Mostrando postagens com marcador História. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História. Mostrar todas as postagens

sábado, 17 de maio de 2014

* Perdeu patente por faltar 10 dólares


Conheça o homem que deixou de ser reconhecido como inventor do telefone por causa de 10 dólares

 9 de maio de 2013
Hoje a História Sem Fim vai ser ao contrário – primeiro o fim, depois a história. Pra começar, te adiantamos a conclusão: não basta ter uma boa ideia. Se desejar receber o crédito por ela, você precisa registrar uma patente.
O inventor Antonio Meucci precisava ter recebido esse conselho uns dois séculos atrás.
O que aconteceu foi o seguinte: Meucci era um inventor italiano que emigrou para Nova Iorque em 1850. Depois de dez anos de investigação, desenvolveu o primeiro comunicador por voz, ao qual chamou de “teletrofone” – conhece algo parecido?
Em 1871, ele protocolou a invenção como uma patent caveats, uma patente provisória, mais barata e menos detalhada, que deveria ser renovada anualmente. Caso algum objeto semelhante fosse registrado durante esse período, a Oficina de Patentes deveria comunicar o detentor do registro provisório, que teria um prazo de três meses para oficializar o patente de sua invenção.
Se nada fosse feito nesse período, a patente ficaria em aberto, dando uma chance para um segundo inventor registrá-la em seu nome.
Em 1874, Antonio Meucci não tinha grana para pagar os 10 dólares que renovariam sua patente – na época, ele vivia de assistência pública, pois estava se recuperando de algumas queimaduras no corpo.
Uma vez que a patente não foi registrada, em 1876, Alexander Graham Bell (sim, aquele mesmo que você ouve falar desde o primário), pagou os 250 dólares necessários para obter uma patente definitiva e ficou conhecido por toda a história como o inventor do telefone. Lição aprendida.
(Muitos historiadores divergem se houve ou não plágio entre Bell e Meucci. Dada a grande quantidade de provas que Bell apresentou ao registrar sua patente, acredita-se que ele tenha, de fato, elaborado os conceitos que levaram à criação do telefone. Também não precisa ficar com dó do Meucci: ele tem 14 patentes de outras invenções registradas em seu nome).
Fontes: About, Histórias de La História.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

* Pesquisadores afirmam ter descoberto localização do Santo Graal


Dois pesquisadores espanhóis concluíram um projeto com o objetivo de provar que o Santo Graal que Jesus utilizou na Última Ceia é o artefato conhecido como o cálice da Infanta Dona Urraca, localizado na Basílica de Santo Isidoro. 
A primeira pista sólida que Margarita Torres e José Miguel Ortega del Río tiveram foi o aparecimento de pergaminhos egípcios do século XIV. As escrituras relatam que no ano de 1055 o Santo Graal partiu de Jerusalém para León, onde foi entregue aos reis Fernando I e Dona Sancha. A investigação seguiu com uma pesquisa exaustiva, culminando com o lançamento do livro “Os Reis do Graal”. 
Análises históricas apontam que a forma e a cerâmica de Qumram com a qual foi feito o cálice de Dona Urraca correspondem à “taça que os artesãos de Jerusalém acreditavam ter sido usada por Cristo”. 
Vale notar que o cálice no qual Cristo bebeu é a parte superior do objeto que se encontra em Santo Isidoro. As outras partes da cerâmica foram feitas por Urraca I, rainha de León e Castela, como uma forma de decorar a taça com suas próprias jóias.
Outra descoberta tem a ver com a história recente. Estudiosos acreditam que Franco, o ditador espanhol, bebeu do Santo Graal em 1964, durante uma visita à cidade de León, pelo Congresso Eucarístico Nacional. 
Já naquela época, alguns pesquisadores propuseram, timidamente, a hipótese de que esse cálice era a taça de Jesus, e, talvez por isso, megalomaníaco e fanático por relíquias religiosas, Franco resolveu utilizar o objeto durante a cerimônia.

quinta-feira, 20 de março de 2014

* Nasa prevê que planeta está à beira do colapso

Setores como clima, energia e crescimento da população provocariam o fim da civilização, assim como ocorreu com o Império Romano



Crescimento previsto do consumo fará com que sejam necessários cinco planetas para abastecer a população
Foto: AFP

