domingo, 24 de agosto de 2014

* Como alimentar o mundo e ainda produzir biocombustíveis

Com informações da NSF
Turbinando as plantas
Um organismo fotossintetizante utiliza a luz solar e o dióxido de carbono para produzir açúcares que alimentam o organismo, liberando oxigênio para a atmosfera.
Mas a fotossíntese é um processo relativamente ineficaz, geralmente capturando apenas cerca de 5% da energia disponível, dependendo de como a eficiência é medida.
No entanto, algumas espécies de plantas, algas e bactérias evoluíram para se tornar mais eficientes, otimizando mecanismos que reduzem as perdas de energia ou melhorando a disponibilização do dióxido de carbono para as células durante a fotossíntese.
Existem inúmeros projetos de pesquisas tentando dar uma mãozinha à evolução, desenvolvendo técnicas para otimizar ainda mais a fotossíntese - sem contar as tentativas reproduzi-la sinteticamente por meio da fotossíntese artificial.
Três dessas equipes acabam de ganhar a confiança - e o dinheiro - da Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos (NSF) e do Conselho de Pesquisas em Ciências Biológicas e Biotecnológicas do Reino Unido (BBSRC) para prosseguirem em suas abordagens para aumentar a eficiência da fotossíntese.
O objetivo de longo prazo é desenvolver métodos para aumentar a produtividade de culturas importantes, plantadas para a produção de alimentos e biocombustíveis sustentáveis.
Fotossíntese plug-and-play
Diagrama do conceito da fotossíntese plug-and-play. [Imagem: Zina Deretsky/NSF]
Alguns micróbios unicelulares captam a energia solar e a convertem em combustível para sua autorreplicação.
O conceito de fotossíntese plug-and-play (conectar e funcionar, em tradução livre) visa distribuir a captura e a conversão de energia para dois ambientes diferentes, de modo que cada ambiente possa ser otimizado para máxima eficiência em seu respectivo papel.
O objetivo da equipe da Dra. Anne Jones, da Universidade Estadual do Arizona, é captar a energia não utilizada, que é dissipada, usando para isso uma célula fotossintética, que transferirá a energia gerada para uma segunda célula para a produção de combustível.
Para fazer essa transferência de energia, a equipe pretende dar um novo uso aos nanofios bacterianos, pequenos fios condutores de eletricidade encontrados em algumas bactérias, com funções que não são ainda completamente compreendidas.
Esses fios serão manipulados por bioengenharia para formar uma ponte elétrica entre as células solares e as células produtoras de combustível - os fios vão conduzir a energia de uma para a outra.
MAGIC - Abordagem Multi-Nível para Geração de Dióxido de Carbono
O projeto Magic está criando uma bomba de dióxido de carbono alimentada por luz. [Imagem: John H. Golbeck/Universidade da Pensilvânia]
O objetivo é projetar uma bomba de dióxido de carbono alimentada por luz que irá aumentar a disponibilidade de dióxido de carbono para a enzima que promove a fotossíntese e, assim, aumentar a eficiência fotossintética.
Através da engenharia genética, a equipe já reprojetou uma proteína sensível à luz, chamada halorodopsina, encontrada em um micróbio unicelular chamado Natronomonas pharaonis, que ajuda o micróbio a manter o equilíbrio químico correto bombeando cloreto.
A forma geneticamente modificada da proteína, em vez de bombear cloreto, bombeia dióxido de carbono, que está presente como bicarbonato nas células.
Para avaliar a eficácia da sua bomba alimentada por luz, a equipe implantou-a em uma vesícula artificial. Essa vesícula contém um corante cujo brilho é proporcional aos níveis de dióxido de carbono no interior da vesícula.
A equipe pretende usar o novo financiamento para incorporar a bomba em células de plantas para determinar se o aumento na disponibilidade de dióxido de carbono irá aumentar o crescimento das plantas.
O projeto MAGIC (Multi-Level Approaches for Generating Carbon Dioxide) é coordenado pelo professor John Golbeck, da Universidade do Estado da Pensilvânia.
CAPP - Combinando Algas e Fotossíntese Vegetal
O projeto CAPP quer transplantar componentes das algas para as plantas. [Imagem: Moritz Meyer/Howard Griffiths]
A Chlamydomonas, uma alga unicelular, tem seu próprio pirenoide, uma estrutura esférica que ajuda a alga a assimilar carbono para melhorar sua eficiência fotossintética.
O objetivo da equipe é transplantar o pirenoide e seus componentes associados da alga para plantas superiores, com a esperança de melhorar a eficiência fotossintética dessas plantas e, assim, sua produtividade.
Até agora, a equipe identificou novos componentes do pirenoide e fez progressos no desenvolvimento de um sensor à base de proteínas que será usado para comparar os níveis de bicarbonato em vários compartimentos celulares nas algas.
Esse sensor será usado para ajudar a explicar o mecanismo de concentração de carbono da alga e ajudar a avaliar a eficácia do pirenoide depois de ele ter sido transplantado para as plantas.
O projeto CAPP (Combining Algal and Plant Photosynthesis) é coordenado pelo professor Martin Jonikas, da Universidade de Stanford.

