internautas recifenses vêm se mobilizando através da rede social Facebook para organizar um ato contrário a cessão, que consideram como integrante de um processo de “privatização de espaços públicos”.
Até esta segunda-feira (7), mais de oito mil pessoas já haviam sido convidadas para integrar o evento, que tem como objetivo não só questionar a cessão da antiga Fábrica Tacaruna para a empresa privada, mas também manifestar repúdio contra “o desprezo às demandas sociais das famílias removidas pelas obras da Copa do Mundo” e a destinação de áreas de paisagem próximas de locais em que há contato com vistas marítimas e remanescentes de paisagem natural para grupos privados.
Dos pouco mais de oito mil convidados, aproximadamente 600 pessoas já confirmaram presença no evento. Entre os perfis virtuais que manifestaram apoio ao protesto estão o de representantes da cena cultural pernambucana, como o do cineasta Beto Normal, e o de comunidades da cidade, entre elas o bairro do Coque.
Dentre os questionamentos levantados na página virtual do protesto, o mais reproduzido entre os que confirmaram presença na ação é o motivo pelo qual o Governo do Estado, que segundo os participantes da página teria recebido uma verba de R$ 45 milhões de reais em 2009 para transformar o espaço da antiga Fábrica Tacaruna em um centro cultural, teria mudado de ideia e doado o espaço para a empresa Fiat.
“A regra de ouro das aprovações dos empreendimentos de impacto no Conselho de Desenvolvimento Urbano (CDU): (A) É empreendimento do setor privado? Aprovado. (B) É para a preservação da memória urbana do Recife? Rejeitado”, comentou na página do evento Edinéa Alcântara, uma das usuárias do Facebook que confirmou presença na ação.
Para o protesto da próxima sexta-feira (11), os internautas prometem fazer barulho com batuques na praça da Independência e levar fitas e tintas para confeccionar cartazes. A demolição ou não do edifício Caiçara, situado no bairro de Boa Viagem, e o empreendimento Novo Recife, que visa construir torres na área do cais José Estelita, também serão alvo de protesto por parte dos manifestantes.
Decisão:
Na última terça-feira (3), o Governo do Estado pactuou, em conjunto com a Prefeitura do Recife, a Fiat Chrysle e o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), a destinação do espaço da antiga Fábrica Tacaruna para a instalação de um Centro de Pesquisa, Desenvolvimento, Inovação e Engenharia Automotiva da Fiat. Na ocasião, o Governo do Estado afirmou que a ação tinha o intuito de auxiliar no desenvolvimento tecnológico de Pernambuco e no desenvolvimento industrial da economia.
A Fábrica Tacaruna está inativa há 21 anos e é tombada como patrimônio histórico estadual.

* Movimentos sociais reforçam necessidade da presença de defensores nas manifestações populares