Crescimento previsto do consumo fará com que sejam necessários cinco planetas para abastecer a população AFP
Impérios como Roma e Mesopotâmia entre tantos outros, espalharam-se por territórios imensos, criaram culturas sofisticadas e instituições complexas que influenciaram cada aspecto do cotidiano de seus habitantes — até, séculos depois, e por diversas razões, sucumbirem. A civilização ocidental segue o mesmo caminho e está a um salto do abismo, segundo um estudo divulgado ontem pela Nasa. As raízes do colapso são o crescimento da população e as mudanças climáticas.
O estudo foi baseado em um modelo desenvolvido por um matemático da Universidade de Maryland. Safa Motesharrei analisou ciências ambientais e sociais e concluiu que a modernidade não vai livrar o homem do caos. Segundo ele, “o processo de ascensão-e-colapso é, na verdade, um ciclo recorrente encontrado em toda a História”.
“A queda do Império Romano, e também (entre outros) dos impérios Han, Máuria e Gupta, assim como tantos impérios mesopotâmios, são testemunhos do fato de que civilizações baseadas em uma cultura avançada, sofisticada, complexa e criativa também podem ser frágeis e inconstantes”, escreveu em seu estudo, financiado pelo Goddard Space Flight Center, da Nasa.
Motesharrei lista os ingredientes para o fim do mundo. O colapso pode vir da falta de controle de aspectos básicos que regem uma civilização, como a população, o clima, o estado das culturas agrícolas e a disponibilidade de água e energia. O Observatório da Nasa já constatou diversas vezes a multiplicação de eventos climáticos extremos, como o frio intenso do último inverno na América do Norte e o calor que, nos últimos meses, afligiu a Austrália e a América do Sul. Seus estragos paralisam setores vitais para o funcionamento da sociedade.
A economia também desempenha um papel importante. Quanto maior for a diferença entre ricos e pobres, maiores as chances de um desastre. Segundo a pesquisa, a desigualdade entre as classes sociais pauta o fim de impérios há mais de cinco mil anos.
Com o desenvolvimento tecnológico, agricultura e indústria registraram um aumento de produtividade nos últimos 200 anos. Ao mesmo tempo, porém, contribuíram para que a demanda crescesse de um modo quase incessante. Hoje, se todos adotassem o estilo de vida dos americanos, seriam necessários cinco planetas para atender as necessidades da população. Por isso, segundo Motesharrei e sua equipe, “achamos difícil evitar o colapso”.
A pesquisa da Nasa, no entanto, ressalta que o fim da civilização ainda pode ser evitado, desde que ela passe por grandes modificações. As principais são controlar a taxa de crescimento populacional e diminuir a dependência por recursos naturais — além disso, estes bens deveriam ser distribuídos de um modo mais igualitário.
No documento, a agência lida mais com análises teóricas. Outros estudos mostram como crises no clima ou em setores como o energético podem criar uma convulsão social.
Ignorância sobre o clima
Outra pesquisa, divulgada ontem pela Associação Americana para o Avanço da Ciência, faz uma espécie de cartilha para os principais debates sobre as mudanças climáticas.
Professor da Universidade da Califórnia, Mario Molina (vencedor do Nobel por ter descoberto a camada de ozônio) destaca que, devido às emissões de carbono, o clima é, hoje, mais imprevisível do que há milhões de anos. Molina alerta que os gases-estufa ficarão na atmosfera por mais de uma geração e que, por isso, é preciso tomar ações urgentes para reduz a emissão de gases-estufa.
Mesmo rodeado por fenômenos rigorosos, como nevascas e furacões, apenas 42% dos americanos acreditavam, em 2013, que a maioria dos cientistas estava convencido do aquecimento global. Molina ressalta que 97% da comunidade científica está certa da influência do homem. O relatório conclui que faltam informações básicas para a sociedade entender como é grave o momento atual.

terça-feira, 18 de março de 2014

* “A escravidão venceu no Brasil. Nunca foi abolida”.