* Entrevista com a ativista Vandana Shiva

“Em abril de 2011 a ONU adotou uma resolução sobre a água como um direito humano. Mesmo com toda a ganância das multinacionais, a energia democrática dos movimentos sociais também está crescendo e desafiando a privatização da água”. É o que aborda Vandana Shiva, física e ativista defensora do meio ambiente e dos direitos das mulheres, nascida na Índia. O jornal britânico The Guardian a definiu como uma das cientistas de maior destaque e mais promissoras do mundo. Em seu livro “As guerras da água”, Shiva destaca que este recurso é um direito humano fundamental, o qual não pode ser tratado como uma mercadoria. No mundo, 768 milhões de pessoas não têm acesso à água potável.
A entrevista é de Gabriel Díaz, publicada por Diário.es, 07-08-2014. A tradução é do Cepat.
Eis a entrevista.
Que importância a água tem para a vida humana, para as comunidas e a natureza? Que importância tem para você e para sua cultura?
A água é o próprio sangue da vida. Compõe 70% do planeta, 70% das plantas, 70% do nosso corpo é água. Sem água não há vida. A água circula através de todas as espécies e pelo ciclo hidrológico, que conecta a todos em uma comunidade. É a comunidade da água.
Eu nasci em Himalaya e cresci na região que é a fonte do Ganges. O movimento Chipko, ao qual me uni há uma década, é um movimento de mulheres para proteger o bosque e a água. Durante 10 anos estamos construindo movimentos para evitar a privatização das águas do Ganges. Nosso lema é “Nossa mãe Ganges não está à VENDA”. Detivemo-los.
Vários analistas internacionais assinalam que o século XXI será marcado pelas guerras da água.
As guerras pela água já estão acontecendo. Os recursos hídricos diminuem, a demanda por água aumenta. Os meios de comunicação e os políticos encobrem os conflitos da água e os apresentam como se fossem religiosos e étnicos. Isso facilita a divisão e as políticas de governo. Se os conflitos da água fossem tratados como conflitos pela água, as elites se veriam obrigadas a abordar a justiça da água, a democracia da água e a paz da água.
Em seu livro “As guerras da água”, você ressalta a importância de conseguir uma democracia real da água. Poderia explicar os princípios fundamentais desta ideia?
No núcleo da solução do mercado para a contaminação está a suposição de que a água existe em quantidade ilimitada. A ideia de que os mercados podem atenuar a contaminação facilitando um aumento da alocação não leva em conta que o desvio de água para uma área produz a escassez da mesma em outros lugares. Em contraste com as teorias das empresas que promovem uma solução de mercado para a contaminação, as organizações de base pedem soluções políticas e ecológicas.
As comunidades que lutam contra a contaminação industrial propuseram um projeto de lei sobre a Comunidade de Direitos Ambientais, que inclui os direitos para “limpar” a indústria, a segurança frente à exposição nociva, a prevenção, o conhecimento, a participação, a proteção e a observação; uma indenização e a limpeza. Todos estes direitos são elementos básicos em uma democracia da água, na qual se protege o direito à água potável para todos os cidadãos. Os mercados não podem garantir nenhum destes direitos.
O livro também insiste no negócio gigante que a VENDA de água engarrafada representa.
Uma mulher chamada Mylamma iniciou um movimento contra um gigante como a Coca-Cola, na região de Plachimada e , junto a ela, uma pequena aldeia de Keral conseguiu fechar a fábrica. A fábrica em Plachimada foi encomendada em março de 2000, para produzir 1.224.000 garrafas de produtos da Coca-Cola por dia e uma licença condicional para instalar uma bomba de água com motor. Contudo, a companhia começou a extrair ilegalmente milhões de litros de água limpa. Começaram a extrair 1,5 milhões de litros por dia. O nível da água começou a cair e a instalação indiscriminada de poços para aproveitar a água subterrânea TEVE graves consequências para os cultivos. Como resultado houve uma notificação contra a empresa e sua licença foi cancelada. Trataram de subornar o presidente do panchayat (o conselho comunitário), mas não tiveram êxito. Não apenas o roubo da água, mas também a contaminação do ambiente e as áreas próximas pelo derramamento de resíduos, que estava causando um grave perigo à saúde.