unnamed (1)Fonte: Ascom ANADEP Estado: DF
Representantes de movimentos da sociedade civil organizada, reunidos na manhã de ontem (7), durante o primeiro turno da Assembleia Geral da ANADEP promovida na Faculdade de Direito da UnB, em Brasília, reforçaram a importância da presença de defensores públicos nas manifestações populares. Manifestaram-se, ainda, no sentido de que é necessária a busca de soluções coletivas, reconhecendo o número reduzido de agentes no país e a estrutura deficitária da Defensoria no Brasil. O encontro, que contou com a presença de defensores de diversas regiões do país, representantes do Governo Federal, judiciário, Ministério Público Federal, organizações voltadas à garantia dos direitos humanos, entre outros, prossegue à tarde, e encerra com a retirada de uma orientação conjunta para atuação unificada dos defensores em todo o território nacional, frente às manifestações populares que se avizinham, com a proximidade dos jogos da copa.
Ao abrir o encontro, a presidente da ANADEP, Patrícia Kettermann, agradeceu a presença de todos. “Esta escuta, esta troca democrática é essencial para a Defensoria Pública. Nossa meta é cada vez mais fazer com e não fazer para. Queremos ouvir o que os atores da sociedade esperam da Instituição, para podermos efetivamente garantir aquilo que a sociedade brasileira espera”, pontuou.
O diretor e ex-presidente da Associação, André Castro, coordenou a primeira roda de debates, voltada à escuta dos movimentos sociais, convidando a todos, inicialmente, a responder um questionário com as principais preocupações e dilemas com relação às manifestações populares, além de intermediar os diálogos. Um dos primeiros a fazer uso da palavra foi o representante da rede Observatório das Metrópoles, Rômulo Ribeiro. O organismo tem uma pesquisa em rede específica com relação à copa e seu impacto nas cidades-sede, basicamente contemplando quatro eixos: segurança, moradia e mobilidade meio ambiente e governança.  “O que se percebe é a desinformação sobre as ações a serem tomadas, justamente para desmobilizar a articulação popular. Há um processo de mercantilização e elitização das cidades. E o que chama a atenção sobre a copa já começa pelo nome. É um evento da Fifa, e não do povo, temos percebido isso, inclusive pelo nome”, afirmou.
ATUAÇÃO POSITIVA
Defensores públicos do Distrito Federal trouxeram o exemplo da atuação da categoria em Brasília, durante as últimas manifestações, criando uma cartilha com os direitos do manifestantes, indo ao centro de movimento. “É um desejo nosso de comunicar com o Estado, e surgiu a ideia de criarmos um grupo na associação, e elaboramos esta cartilha, disponibilizando um telefone, para que soubéssemos as dificuldades dos palestrantes Foi uma experiencia muito rica, tivemos relatos importantes, de como era a relação dos manifestantes com a polícia, e isso abriu um espaço importante, conseguimos evitar atritos importantes”, relatou o defensor Alexandre Braúna.
O juiz de direito, membro da Associação Juízes para a Democracia, Rubens Casara, classificou os movimentos sociais da forma como foram desencadeados um fenômeno novo, ao qual todas as instituições estão se adequando. E pontuou a diferença entre multidão e massa. “O que caracteriza multidão é o desejo de democracia. Manifestações marcadas com o desejo de democracia. E qual seria o papel da Defensoria participando dessas manifestações? Fazer uma mediação com as instituições. Me assusta um pouco a Defensoria participando unicamente na responsabilização daqueles que atuam contra a liberdade. Acho que a Defensoria é das instituições de estado a única que tem o perfil de alimentar a discussão entre instituições”, ponderou.
Ana Virginia Ferreira, presidente do colégio de ouvidorias das Defensorias Públicas, tem uma visão distinta com relação ao ineditismo dos movimentos.  “Dentro deste cenário penso que o papel da Defensoria deve ser atuar pela garantia dos direitos, não apenas na garantia da justiça, mas direitos sociais e direitos políticos. Essas manifestações acontecem justamente porque esses direitos estão sendo negados. Discordo que seja um fenômeno novo; os movimentos sociais tem um histórico de atuação. Dizer que isso é um fenômeno novo é negar o papel histórico dos movimentos. Infelizmente esses movimentos não tiveram o direcionamento das manifestações de massa”, completou. Ela aponta ainda a necessidade de uma maior compreensão dos Defensores Públicos com relação a sua atuação social.  “Seria importante a sensibilização dos defensores como um todo. Há os que lutam e há os que não estão dando a devida importância, sem atuar como agente político, estão ali apenas para fazer seu trabalho e voltar para sua casa. Seria ideal a sensibilização dos defensores como um todo. A Defensoria poderia ser vanguardista neste sentido”, finalizou.