Entrevista com Eduardo Viveiros de Castro


829709Fome, secas, epidemias, matanças: a Terra aproxima-se do apocalipse. Talvez daqui a 50 anos nem faça sentido falar em Brasil, como Estado-nação. Entretanto, há que resistir ao avanço do capitalismo. As redes sociais são uma nova hipótese de insurreição. Presente, passado e futuro, segundo um dos maiores pensadores brasileiros
IHU On-Line – Eduardo Viveiros de Castro, 62 anos, é o mais reconhecido e discutido antropólogo do Brasil. Acha que “a ditadura brasileira não acabou”, evoluiu para uma “democracia consentida”. Vê nas redes sociais, onde tem milhares de seguidores, a hipótese de uma nova espécie de guerrilha, ou resistência. Não perdoa a Lula da Silva ter optado pela via capitalista e acha que Dilma Rousseff tem uma relação “quase patológica” com a Amazônia e os índios. Não votará nela “nem sob pelotão de fuzilamento”.
Professor do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, autor de uma obra influente (destaque para A Inconstância da Alma Selvagem ou Araweté — O Povo do Ipixuna, este último editado em Portugal pela Assírio & Alvim), Viveiros de Castro é o criador do perspectivismo ameríndio, segundo a qual a humanidade é um ponto de vista: a onça vê-se como humana e vê o homem como animal; o porco vê-se como humano e vê a onça como animal. Humano é sempre quem olha.
Nesta longa entrevista, feita há um mês no seu apartamento da Baía de Botafogo — antes ainda da greve dos garis (homens e mulheres do lixo), um exemplo de revolta bem sucedida — e publicada nesse domingo pelo jornal português O Público, Viveiros foi da Copa do Mundo ao fim do mundo. Acredita que estamos à beira do apocalipse. Eis a entrevista.
Vê sinais de uma revolta nas ruas brasileiras? Aquilo que aconteceu em 2013 foi um levantamento mas não uma revolta generalizada. Acha que isso pode acontecer antes da Copa, ou durante?
É muito difícil separar o que você imagina que vai acontecer daquilo que você deseja que vá acontecer.
Vamos separar. O que desejaria que acontecesse?
Revolta popular durante a Copa.
E isso significa o quê, exatamente?
Manifestação. Não estou imaginando a queda da Bastilha nem a explosão de nada, mas gostaria que a população carioca o deixasse muito claro. Embora a Copa vá acontecer em várias cidades, creio que o Rio se tornou o epicentro do problema da Copa, em parte porque o jogo final será no Maracanã.
Mesmo nas manifestações, o Rio foi a cidade mais forte.
São Paulo também teve manifestações muito importantes, mais conectadas com o Movimento Passe Livre [MPL, estudantes que em Junho de 2013 iniciaram os protestos contra o aumento dos transportes]. Voltando ao que eu desejaria: que a população carioca manifestasse a sua insatisfação em relação à forma como a cidade está sendo transformada numa espécie de empresa, numa vitrine turística, colonizada pelo grande capital, com a construção de grandes hotéis, oferecendo oportunidades às grandes empreiteiras, um balcão de negócios, sob a desculpa de que a Copa iria trazer dinheiro, visibilidade, para o Brasil.
O problema é que vai trazer má visibilidade. Vai ser uma péssima propaganda para o Brasil. Primeiro, porque, se estou bem entendendo, vários compromissos contratuais com a FIFA não estão sendo honrados, atrasos muito grandes, etc. Segundo, porque essa ideia de que os brasileiros estão achando uma maravilha que a Copa se realize no Brasil pode ser desmentida de maneira escandalosa se os turistas, tão cobiçados, chegarem aqui e baterem de frente com povo nas ruas, brigando com a polícia, uma polícia despreparada, brutal, violenta, assassina. Tenho a impressão de que não vai fazer muito bem à imagem do Brasil.
Outra coisa importante é que a Copa foi vendida à opinião pública como algo que ia ser praticamente financiado pela iniciativa privada, que o dinheiro do povo, do contribuinte, ia ser pouco gasto. O que está se vendo é o contrário, o governo brasileiro investindo maciçamente, gastando dinheiro para essas reformas de estádios, dinheiro dos impostos. Então, nós estamos pagando para que a FIFA lucre. Porque quem lucra com as copas é a FIFA.
Desejaria que essa revolta impedisse mesmo a Copa?
Impedir a Copa é impossível, não adianta nem desejar. Não sei também se seria bom, poderia produzir alguma complicação diplomática, ou uma repressão muito violenta dentro do país. Existe uma campanha: Não Vai Ter Copa. O nome completo é: Sem Respeito aos Direitos Não Vai Ter Copa. No sentido desiderativo: não deveria haver, desejamos que não haja.