Como resultado destes despejos em poços, sempre de água potável, as instalações agrícolas secaram. O médico distrital informou que a água era imprópria para beber. As mulheres de Plachimada não iriam permitir esta hidro-pirataria e TEVE início um protesto nas portas da Coca-Cola e o lançamento de um ultimato aos mesmos. O litígio do interesse público foi apresentado por um dos panchayats contra a Coca-Cola no Tribunal Superior de Kerala, e o Tribunal também apoiou a população. Assim a juiza Balakrishan Nair ordenou que a Coca-Cola detesse a pirataria de água de Plachimada.
Você sita exemplos de como nos grandes projetos hidráulicos, as alterações do CURSO dos rios ou construção de barragens geralmente têm consequências irreversíveis para as comunidades.
Os projetos nos vales dos rios são geralmente considerados a solução para as necessidades da água para a AGRICULTURA, o controle das inundações e a atenuação da seca. Nas últimas três décadas, a Índia tem sido testemunha da construção de aproximadamente 1.554 represas. Entre 1951 e 1980, o governo gastou 1,5 bilhões de dólares em barragens de irrigação de grande ou médio prazo. Todavia, o retorno deste investimento tem sido muito menor que o previsto. Nas terras irrigadas, onde deveriam ter sido produzidas pelo menos cinco toneladas de grão por hectare, manteve-se o 1,27 tonelada por hectare.
As perdas anuais devido à inesperada baixa de disponibilidade de água, um assoreamento intenso, redução da capacidade de armazenamento e alagamentos, totalizam agora 89 milhões dólares. A construção de represas em dois dos rios mais sagrados da Índia, o Ganges e o Narmada, gerou um veemente protesto das mulheres, dos agricultores e das comunidades cujas vidas, e modos de subsistência, foram interrompidos, além de terem seus lugares sagrados ameaçados. As pessoas de Narmada Valley não somente resistem ao deslocamento causado pelas represas de Sardar Sarovar e Narmada, mas também estão travando uma guerra contra a destruição de civilizações inteiras.
Quais são as chaves para o desenvolvimento de projetos que combinem os avanços tecnológicos e o cuidado responsável do meio ambiente?
Para garantir a sustentabilidade e a equidade na gestão da água e o uso da água, dois indicadores são de vital importância: como afeta o ciclo hidrológico, e de que maneira impacta na água das pessoas. Se estes critérios são levados em conta podemos garantir a sustentabilidade no uso da água e a equidade e a democracia na gestão da água. Durante as duas últimas décadas, os movimentos pela democracia da água aumentaram e têm desafiado a ideia de que a água é uma mercadoria, assim como as políticas de privatização da água.
Em Nova Deli deteve-se a privatização do abastecimento da água da cidade mediante a Aliança Cidadã para a Democracia da Água. Na Itália, em um referendo, os cidadãos votaram para a democracia da água em junho de 2011. Em abril de 2011 a ONU adotou uma resolução sobre a água como um direito humano. Mesmo com toda a ganância das multinacionais, a energia democrática dos movimentos sociais também está crescendo e desafiando a privatização da água.
Então muita gente está reagindo frente às políticas que degradam a natureza e a forma de vida de muitas comunidades.
Desde o movimento 15M para ocupar WALL STREET, a Primavera Árabe ao inverno russo, pessoas de todo o mundo estão se levantando contra a corrupção, a desonestidade e a falta de uma real democracia na classe política que, por sua vez, esta presa em uma camisa de força devido às políticas de privatização impostas pelas instituições FINANCEIRAS. Nossas democracias passaram de ser do povo, para o povo e pelo povo, para ser das corporações, pelas corporações e elas corporações.
Princípios da “democracia da água”
1. Nós recebemos água livremente da natureza.
2. Todas as espécies e os ecossistemas têm direito a uma parte da água no planeta.
3. A vida está interligada através da água. Todos nós temos o dever de assegurar que as nossas ações não causem danos a outras espécies e outras pessoas.
4. A água deve ser acessível às necessidades de subsistência. A compra e VENDA com objetivo de lucro viola o nosso direito inerente.
5. A água é limitada e pode acabar se não for usada de forma sustentável.
6. Todo homem tem o dever de conservar a água e a sustentabilidade do uso da água, dentro dos limites ecológicos e justos.
7. A água não é uma invenção humana e não tem fronteiras. Ela é por natureza um bem comum. Ela não pode ser uma posse como propriedade privada e vendida como uma mercadoria.
8. Ninguém tem o direito de abusar, desperdiçar, jogar lixo ou poluir os SISTEMAS de água.
9. A água é intrinsecamente diferente de outros recursos e seus produtores. Ela não pode ser tratada como uma mercadoria.