GOVERNO E MOVIMENTOS SOCIAIS
Representante do governo federal no encontro, o secretário para Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Marivaldo Pereira, falou um pouco sobre a visão do Executivo sobre as mobilizações. Destacou a criação de um protocolo padrão de atuação das polícias, prevendo o uso proporcional da força, obrigatoriedade de identificação, diálogo para solução de conflitos. Também enfatizou a necessidade de haver  uma previsão de linhas de atuação da polícia. “Precisamos prever os dois lados. Proteção à atuação de jornalistas e advogados. Para, se acaso criarmos algo, que isso que não vá pelo caminho da mera tipificação de terrorismo. O MJ tem que atuar no sentido de garantir a segurança em grandes eventos. Ao governo se atribui todos os males e violências cometidas nas manifestações”,  relatou, garantindo que o único ponto possível de avaliação, por parte do governo, dos 17 projetos que foram apresentados com relação às manifestações populares, se refere ao crime de dano.
Pareira propôs ainda uma reflexão também sobre a afirmação de que a copa retiraria dinheiro da saúde e educação. “Esses recursos vem aumentando, sem qualquer interrupção”, disse. Afirmação à qual Larissa da Silva Araújo, representante do Comitê Popular da Copa no DF, estabeleceu um contraponto. “Quando o secretário diz que não houve desvio de dinheiro da saúde e educação isso é metafórico. Porque indiretamente sim. Quando não há orçamento para combate de violações ao direito de crianças e adolescentes durante a copa temos um exemplo disso. É importante, portanto, o posicionamento da Defensoria,  que é um dos mais contundentes canais de interlocução com a esfera pública, um dos principais canais com a institucionalidade”, definiu.
Confira a seguir algumas de outras importantes falas registradas ainda durante a manhã:
Marcelo Semer – Magistrado integrantes da Associação Juízes para a Democracia
“A Defensoria Pública tem um caráter anfíbio: atua como importante instrumento do sistema de justiça, mas também tem um papel fundamental no diálogo com a sociedade civil. A Defensoria é do povo. Em relação à manifestação popular, acho que o defensor tem que estar presente, pois ele será essencial na proteção à vítima; para diminuir e coibir a violência policial.”
Eduardo Cavalieri – Defensor público Minas Gerais
“Me preocupa quando se fala nesta questão de que a defensoria Pública precisa se apropriar de bandeiras, porque nossa bandeira deve e precisa ser o empoderamento da sociedade civil organizada. Estar presente nas manifestações populares para garantir o direito a voz do cidadão, esta deve ser a nossa bandeira. Se adotarmos qualquer outra, perdemos o posto de mediadores”.
Adriano Campos – Defensor público Maranhão
“Só com a presença da Defensoria já há uma modificação da conduta policial. A presença pura e simples, não estavam lá institucionalmente. As defensorias presentes nas manifestações ostensivamente como forma de coibir de imediato, Não no sentido de responsabilizar criminalmente, mas no sentido de servir como um colchão, de amortecer, frear este impacto. A grade solução que a DP traz para os problemas sociais no Brasil é a educação em direitos. Essas manifestações foram quase instintivas, quase como um empurrão. As manifestações estão vindo, e virão de uma forma avassaladora. E se a DP não se organizar podemos ter aí um recrudescimento, algo mais violento.”
Erika Lula de Medeiros – Terra de Direitos
“Seria importante que os defensores procurassem os grupos com pautas já definidas. Um pouco da demanda das cidades sedes pode vir destes grupos.”
Arilson Malaquias – Defensor Piauí
“Precisamos ter o cuidado para uso da linguagem para não retirar os defensores do papel de intermediação e interlocução junto ao Estado. Devemos trabalhar também no sentido preventivo no sentido de minimizar os exageros, de ambas as partes, inclusive. Dialogar com os movimentos e também como  Estado, de como enfrentar esta questão. Próximo que é dos movimentos sociais, o papel da defensoria é de colaborar para que haja respostas positivas à sociedade.”
Antonio Escrivão – Articulação Justiça e Direitos Humanos
“O Recrudescimento aumenta a necessidade da Defensoria Pública e da advocacia. Acontece que nestas posições de diálogo e atuação conjunta vimos um processo de criminalização dos advogados populares. Está sendo fomentado um plebiscito popular por uma nova Constituinte, coisa que os juristas tem muita dificuldade de lidar. Mas a questão é fazer o debate. Um plebiscito puxado pelo s movimentos sociais populares, centrais sindicais e partidos de esquerda. Convido a todos a abrir os olhos e não ceder à primeira perspectiva jurídica de negar o tema.”

