domingo, 23 de março de 2014

* Entrevista com o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola


O BRASIL INTEIRO DEVERIA LER ESTA ENTREVISTA
Entrevista com o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, ao jornal O Globo.
Estamos todos no inferno. Não há solução, pois não conhecemos nem o problema

O GLOBO: Você é do PCC?
- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível… vocês nunca me olharam durante décadas… E antigamente era mole resolver o problema da miséria… O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias… A solução é que nunca vinha… Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a “beleza dos morros ao amanhecer”, essas coisas… Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo… Nós somos o início tardio de vossa consciência social… Viu? Sou culto… Leio Dante na prisão…
O GLOBO: – Mas… a solução seria…
- Solução? Não há mais solução, cara… A própria idéia de “solução” já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma “tirania esclarecida”, que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC…) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios…). E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.
O GLOBO: – Você não têm medo de morrer?
- Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar… mas eu posso mandar matar vocês lá fora…. Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba… Estamos no centro do Insolúvel, mesmo… Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração… A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala… Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em “seja marginal, seja herói”? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha… Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante… mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem.Vocês não ouvem as gravações feitas “com autorização da Justiça”? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.
O GLOBO: – O que mudou nas periferias?
- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório… Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no “microondas”… ha, ha… Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.
O GLOBO: – Mas o que devemos fazer?
- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas… O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, “Sobre a guerra”. Não há perspectiva de êxito… Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas… A gente já tem até foguete anti-tanques… Se bobear, vão rolar uns Stingers aí… Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas… Aliás, a gente acaba arranjando também “umazinha”, daquelas bombas sujas mesmo. Já pensou? Ipanema radioativa?
O GLOBO: – Mas… não haveria solução?
- Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a “normalidade”. Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco…na boa… na moral… Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês… não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: “Lasciate ogna speranza voi cheentrate!” Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno.

* HOMENAGEM À PRIMEIRA PRESA POLÍTICA DO BRASIL!


PARA QUEM NÃO SABE ESSA FOI A PRIMEIRA PRESA POLITICA DO BRASIL, SOFREU TODA ESPECIE DE TORTURA ,MAS NÃO DESISTIU NUNCA DA LUTA.

Bárbara Pereira de Alencar (Exu, 11 de fevereiro de 1760 — Fronteiras, 18 de agosto de 1832), foi uma revolucionária da Revolução Pernambucana de 1817 e da Confederação do Equador. 
Mãe de José Martiniano Pereira de Alencar, Tristão Gonçalves e Carlos José dos Santos também revolucionários.
Era avó do escritor José de Alencar.
Uma das primeiras mulheres a envolver-se em política, foi presa em Fortaleza em 1817 por participar de movimentos em prol da Independência do Brasil e por tentar livrar da prisão um irmão e três filhos (dois deles morreram fuzilados).
Foi encarcerada no Recife e em Salvador, e sofreu toda sorte de humilhações na prisão, sendo solta em 1821 por ocasião da Anistia Geral.
Participou ativamente da Revolução Pernambucana e da Confederação do Equador, duas das maiores e mais destacadas revoluções em prol da libertação do Brasil.
É considerada a primeira presa política do Brasil.
A heroína republicana nasceu na fazenda Caiçara de propriedade de seu avó Leonel Alencar Rego, patriarca da família Alencar. Adolescente, Bárbara mudou-se para a então vila do Crato, no Ceará, e casou com o comerciante português, José Gonçalves do Santos.
Morreu depois de várias peregrinações em fuga da perseguição política em 1832 na cidade piauiense de Fronteiras, mas foi sepultada em Campos Sales, no Ceará.
Seu túmulo está em processo de tombamento.

* Cenas do caos no trânsito das ruas dos Palmares - PE


Calçada é lugar para estacionamento, e numa esquina? Onde a fiscalização e ação policial repressiva? Nesta calçada tem uma canalização de esgoto e já afundou várias vezes por motivos de motoristas que teimaram estacionar deste jeito...