Fonte: IHU Online.

* Cura para diabetes pode estar próxima


Uma doença que assola milhões de brasileiros e que mata uma pessoa a cada dez segundos no mundo por conta de suas complicações poderá estar próxima da cura. Pesquisadores da Universidade de Manchester, no Reino Unido, e de  Auckland, na Nova Zelândia, que investigam o diabetes anunciaram que, dentro de dois anos, um novo medicamento poderá acabar de uma vezes por todas com este mal. 
estudo aponta que as duas formas principais de diabetes são resultantes do mesmo mecanismo. No caso, o diabetes juvenil ou diabetes tipo 1 e tipo 2 são provocados pela formação de aglomerados tóxicos do hormônio amilina. Eles envolvem as células responsáveis pela produção de insulina, freando sua produção. A partir disso, os cientistas acreditam que a cura estaria associada ao desenvolvimento de um medicamento que combata a acumulação da amilina ou que dissipe os aglomerados tóxicos existentes.
Tanto a insulina como a amilina são produzidas pelo pâncreas e estas duas substâncias atuam juntas para regular a reação do organismo à comida. Porém, parte da amilina pode ficar depositada em torno de células do pâncreas, originando os aglomerados tóxicos que impedem a produção de insulina pelas células responsáveis, o que provoca o diabetes. 
De acordo com uma pesquisa divulgada no ano passado pelo ministério da Saúde, o diabetes cresceu 40% entre 2006 e 2012 no Brasil. Estima-se que ao menos 7,5 milhões têm a doença no país. Ainda de acordo com o levantamento, 75% dos brasileiros que sofrem de diabetes estão acima do peso. Obesidade e sedentarismo, além de fatores genéticos, figuram entre as causas da doença.
Fontes:

segunda-feira, 7 de julho de 2014

* Pista para carros voadores ficará pronta em 2015




A empresa americana skyTran está construindo em Tel Aviv, Israel, uma pista suspensa para carros voadores que deverá entrar em funcionamento até dezembro de 2015. E, por mais que pareça futurística, a ideia é antiga e revive um projeto dos anos 1960 sobre o “transporte do futuro”.
Espera-se que esta seja a alternativa para acabar com o congestionamento das grandes cidades e eliminar o tempo gasto em trajetos com semáforos e trânsito de pessoas. A via fica suspensa a 20m do chão e tem extensão limitada, de apenas 500m, mas estão previstas versões maiores.

Os veículos, que se movimentam suspensos por cabos magnéticos, levam duas pessoas e podem atingir até 70 km/h. A ideia é oferecer aos consumidores carros comerciais mais rápidos, mas tudo ainda é embrionário e não há informações concretas sobre seu desenvolvimento e preço.
De acordo com o plano da empresa responsável, os passageiros poderão alugar um carro voador por meio do smartphone e combinar estações específicas para encontrá-los. De lá, seguirão diretamente ao destino desejado.
O conceito está sendo desenvolvido no parque de pesquisas da Nasa e pretende revolucionar o transporte público. Segundo especialistas, a construção de pistas como esta é mais barata do que a de linhas de trem porque utiliza espaço urbano que está sobrando.
A companhia revelou que planeja realizar projetos semelhantes em outras localidades como Índia e EUA, mas tudo depende do sucesso dos testes em Israel.

Via BBC 

quinta-feira, 3 de julho de 2014

* Cientistas afirmam que nossa galáxia abriga um túnel do tempo, e não um buraco negro, como se supunha


Um grupo de cientistas chineses assegurou que no centro da Via Láctea existe um buraco de minhoca, e não um buraco negro, como acreditam os astrônomos. Caso a hipótese seja confirmada, o centro de nossa galáxia abrigaria um verdadeiro túnel do tempo. Buracos de minhoca são túneis hipoteticamente existentes através do tempo e do espaço e que alcançam um deslocamento mais rápido que a velocidade da luz. A teoria foi formulada pela primeira vez graças ao trabalho de Albert Einstein e Nathan Rosen, que na época, os batizaram como “Pontes de Einstein-Rosen.”
O estudo foi conduzido pela equipe de Zilong Li e Cosimo Bambi, membros da Universidade Fudan, em Shangai, na China. Os investigadores dizem haver encontrado uma emissão específica de energia que poderia ser detectada ao redor de um hipotético buraco de minhoca.
Apesar de a teoria mais aceita afirmar a existência de um maciço buraco negro no centro de nossa galáxia, os cientistas chineses discordam e afirmam tratar-se de um buraco de minhoca.
O grupo espera conseguir provar sua hipótese prontamente quando o telescópio VLT, do Observatório Europeu Austral no Chile, receber o aparelho Gravity, especialmente desenhado para observar o centro da galáxia com uma definição inexistente até hoje. Com esse novo recurso para análise plasmática do que quer que se encontre no centro da Via Láctea, o mistério será de vez, desvendado.
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* Teóricos do Bóson de Higgs afirmam que o Universo não deveria existir