* Experiência para tentar reverter o aquecimento global pode resultar em catástrofe

Empresário norte-americano decide jogar 100 toneladas de sulfato de ferro no Oceano Pacífico e provoca o surgimento de uma mancha de fitoplâncton com 10 mil km²




O aquecimento global é causado pelo excesso de CO2 na atmosfera. Parte desse gás é absorvido pelo fitoplâncton, um conjunto de plantas e algas que vive no mar e faz fotossíntese, ou seja, se alimenta de CO2 e luz. Se você aumentar a quantidade de fitoplâncton nos oceanos, em tese ele irá sugar mais CO2 e ajudará a combater o aquecimento global. O empresário americano Russ George resolveu testar essa ideia por conta própria: e jogou 100 toneladas de sulfato de ferro no Oceano Pacífico.As algas adoram ferro (porque ele é necessário à fotossíntese), e a ação provocou o surgimento de uma mancha de fitoplâncton com 10 mil km² - seis vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Mas isso gerou protestos na comunidade científica. Tudo porque o supercrescimento de algas pode afetar o ecossistema marinho, levando à extinção de espécies, e gerar efeito oposto ao planejado.
"Se você ficar jogando ferro no mar, pode haver desequilíbrios com outros elementos. E essas microalgas podem liberar dimetil sulfeto e outros aerossóis que podem contribuir para o aquecimento global", diz Frederico Brandini, do Instituto de Oceanografia da USP. Por tudo isso, e como a técnica viola uma convenção de biossegurança da ONU, alguns pesquisadores classificaram a ação de Russ George como um ato de terrorismo ambiental. Procurado pela SUPER, ele não quis dar entrevista. Apenas enviou uma nota dizendo que a ação é "segura" e "a imprensa internacional é muito ignorante".

* Contra veneno de cobra

Poderoso antídoto para lesões causadas pela mordida de algumas serpentes do Centro-oeste brasileiro é encontrado na casca do ipê-amarelo nativo do Pantanal. A descoberta confirma uma antiga tradição do interior.
Por: Henrique Kugler
Contra veneno de cobra
A temida jararaca (‘Bothrops jararaca’) habita uma área que vai da Bahia até o Rio Grande do Sul, chegando também ao Paraguai e à Argentina. (foto: Fernando Tatagiba/ Wikimedia Commons – CC BY 3.0)
Jararaca (Bothrops jararaca), boca-de-sapo (Bothrops neuwiedi) e caiçaca (Bothrops moojeni) são temidas serpentes do centro-oeste brasileiro. Venenosas, suas mordidas podem arruinar muitas vidas. Ainda que nem sempre levem um ser humano à morte, costumam causar graves estragos no corpo das vítimas – severas inflamações, edemas, hemorragias... E até necrose dos tecidos no local onde foi inoculado o veneno. Não são raros os casos de amputação decorrentes desses impiedosos ataques.
Mas já dizia uma música do violeiro paulista Renato Teixeira: “As plantinhas do mato / Curam caxumba / Quebranto e lumbago / Veneno de cobra / Bronquite, pigarro”.
Parece ser esse o caso. Estudos da farmacologista Mônica Kadri, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), confirmaram que uma ‘plantinha’ guarda poderoso antídoto contra lesões causadas pelo veneno de algumas serpentes. Estamos falando do ipê-amarelo (Tabebuia aurea) nativo do Pantanal.
Ipê-amarelo
O ipê-amarelo (‘Tabebuia aurea’) é encontrado em diversas regiões do Brasil. Mas, até onde se sabe, é somente nos espécimes do Pantanal que existe o antídoto para o veneno de serpentes. (foto: Wikimedia Commons/ J.M.Garg – CC BY 3.0)
O segredo já é velho conhecido dos pantaneiros. Para amenizar os efeitos da mordida das temíveis cobras da região, eles usam há gerações a casca desse tipo de ipê.
“Na região do Pantanal, antes de sair para o campo a trabalho, muitos ribeirinhos mascam a casca do ipê-amarelo, tomam infusões feitas com ela ou fazem garrafadas com a planta”, conta a pesquisadora da UFMS.
Para a ‘garrafada’, eles pegam a casca da árvore e colocam-na em uma solução alcoólica – que muitas vezes é pinga. Ingerida a poção, estarão prontos para enfrentar o dia. “Assim, se a cobra picar, o estrago não é tão grande”, garantem os pantaneiros.