Faixas de pedestres: um Direito dos Cidadãos e um dever do Governo. 
Ora, acender a pintura das faixas de pedestres não geram grandes despesas à prefeitura!
Há muito tempo vemos desleixos aos cuidados de renovar pinturas das faixas de pedestres nas ruas dos Palmares (PE). 
Os meses se passam e as faixas de pedestres sempre apagadas...
Fácil criticar quando se faz oposição, mas ao chegar ao poder o circulo vicioso continua!
Os transeuntes precisam de RESPEITO!


Quando o sinal de trânsito abre para pedestres, há motoristas que param automóveis e motos sobre faixas de pedestres! Falta Educação no Trânsito!

Estamos de OLHO aberto!

sábado, 22 de março de 2014

* Dia internacional da Água: Água fonte de vida ou de lucro?



Neste dia mundial da água, convém fazermos pequena reflexão sobre o que ela significa e as ameaças que pesam sobre esse bem tão vital. Pois a questão da água potável constitui um dos maiores problemas da humanidade, tão grave quanto o aquecimento global. Consideremos  os dados básicos acerca da água. Ela é extremamente abundante e simultaneamente extremamente escassa.
      Existe cerca de um bilhão e 360 milhões de km cúbicos de água na Terra. Se tomarmos toda essa água que está nos aceanos, lagos, rios, aquíferos e calotas polares e distribuissemos equitativamente sobre a superfície terrestre, toda a Terra ficaria mergulhada na água a três km de profundidade. 97% é água salgada e  3% é água doce. Mas somente 0,7% desta é diretamente acessível ao uso humano.
      A renovação das águas é da ordem de 43 mil km cúbicos/ano, enquanto o consumo total é estimado em 6 mil km cúbicos/ano. Há, portanto, superabundância de água mas desigualmente distribuída: 60%  se encontra em apenas 9 países, enquanto 80 outros enfrentam escassez. Pouco menos de um bilhão de pessoas consome 86% da água existente enquanto para 1,4 bilhões é ela insuficiente (em 2020 serão três bilhões) e para dois bilhões, não é tratada, o que gera 85% das doenças constatáveis.. Presume-se que em 2032 cerca de 5 bilhões de pessoas serão afetadas pela crise de água.
     O problema não é a escassez de água mas sua má gestão para atender as demandas humanas e dos outros seres vivos da natureza.

          O Brasil é a potência natural das águas, com 13% de toda água doce do Planeta perfazendo 5,4 trilhões de metros cúbicos. Apesar da abundância, 46% dela é desperdiçada, o que daria para abastecer toda a França,  a Bélgica, a Suíça e o Norte da Itália.

Por ser um bem cada vez mais raro, ela é objeto da cobiça daqueles que querem fazer dinheiro com ela. Por isso nota-se uma corrida mundial para a privatização da água. E então surge o dilema:
água é fonte de vida ou fonte de lucro? É um bem natural, vital e insubstituível ou um bem econômico e uma mercadoria?
       Os que apenas visam lucro, tratam a água como mercadoria e no máximo como recurso hídrico. Os que dão centralidade à vida, como a maior criação do universo e o supremo dom de Deus, a vêem como bem essencial aos seres humanos e a todos os organismos vivos.
    O direito sagrado à vida implica o direito à água potável gratuita. Mas pelo fato de haver custos na sua captação, no seu tratamento, distribuição, uso e reuso existe inegável dimensão econômica. Mas isso não justifica que ela se transforme em fonte de lucro. Os custos não podem invalidar o direito. Os custos devem ser cobertos pelo poder público e pela a sociedade com fundos destinados ao acesso universal de água doce.
   Há de se questionar a expressão “água como recurso hídrico”. Ela, propriamente, não érecurso. É patrimônio natural que herdamos e que devemos preservar para todos os seres vivos atuais e futuros. Água é vida. Por isso os cientistas buscam água em Marte, porque sabem, se existe água lá, estão dadas todas as condições para a vida, por mais rudimentar que seja.
       Quando falamos em água como vida ressoam em nós outros valores como vida, fecundidade, purificação, renascimento. Todos estes temas estão presentes nas religiões que transformaram a água num dos símbolos fundamentais de Deus,  e nós cristãos de Cristo e da vida eterna.
       A água tem imenso valor mas não tem preço. Para garantir água para todos faz-se mister uma ética do cuidado de suas fontes, das matas ciliares junto aos rios e de sua purificação. Por ser desigualmente distribuida na natureza, o direito  de todos à água demanda uma ética da solidariedade na sua distribuição. E para que não haja  disperdício precisamos de uma ética da responsabilidade; o que jogamos fora fará falta a outros.
       Se houver cuidado, solidariedade e responsabilidade a Terra será generosa e garantirá água abundante para todos e de qualidade.