O que se está dizendo é que os direitos de várias camadas da população estão sendo brutalmente desrespeitados, com remoções forçadas de comunidades, desapropriando sem indemnização, modificando aspectos fundamentais da paisagem carioca sem nenhuma consulta. Isso tudo está irritando a população.
Mas não é só isso: a insatisfação com a Copa foi catalisada por várias outras que vieram surgindo nos últimos anos, que envolvem categorias sociais diversas, e não estão sendo organizadas nem controladas pelos partidos. Essas manifestações têm de tudo, uma quantidade imensa de pautas [reivindicações]. Tem gente que quer só fazer bagunça, tem gente de direita, infiltrados da polícia, neonazistas, anarquistas. Um conjunto complexo de fenômenos com uma combinação de causas. Uma coisa importante é que são transversais: tem gente pobre e de classe média misturada na rua. É a primeira vez que isso acontece. O que talvez tenha em comum é que são todos jovens. Da classe média alta à [favela da] Rocinha.
Mas agora não são muito expressivas em termos de números. E não são as favelas que estão em massa na rua.
As famosas massas ainda não desceram, e provavelmente não vão descer durante a Copa. Nem sei se vão descer em alguma momento, se existe isso no Brasil. Mas acho que vai haver uma quantidade de pequenas manifestações. Por exemplo, a Aldeia Maracanã [pequena comunidade de índios pressionada a sair, por causa das obras do estádio] produziu uma confusão muito grande, se você pensar no tamanho da população envolvida. Os moradores daquela casa eram 14 pessoas e não obstante mobilizaram destacamentos do Bope [tropa de elite], bombas, etc. Quem está, em grande parte, criando a movimentação popular é o estado, com a sua reação desproporcional. O Movimento Passe Livre ganhou aquela explosão em São Paulo por causa da brutalidade da reação policial. O Brasil nunca teve esse tipo de confronto entre a polícia e jovens manifestantes. A polícia não sabe como reagir, não tem um método, então reage de maneira brutal. Os próprios manifestantes não têm experiência de organização. O que estão chamando de black bloc não é a mesma coisa que black bloc na Dinamarca, na Alemanha ou nos Estados Unidos.
Mais volátil.
Ideologicamente pouco consistente. Sabemos que o black bloc europeu é essencialmente uma tática de proteção contra a polícia. Noutros países, como os Estados Unidos, tem uma certa tática de agressão a símbolos do capitalismo. Aqui no Rio está uma coisa meio misturada, ainda não se consolidou uma identidade, um perfil tático claro para o que se chama de black bloc. E eles estão sendo demonizados. Acho até que, no caso do Brasil, o fato de que sejam black coloca uma pequena ponta de racismo nessa indignação. Não duvido de que no imaginário da classe média por trás da máscara negra esteja também um rosto negro. Pobres, bandidos, etc.
Mas isso está acontecendo ao mesmo tempo que a polícia continua invadindo as favelas, matando 10, 12, 15 jovens por semana. Até recentemente esse comportamento clássico do estado diante da população muito pobre, isto é, mandar a polícia entrar e arrebentar, era algo que a classe média tomava como… [sinal de longínquo].
Porque se passava lá nos morros.
Quando a violência começou a atingir a classe média — ainda que uma bala de borracha não seja uma bala de fuzil, porque o que eles usam na favela é bala de verdade e o que eles usam na rua é bala de borracha, ainda assim você pode matar com bala de borracha, pode cegar, etc —, à medida que a polícia começou a atacar tanto a rua quanto o morro houve um aumento da percepção da classe média em relação à violência da polícia nas favelas, o que é novidade. A imprensa fez uma imensa campanha para santificar a polícia com a coisa das UPP [Unidade de Polícia Pacificadora, programa para acabar com o poder armado paralelo nas favelas, instalando a polícia lá dentro], mas todo o mundo está percebendo que essas UPP são no mínimo ambíguas. Basta ver o caso do [ajudante de pedreiro] Amarildo, que foi sequestrado, torturado e morto pela polícia [em Junho de 2013, na Rocinha], e sumiu da imprensa.
Vinte e cinco policiais foram indiciados.