NOTÍCIAS






Segundo estudos recentes realizados por especialistas ingleses em cosmologia, o universo não deveria existir; mas sim ter entrado em colapso milésimos de segundos após o Big Bang. Robert Hogan, pesquisador e coautor do estudo, traçou um verdadeiro paradoxo universal ao afirmar que, em seus primórdios, o Universo viveu uma expansão cósmica muito rápida. Essa mesma expansão deveria ter gerado um tremor forte o suficiente para desencadear o colapso do Universo. Os estudos foram baseados na análise de observações feitas pelo telescópio BICEP2, localizado na Antártica. As informações foram comparadas com dados hipotéticos baseados no cálculo do aumento cósmico e do Bóson de Higgs. Dessa forma, os catedráticos do Kings College de Londres tentaram recriar as condições da inflação cósmica imediatamente após o Big Bang. As informações fornecidas pelas observações do BICEP2 permitem admitir que o Universo sofreu um grande impulso durante a fase da expansão cósmica, já que houve uma intensa variação de seu campo energético. Isso levou o cosmos até o chamado Vale do Campo de Higgs em apenas uma fração de segundos. Entretanto, para surpresa dos pesquisadores, caso tenha acontecido exatamente desta maneira, o Universo como o conhecemos hoje deveria haver entrado em colapso completo instantaneamente. “Tudo isso significa que precisamos estender nossas teorias e entender por que tudo isso não ocorreu”, afirmou Robert Hogan. Fonte: RT 

* Socióloga aponta fatores e consequências da profissionalização da prostituição

Por Nayá Fernandes

Uma pessoa escolhe se prostituir? A prostituição é uma opção livre? A resposta a esta pergunta é passível de opiniões diversas e até mesmo condenações podem nascer a partir dela. A prostituição atravessa a história sendo uma realidade controversa em todos os campos.Em tempos de Copa de Mundo e com os olhos abertos para o turismo e a exploração sexual, a Pastoral da Mulher Marginalizada (PMM) Nacional se manifestou publicamente por ocasião do Dia da Prostituta, 02 de junho. A data foi estabelecida após uma manifestação em Lyon, na França, em 1975.
"150 prostitutas francesas ocuparam a igreja de Saint-Nizier, em Lyon. Elas protestavam contra as multas e detenções que sofriam e pelas mortes de colegas que não eram investigadas. Esse gesto foi uma ‘guerra contra o rufianismo’ atividade de quem tira proveito da prostituição alheia. Obtiveram apoio da população e foram reprimidas fortemente pela polícia, mas entraram para a história”, recorda Sueli Aparecida da Silva, socióloga e coordenadora Nacional da PMM.
"Nós queremos chamar atenção para este dia, não como um dia de celebração, de glamorização da prostituição, de confirmação da profissão de prostituta. Compreendemos que a prostituição é mais uma forma cruel de violência contra a mulher”, continua Sueli.
A partir da experiência cotidiana com mulheres em situação de prostituição, a PMM afirma que a grande maioria delas não o faz por opção. "A prostituição foi, de alguma forma, a única saída para um problema do momento. Envolve muitos fatores psicossociais e não pode ser considerada uma escolha livre”, diz a socióloga. Sueli afirma ainda que uma vez tendo conseguido deixar a prostituição, as mulheres fazem de tudo para não voltar a esse espaço.
Até que ponto a prostituição deve ser uma profissão regularizada é outra discussão na qual a PMM está inserida. O Projeto de Lei Nº 4.211, de 2012, de autoria do deputado federal Jean Wyllys, busca a regulamentação da prostituição, mas este não é o primeiro, outros já estiveram em tramitação, segundo a Pastoral.
"Sempre defendemos que a profissionalização não traz benefícios para a grande maioria das mulheres. Não é um trabalho como outro qualquer. A prostituição é resultado de um fenômeno social maior, não podendo ser caracterizada como um trabalho que dá dignidade ao ser humano”, assinala Sueli.
No Brasil, a prostituição não é crime, mas a indústria do sexo sim, ou seja, as casas de exploração não regulamentadas. "Ter um salário e a carteira assinada não garante que a mulher seja livre. Poderá ela ser obrigada a ser uma escrava sexual, tendo que cumprir com uma carga horária exaustiva ou ter um número de programas que vai além da condição física dela”, explica a socióloga.
Outras dificuldades foram apontadas, como a contratação da mulher, depois que ela resolver deixar a prostituição, o moralismo social e o desrespeito. "A maioria das mulheres evita que suas famílias e seus amigos saibam como estão vivendo”, continua a coordenadora da Pastoral, que trabalha em três frentes principais: com as mulheres que situação de prostituição; com o enfrentamento ao abuso e a exploração sexual ou comercial de crianças e adolescentes; e contra o tráfico de mulheres, crianças e adolescentes para fins de exploração sexual.
Assim, a chamada profissionalização da prostituição não iguala socialmente o papel das pessoas que estão se prostituindo ao dos trabalhadores de outras áreas. Sueli destaca que "usar da sexualidade para angariar recursos é uma forma de ferir a conduta de bons comportamentos sociais e isso põe as mulheres em condições exclusas socialmente. Na prostituição, a mulher não tem direito de ser pessoa, ela é sempre vista como a "puta”, a "prostituta”, a "sem vergonha”, a de "vida fácil” ou, religiosamente falando, "a pecadora”, mas nunca como mulher”.
Direto com elas
A PMM atua diretamente com as mulheres que estão em situação de prostituição, realiza contatos semanais, visitas em praças, ruas, boates, hotéis e outros lugares em que elas se encontram. Promove ainda a acolhida nas sedes das equipes base da PMM. A orientação e encaminhamento das mulheres para a profissionalização por meio de capacitação pessoal e profissional tendo como base a economia solidária e geração de renda também é uma frente de atuação da Pastoral. Indiretamente, a Pastoral trabalha a sensibilização social sobre a realidade da mulher na prostituição, no enfrentamento ao tráfico de pessoas para fins de exploração sexual e contra ao abuso e exploração de crianças e adolescentes.