*Leonardo Boff é filósofo e teólogo, escritor, assessor do projeto Cultivando Agua Boa da Itaipu Binacional  e um dos co-redatores da Carta da Terra

* Barragem de Serro Azul dia 21 de Março de 2014

Dia 21 de Março de 2014 nossa reportagem acompanhou uma equipe de vistoria à Barragem de Serro Azul, no Distrito de Serro Azul, Município dos Palmares - PE.
Filmamos e fotografamos o empreendimento gigantesco do Governo do Estado de Pernambuco e fizemos entrevistas com representantes de uma Comissão da Sociedade Civil Organizada dos Palmares. O Presidente José Jorge da Silva publicou a seguinte explicação no Facebook: 
"A sociedade Civil Organizada de Palmares, constituída pelas entidades: Sindicato do Comércio Varejista do Estado de Pernambuco (SINCOMATA); Câmara de Dirigentes Lojistas dos Palmares (CDL-PALMARES); Associação Comercial e Empresarial dos Palmares (ACP); Rotary Clube dos Palmares, Lions Clube dos Palmares, Loja Moçônica Fraternidade Palmarense, Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Palmares – OAB, Igreja Católica e Igreja Evangélica, entregaram na última SEGUNDA-FEIRA DIA 17 DE MARÇO, um abaixo assinado ao Dr. Eduardo Leal dos Santos, Promotor de Justiça da Cidadania e Meio Ambiente da Comarca de Palmares, solicitando do mesmo uma vistoria pelo Ministério Público nas obras da barragem da Usina Serro Azul, em virtude daquela construção não está cumprindo com o que foi prometido a população da Mata Sul de Pernambuco, que seria Construído UM QUILOMETRO DE PAREDÃO DE CONCRETO POR 68 ( SESSENTA OITO) METROS DE ALTURA, porém o que estamos presenciando é uma Construção de 300 ( TREZENTOS METROS ) DE PAREDÃO DE CONCRETO E O RESTANTE 700 ( SETECENTOS) METROS, estão sendo construindo de Barro. O que a sociedade organizada de Palmares esta querendo é um laudo técnico sobre a segurança desses 700 ( setecentos ) metros de barros, inclusive solicitamos do Promotor que essa vistoria não seja realizada pelo órgão Governo do Estado e sim pelo órgão independente como; Universidade Federal, CREA ou outro órgão, deste que não seja do Governo Estadual, porque dele nós já sabemos a resposta."

Os elaboradores do Projeto da Barragem de Serro Azul previram que o volume total de águas a ser represadas no lago que será formado após concluído o paredão, será de 500 milhões de metros cúbicos de água. Será que o paredão de barro aguentaria a pressão de toda essa água?

E há informações sobre comentários provindos da empreiteira sobre a garantia da obra: dizem que após terminada, a Barragem de Serro Azul terá garantia de apenas 5 anos! (veja no vídeo abaixo o relato do Vereador Wilson Monteiro que aborda esse assunto). 


Veja o vídeo da entrevista com Sr. José Jorge da Silva, Presidente da Comissão da Sociedade Civil Organizada dos Palmares:




O Padre Josias se expressou representando os anseios da Igreja Católica - Diocese dos Palmares:



O artista, empresário e Vereador Wilson Monteiro relatou como acompanha o sofrimento dos moradores do Distrito de Serro Azul e seus esforços para sanar os problemas provocados pela construção da Barragem:




Registramos em vídeo e fotos a situação atual da Barragem de Serro Azul:




Essa é a largura do paredão da Barragem de Serro Azul. Vemos ao fundo a parte de concreto e daquele lugar até ao morro de onde de cima filmamos e fotografamos será a parte de barro que corresponde a 70% do paredão. Tivemos informações que a parte de barro será mais larga que a parte de concreto, como a foto mostra.