A ciência e a tradição pantaneira

Diante dos relatos, a equipe da UFMS resolveu testar a premissa. “Após três anos de testes laboratoriais com camundongos, confirmamos que o extrato da casca do ipê-amarelo do Pantanal tem, de fato, propriedades anti-inflamatórias e cicatrizantes contra o veneno de serpentes como a jararaca, a boca-de-sapo e a caiçaca”, diz Kadri, que não analisou ipês de outras regiões. “Os resultados foram muito promissores.”
O antídoto do ipê-amarelo não substitui o tratamento convencional à base de soro antiofídico
Testes apontaram para uma melhora significativa dos animais tratados com o composto. “Notamos diminuição dos quadros de inflamação, edema e hemorragia”, conta a pesquisadora. Segundo ela, substâncias da classe química dos iridoides são as prováveis responsáveis pelo poder do antídoto. “Devemos agora fazer ensaios com o produto isolado.”
Mas o antídoto do ipê-amarelo não substitui o tratamento convencional à base de soro antiofídico. “Uma mordida de jararaca pode matar não porque lesiona os tecidos do local atingido; mas sim porque seu veneno é hipotensor, isto é, pode levar a pressão sanguínea da vítima a zero”, explica Kadri. O soro evita esse quadro. Mas não impede lesão nos tecidos – efeito que pode ser diminuído pelo antídoto do ipê-amarelo. É o antídoto que poderá evitar, por exemplo, a amputação de um membro.
Cobra boca-de-sapo
Cobra boca-de-sapo (‘Bothrops neuwiedi’). As serpentes do gênero ‘Bothrops’ são responsáveis por mais de 80% dos casos de acidentes ofídicos no Brasil. (foto: Wikimedia Commons/ Daderot – CC0 1.0)
O processo de extração do antídoto já está sendo patenteado. Mas ainda não há previsões para comercialização do produto. Em geral, pesquisas desse tipo levam no mínimo uma década – é o tempo necessário para que pesquisadores realizem testes de toxicologia, por exemplo, exigidos antes que a substância possa ser testada em humanos.
O grupo da UFMS dedicará os próximos três anos de trabalho à detecção de possíveis efeitos tóxicos do antídoto para o organismo. No melhor dos cenários, testes clínicos deverão ser iniciados a partir de 2017.

Cuidado com a cobra

No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, as serpentes do gênero Bothrops são responsáveis por mais de 80% dos acidentes ofídicos – ou, em linguagem popular, mordidas de cobra. A maioria dos casos é registrada em estados do Centro-oeste.
Acidentes em áreas rurais são bastante comuns. Mas em áreas urbanas eles têm se tornado cada vez mais frequentes também. Com a redução da área dos ecossistemas naturais que abrigam as cobras, elas acabam buscando outros lugares para viver e vão parar nas cidades – onde a abundância de ratos, por exemplo, é um prato cheio para garantir sua sobrevivência.