Depoimentos
"Fui violentada por meu tio para ter o que comer. Eu morava na casa dele, quando minha tia saía, ele me obrigava a fazer sexo com ele. Eu tinha nove anos. Depois vim pra rua. Tinha 16 anos, um cliente me levou para casa dele, chamou seis homens e disse que podiam fazer o que eles quisessem, porque eu era p... mesmo. Eles fizeram tudo comigo. Eu estava grávida e perdi o bebê, até hoje dói muito lembrar.” (Raquel, 29 anos)

"Fui parar na Luz e, naquele tempo, tinha um plano de higienização. Os policiais me levaram várias vezes para o xadrez, com acusação de "vadiagem”. Lá, colocavam a gente para varrer, limpar. De vez em quando, um policial engraçadinho abusava da gente, às vezes, soltava a gente depois disso. Mas ele sempre chegava dizendo que era p... mesmo. Um dia, um policial me violentou com um cassetete. Quase morri de dor.” (Celiane, ex-prostituta)

"Eu morei num bordel em que a dona era muito ruim. Ela só queria o dinheiro da gente. Não podíamos parar com os programas nem quando estávamos menstruadas. Quando eu estava menstruada, ela me dava um rolo de algodão. Tinha uma menina que morava nessa casa e ela bebia muito. Quando estava bêbada, a cafetina colocava dois clientes no quarto com ela. Recebia o dinheiro e não dava nada para a menina.” (Cris, 26 anos)

"Eu nunca me apresentei como prostituta. Fiquei seis anos na Luz. Minha família nunca soube, pode ser que desconfiava, mas se me perguntarem, vou negar até a morte. Nunca sofri violência. Estar na prostituição já é violência. Entregar a intimidade por dinheiro é muito violento. Nunca vesti roupa curta, ia trabalhar com camiseta e calça jeans. Mas todo mundo associa a prostituição com a falta de vergonha e caráter.” (Carina, 37 anos)

Jornal O SÃO PAULO

Semanário da Arquidiocese de São Paulo, que há 58 anos leva as informações da Igreja particular da maior cidade do País.