Barragem de Serro Azul: na base da parte de barro há cascalhos, pedregulhos. Esta foto é do lado onde fica a foz do Rio Camevou. Do outro lado tem mais cascalhos.
As chuvas desta semana provocaram erosões no paredão de barro da Barragem de Serro Azul.
As chuvas desta semana provocaram erosões no paredão de barro da Barragem de Serro Azul.

As chuvas desta semana provocaram erosões no paredão de barro da Barragem de Serro Azul.

As chuvas desta semana provocaram erosões no paredão de barro da Barragem de Serro Azul.
Veja mais reportagens sobre a Barragem de Serro Azul, no Distrito de Serro Azul, em Palmares - PE, que nossa reportagem acompanha desde 2011:

* Governo do Estado de Pernambuco enviou Batalhão de Choque da PMPE contra pacíficos manifestantes em Serro Azul

Protesto paralizam obras da Barragem de Serro Azul e bloqueiam rodovia PE 103.


sexta-feira, 21 de março de 2014

* O perigo por trás do pão francês e da batata frita...


Um novo teste chegou a conclusões nada animadoras para quem não abre mão de um pão francês moreninho no café ou de uma generosa porção de batata frita no almoço. A Proteste (Associação de Consumidores) constatou os altos níveis de acrilamida - substância química formada durante o aquecimento de alimentos ricos em carboidratos a temperaturas acimas de 120°C - que esses produtos podem oferecer.
Classificada como um provável cancerígeno pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, ainda não há consenso sobre o limite seguro para o consumo. Por isso, conforme alerta a pesquisadora da associação Fernanda Ribeiro, é preciso ingerir produtos como biscoitos doces e salgados, pão e torrada com extrema moderação, além de manter atenção redobrada com as marcas. Para isso, o trabalho também avaliou quais rótulos apresentam níveis mais elevados de acrilamida.
O teste avaliou a presença da substância em 51 alimentos. Os pesquisadores também perceberam que, dentro de um mesmo tipo de comida, existem produtos com diferentes teores da substância. É o que acontece, por exemplo, com o biscoito doce: o Passatempo apresenta menos de 100 microgramas por quilo enquanto o Adria tem 1.110.
Fernanda sugere que para fugir da acrilamida é fundamental apostar em uma alimentação saudável. Optar por batatas cozidas é sempre melhor do que as fritas, pois dispensam o óleo. Mas, ao cozinhar ou fritar, a dica é deixá-las com uma cor amarelo dourado – a cor marrom, segundo os pesquisadores, pode ser um indicador da presença de acrilamida.
- Ao retirar da geladeira, não leve imediatamente a porção de batata frita para o óleo quente. Esse choque de temperatura acelera a formação da acrilamida. Além disso, o pão francês mais moreno também pode apresentar maior quantidade das substância. É melhor optar pelos mais clarinhos - sugere.
Na dieta do dia a dia, a Proteste sugere que sejam incluídas carnes magras, aves, peixes, feijão, ovos e nozes. Alimentos pobres em gorduras saturadas, gorduras trans, colesterol, sal e açúcares devem ser reduzidos. Frutas, legumes, grãos integrais e produtos lácteos sem gordura ou com pouca gordura estão na lista do que deve ser consumido.
Legislação
Para conter os perigos que a acrilamida pode oferecer, Fernanda observa que é importante a elaboração de um código de práticas, para que as empresas do ramo alimentício cumpram uma série de regras e reduzam a chance de substância ser encontrada em níveis elevados nos alimentos.
- Tudo depende do processo de fabricação. O que percebemos hoje é uma falta de homogeneidade, algo que é fruto da ausência de critério na preparação desses produtos. Há marcas que chegam a oferecer alimentos com quantidade exageradamente maior que seus concorrentes - observa.
Confira os produtos com mais acrilamida (em micrigramas por quilo do produto)
Batata Chips
Ruffles: 243
Pringles: 256
Qualitá: 264
Bom Preço: 289
Carrefour: 317
Stax: 765
Batata Frita
Bob 's: 100
Burguer King 100
Giraffas: 100
McDonald's: 265
Habib's: 496
Biscoito Cream Cracker
Richester: 210
Piraq uê: 225
Triunfo: 247
Adria: 288
Bom Breço: 300
Marilan: 420
Mabel: 448
Biscoito Doce
Passatempo: 100
Piraquê: 215
Marilan: 368
Trakinas: 519
Bauducco: 538
Bono: 707
Adria: 1.110
Biscoito Salgado
Club Social: 526
Minuto: 690
Marilan Pit Stop: 904
Nestlé Nesfit: 1.060
Pão francês
Carrefour: 111
Futurama: 126
Pão de Açúcar: 136
Wall Mart: 168
Sonda: 169
Hirota: 195
Pastorinho: 197
Dia: 205
Extra: 225
Salgadinho
Cheetos: 100
Torcida: 100
Fandangos: 100
Doritos: 100
Yokitos: 117
Pingo d’ouro: 393
Torradas
Visconti: 102
Magic Toast: 149
Wickbold: 192
Parati: 200
Bauducco: 202
Plus Vita: 244

Leia mais sobre esse assunto emhttp://oglobo.globo.com/saude/o-perigo-por-tras-do-pao-frances-da-batata-frita-11467623#ixzz2sHtQHNlS

* Quando começa a aprendizagem?

Estudos recentes apontam a vida intrauterina como um importante período de desenvolvimento cognitivo. A aprendizagem, no ventre materno ou fora dele, ocorreria em estreita interação com os estímulos que provêm do ambiente.
Por: Vera Rita da Costa
Quando começa a aprendizagem?
Mais que uma espera para o nascimento, a gravidez começa a ser reconhecida como importante período que pode influenciar substancialmente a vida futura, inclusive a aprendizagem. (foto: Gullermo Ossa/ Sxc.hu)
É comum pensarmos que o aprendizado começa quando a criança entra na escola ou, quando muito, que se inicia com o nascimento. No entanto, pesquisas das áreas de biologia evolutiva e psicologia cognitiva estão começando a mudar esse panorama e a estabelecer uma nova visão sobre a importância do período que passamos no útero. 
Muito mais do que uma mera espera para o grande evento que seria o nascimento, a gravidez começa a ser reconhecida como um importante período em si mesmo, que pode influenciar substancialmente a nossa vida futura, inclusive a nossa aprendizagem. 
Denominado pelos especialistas ‘origem fetal’, esse novo campo de conhecimento vem se desenvolvendo rapidamente ao longo dos últimos 20 anos
Denominado pelos especialistas 'origem fetal’, esse novo campo de conhecimento vem se desenvolvendo rapidamente ao longo dos últimos 20 anos, sobretudo em relação à área de saúde. Alguns dos resultados obtidos já permitem relacionar determinadas condições vividas pelo feto a doenças que ocorrerão em sua vida adulta. A deficiência nutricional, por exemplo, relaciona-se à ocorrência na vida adulta de problemas como hipertensão, obesidade e resistência à insulina. 
Mas o que dizer em relação à educação? Também para essa área os resultados de pesquisa e, principalmente, a discussão que se trava no campo da ‘origem fetal’ são interessantes, embora pouco debatidos entre nós. Com base neles, é possível perceber, por exemplo, que algumas de nossas concepções precisam mudar, a começar pela nossa ideia de quando deve se iniciar a aprendizagem. 
Também deve mudar a forma como tratamos os recém-nascidos ou as crianças bem pequenas. Afinal, se a aprendizagem começa ainda quando estamos no útero, mesmo recém-nascidos já possuiriam um conjunto de conhecimentos sobre o mundo que deveria ser levado em conta por aqueles responsáveis por dar prosseguimento e estimular as suas aprendizagens futuras.

Apenas cuidar?

Não caberia mais, portanto, a ideia ainda disseminada entre nós de que não devemos nos preocupar com o assunto quando se lida com recém-nascidos e bebês. Ou, ainda, que não é necessária a formação pedagógica (e de qualidade) para quem lida com essa faixa etária ou trabalha em berçários e creches, pois a função nesses casos seria apenas ‘cuidar’, não propriamente ensinar.
O que, de fato, os resultados de pesquisa estão nos indicando é algo bem diferente: somos aprendizes vorazes, sobretudo na infância (e, como estamos nos dando conta agora, também na vida intrauterina). Mas a aprendizagem, seja no ventre materno ou fora dele, ocorre em estreita interação e dependência dos estímulos que provêm do ambiente, incluindo-se aí – e de maneira muito especial – as pessoas com as quais nos relacionamos nessas fases fundamentais da aprendizagem. 
Em termos de educação há, portanto, lições a se tirar dessas pesquisas, e uma delas, essencial, é que as aprendizagens na infância podem se tornar mais adequadas, servindo de incentivo à continuidade da curiosidade e do desejo de aprender também ao longo da adolescência e da vida adulta. Isso se os conhecimentos prévios e as predisposições que trazemos da vida intrauterina forem mais bem conhecidos e compreendidos por pais e profissionais da área.

O que sabemos antes de nascer?

No livro Origens: como os nove meses anteriores ao nascimento moldam as nossas vidas (Editorial Presença, 2012), a jornalista especializada em ciência e educaçãoAnnie Murphy Paul faz um apanhado dos resultados de pesquisas realizadas nas últimas duas décadas com o objetivo de verificar a influência do período de gestação e das condições vividas nos meses que passamos no útero sobre nossa vida futura, principalmente sobre nossa saúde, temperamento e aprendizado.  
De modo geral, como relata a autora, os resultados mais expressivos dizem respeito ao desenvolvimento dos órgãos dos sentidos e ao aumento de nossa capacidade de perceber, organizar e interpretar os estímulos que captamos do ambiente. 
Ao longo do desenvolvimento fetal, relata Paul, os sentidos tornam-se gradativamente disponíveis, suprindo o cérebro, também em rápido desenvolvimento, com informações sobre ‘o mundo que nos aguarda’. Essas informações, por sua vez, consolidam-se como padrões de identificação e decodificação de estímulos, configurando nossas primeiras memórias e aprendizagens. 
Recém-nascido
Recém-nascidos reconhecem a voz materna e humana, e demonstram preferência por elas até quando comparadas a outros sons com propriedades acústicas similares. (foto: Guenter M. Kirchweger/ Sxc.hu)
O exemplo mais didático e menos distante de nós encontra-se na avidez ou aversão por certos alimentos. Afinal, praticamente toda família tem um caso desse tipo para relatar, como o da mãe que consumiu muito suco de melancia na gravidez e teve um filho ‘viciado’ na bebida ou de outra que teve uma experiência negativa com peixe na gravidez e encontra aí a justificativa de seu filho não ‘suportar’ esse tipo de alimento. 
O interessante é que essas ideias aparentemente sem sentido ou até tidas como crendices começam a encontrar respaldo científico e a ser reforçadas por dados de pesquisas, nas quais se analisam o ritmo e a intensidade da mamada de recém-nascidos na presença de determinados estímulos ou suas expressões faciais quando expostos a eles. 
Qual a possível explicação científica para essas ocorrências? Segundo pesquisasdiscutidas por Annie Murphy Paul em seu livro, a resposta está no fato de cheiros e sabores serem captados pelo feto e passarem a fazer parte das suas memórias, principalmente a partir do sétimo mês de gestação, quando as papilas gustativas e os receptores olfativos já se encontram desenvolvidos. Ao nascer, portanto, é comum que as crianças demonstrem preferência pelos alimentos consumidos pela mãe na gravidez. 
Ideias aparentemente sem sentido ou até tidas como crendices começam a encontrar respaldo científico e a ser reforçadas por dados de pesquisas
Ainda mais interessantes são os resultados de estudos obtidos em dimensões não tão evidentes. Um exemplo está na aquisição de padrões sonoros e da própria linguagem, que também se iniciariam no período fetal, a partir do sétimo mês de gravidez, quando a audição humana encontra-se plenamente funcional. 
Como discutem  Anthony Decasper e Melanie Spence, das universidades da Carolina do Norte e do Texas (EUA), a percepção e o processamento do som, ainda no período intrauterino, são acompanhados pela memorização de padrões sonoros e pelo desenvolvimento de outras importantes habilidades linguísticas, como a capacidade de identificar características acústicas e padrões de ênfase e ritmos. Isso torna o recém-nascido humano capaz de reconhecer e demonstrar preferência por sons ouvidos na vida intrauterina, como a voz de sua mãe, a sua língua nativa e trechos de histórias e canções.  
Recém-nascidos não hesitam em reconhecer a voz materna e humana, e demonstram preferência por elas até quando comparadas a outros sons com as mesmas propriedades acústicas (como a própria fala humana reproduzida de trás para frente), afirmam Decasper e Spence.

Aprendizes vorazes e supereficientes

Em Bem-vindo ao cérebro do seu filho: como a mente se desenvolve desde a concepção até a faculdade (Cultrix, 2013), os neurocientistas Sandra Aamodt e Sam Wang também fazem uma revisão detalhada de como se processa a aprendizagem em diferentes fases da vida humana e destacam a importância das pesquisas sobre a aprendizagem adquirida ainda na vida intrauterina.
Segundo Aamodt e Wang, o pensamento mais comum ainda é o de que recém-nascidos são ‘tábulas rasas’ ou receptores passivos de ensinamentos, dependendo única e exclusivamente dos conhecimentos que receberão dos adultos depois de nascer. Mas, de maneira muito diversa disso, os dados de pesquisa têm revelado que somos aprendizes inatos e supereficientes, “moldados pela evolução” para interagir e sobreviver em um mundo extremamente desafiante, a começar pelo ‘mundo’ intrauterino. 
Ao nascer, argumentam os autores, podemos não possuir as capacidades necessárias para expressar nosso conhecimento, mas isso não significa que ele não exista. Ao contrário, já chegamos ao mundo preparados ou “equipados com um kit básico de ferramentas”, que inclui habilidades essenciais, entre elas as que nos permitem, inclusive, investir na própria aprendizagem.
Qual o porquê de tudo isso? Por que aprender ainda no útero? A resposta, nesse caso, vem da biologia evolutiva.
Como discute Annie Murphy Paul em seu livro, quando um feto capta, processa e memoriza estímulos ou padrões ainda no útero materno, ele está, mesmo que indiretamente, captando e processando informações também sobre o ambiente onde nascerá. Em outras palavras, está se antecipando e se preparando para o mundo em que viverá.
“Todos nós aprendemos sobre o mundo antes mesmo de fazermos parte dele”, diz Paul. Não somos inertes ou passivos, mas criaturas ativas, dinâmicas e muito flexíveis, capazes de responder e nos adaptarmos a diferentes condições que se apresentem.
Feto
Os efeitos da desnutrição sobre 40 mil fetos cujas mães passaram o ‘inverno da fome’, durante a Segunda Guerra Mundial, foram notados imediatamente e também décadas depois. (foto: Bill Davenport/ Sxc.hu)
Nossas mães, por sua vez, são nossas primeiras professoras ou informantes. Sem necessariamente ter consciência disso, elas estão, durante a gestação, nos passando informações e ensinando sobre o mundo em que nasceremos – por exemplo, sobre o que está disponível e é seguro comer; qual a língua falada em nossa comunidade ou quem é ela ou o cuidador em quem podemos confiar.
Esse tipo de aprendizagem, explica a autora, auxilia na sobrevivência do recém-nascido. Ao reconhecer e responder melhor à voz ou a língua materna, por exemplo, um feto amplia a sua ligação com a pessoa que cuidará dele. Ou, ainda, ao antecipar-se na memorização de gostos e sabores e estabelecer precocemente preferências e aversões alimentares, poderá evitar alimentos nocivos ou buscar com mais avidez aqueles de que necessitará quando recém-nascido.
Sem necessariamente ter consciência disso, nossas mães estão, durante a gestação, nos passando informações e ensinando sobre o mundo em que nasceremos
Como “cartões postais do mundo de fora”, exemplifica Paul, “os estímulos recebidos por intermédio da mãe na gravidez informam o feto e o fazem produzir respostas a perguntas críticas para a sua sobrevivência: vou nascer em um mundo de abundância ou de escassez? É um mundo protegido e seguro ou de perigos e ameaças constantes? A vida nesse mundo será longa e frutífera ou curta e desprovida?”
Um estudo detalhado no livro de Paul exemplifica o quanto a aprendizagem intrauterina pode ser significativa. Diz respeito aos efeitos da desnutrição sobre os cerca de 40 mil fetos que estavam em gestação durante o ‘inverno da fome’, provocado quando as tropas alemãs bloquearam o oeste da Holanda, em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial.

Possíveis efeitos

Os efeitos da desnutrição sobre esses fetos, como se pode imaginar, foram imediatamente notados. Houve aumento do número de natimortos, defeitos congênitos, baixo peso ao nascer e mortalidade infantil. Mas também houve efeitos que só foram constatados décadas depois, como maior incidência de obesidade, diabetes e doenças do coração entre as pessoas gestadas durante esse período de carestia.
Uma possível explicação para isso, segundo Paul, encontra-se na enorme capacidade do corpo humano de responder ao contexto, procurando adaptar-se fisiologicamente e sobreviver. 
Diante da escassez de nutrientes, os fetos submetidos ao ‘inverno da fome’ direcionaram os poucos recursos que tinham ao cérebro, adaptando-se fisiologicamente e garantindo, assim, a sua sobrevivência em curto prazo. Mas, devido à carência inicial de nutrientes, outros órgãos, como o coração e o fígado, se fragilizaram e tornaram-se passíveis de mau funcionamento, sobretudo quando submetidos a um mundo de abundância, para o qual não se encontravam preparados. As doenças observadas nos fetos que sobreviveram a esse regime de fome podem ser encaradas, portanto, como respostas inadequadas a um contexto que não reflete as aprendizagens ou os padrões estabelecidos inicialmente, argumenta a autora. 
Atentado
Estudo com 1.700 grávidas que tiveram experiências traumáticas durante o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, nos EUA, mostra que seus filhos apresentavam sintomas da síndrome de estresse pós-traumático um ano após o episódio. (foto: Robert Linden/ Sxc.hu)
Outro estudo relatado por Annie Murphy Paul diz respeito a 1.700 grávidas que tiveram experiências traumáticas durante o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, e ao fato da análise realizada nessas gestantes e em seus filhos um ano após o episódio ter revelado a presença de sintomas da síndrome de estresse pós-traumático também nos recém-nascidos. 
Considerando-se a perspectiva da ‘origem fetal’, a explicação para o ocorrido nesse caso, assim como no episódio do ‘inverno da fome’, também é reveladora e, de certa forma, surpreendente. Os pesquisadores acreditam que, provavelmente, os fetos de mulheres grávidas que experimentaram o trauma do atentado foram “informados por suas mães” e se prepararam para um mundo no qual a prontidão, característica do estresse, poderia ser útil à sobrevivência. 
Com base nas pesquisas e discussões sobre ‘origem fetal’, é possível perceber que as informações que recebemos de nossas mães ainda no útero podem ser positivas ou negativas
Pense por um instante: características típicas da síndrome do estresse pós-traumático, como a hipervigilância, o distanciamento psíquico e a irritabilidade, podem ser relativamente úteis em um mundo ameaçador, que requer níveis de atenção máximos, mas não se configuram aprendizagens relevantes em um mundo relativamente seguro. 
Nesse contexto, ao contrário, essas características seriam desnecessárias ou mesmo representariam um alto custo para quem as possuísse – custo que os pesquisadores consideram que está sendo cobrado dos fetos que passaram pelo ‘inverno da fome’, assim como dos que ‘vivenciaram’ o atentado de 11 de setembro. 
Com base nas pesquisas e discussões sobre ‘origem fetal’, é possível perceber que as informações que recebemos de nossas mães ainda no útero podem ser positivas ou negativas. Melhor dizendo, podem ser adequadas ou não diante do contexto em que nascemos ou em nossa vida futura. 
Mas tão importante quanto isso é começarmos a nos dar conta de que nossa visão sobre quando e como se dá a aprendizagem precisa ser ampliada. Os dados de pesquisas têm nos mostrado que, de fato, aprende-se sempre, inclusive, antes de nascer.

Vera Rita da Costa
Ciência Hoje/ SP