Quero ver o que vai acontecer. Quem deu visibilidade à morte do Amarildo não foi a grande imprensa. Foram as redes sociais, os movimentos sociais. Essa morte é absolutamente banal, acontece toda a semana nas favelas, mas calhou de acontecer na altura das manifestações, então foi capturada pelos manifestantes, o que produziu uma solidariedade entre o morro e a rua que foi inédita.
Num país como este, em que a desigualdade, a violência, continuam, porque é que as massas não saem?
Quem dera que eu soubesse a resposta. Essa é a pergunta que a esquerda faz desde que existe no Brasil. Acho que há várias razões. O Brasil é um país muito diferente de todos os outros da América Latina, por exemplo da Argentina. Basta comparar a história para ver a diferença em termos de participação política, mobilização popular.
Tenho impressão de que isso se deve em larga medida à herança da escravidão no Brasil. O Brasil é um país muito mais racista do que os Estados Unidos. Claro que é um racismo diferente. O racismo americano é protestante. Mas no Brasil há um racismo político muito forte, não só ideológico como o americano, interpessoal. O Brasil é um país escravocrata, continua sendo. O imaginário profundo é escravocrata.
Você vê o caso do menino [mulato] amarrado no poste [no bairro do Flamengo, por uma milícia de classe média que o suspeitava assaltante] e que respondeu de uma maneira absolutamente trágica quando foi pego: mas meu senhor, eu não estava fazendo nada. Só essa expressão, “meu senhor”… O trágico foi essa expressão. Continuamos num mundo de senhores. Porque o outro era branco.
Como um DNA, algo que não acabou.
Não acabou, pois é. É o mito de que no Brasil todas as coisas se resolvem sem violência. Sem violência, entenda-se, sem revolta popular. Com muita violência mas sem revolta. A violência é a da polícia, do estado, do exército, mas não é a violência no sentido clássico, francês, revolucionário.
E toda a vez que acontecem coisas como essas manifestações de junho, por exemplo, há aquela sensação: dessa vez o morro vai descer. O morro não desceu. Em parte porque já não é mais o morro, boa parte do morro é de classe média. Evidentemente, houve um crescimento económico. As favelas da minha infância, nos anos 50, eram completamente diferentes, como essas vilas da Amazônia, feitas de lona preta. Hoje são casas de alvenaria, feitas de tijolos. Ainda assim a miséria continua. Quero dizer apenas que a distância entre a classe média e o morro diminuiu do ponto de vista económico.
Ao fazer ascender esses milhões da miséria, o PT neutralizou a revolução?
Em parte pode ser isso. Houve uma espécie de opção política forçada do PT, segundo a qual a única maneira de melhorar a renda dos pobres é não mexer na renda dos ricos. Ou seja, vamos ter que tirar o dinheiro de outro lugar. E de onde é que eles estão tirando? Do chão, literalmente. Destruindo o meio ambiente para poder vender soja, carne, para a China. Não está havendo redistribuição de renda, o que está havendo é aumento da renda produzida pela queima dos móveis da casa para aquecer a população, digamos. Está um pouquinho mais quente, não estamos morrendo de frio, mas estamos destruindo o Brasil central, devastando a Amazônia. Tudo foi feito para não botar a mão no bolso dos ricos. E não provocar os militares.
A ditadura brasileira não acabou. Nós vivemos numa democracia consentida pelos militares. Compare com a Argentina: porque é que no Brasil não houve julgamento dos militares envolvidos na tortura?  Porque os militares não deixam. Vamos ver o que vai acontecer agora, no dia 1 de Abril.
Com o aniversário do golpe militar.
Já existe uma campanha aí, subterrânea, para que no dia 31 de Março apaguem-se as luzes, toquem-se buzinas, para comemorar o 50º aniversário do golpe. Ou seja, existe uma campanha da direita para mostrar que a população ainda apoia a direita. Não sei que sucesso vai ter, mas não duvido que haja uma manifestação, oculta, pessoas que vão apagar as luzes das suas casas ou piscar as luzes à meia-noite, alguma coisa assim.
Mas nenhuma possibilidade de viragem à direita.
Não creio.
O atual regime não é uma democracia?
O Brasil é uma democracia formal, claro, mas consentida pelo status quo. A abertura foi permitida pelos militares. A Lei da Anistia foi imposta tal qual pelo governo militar. Eles não foram destronados, presos, criminalizados. Simplesmente foram anistiados. E boa parte do projecto de desenvolvimento nacional gestado durante a ditadura militar está sendo aplicado com a maior eficiência.
Pela esquerda.
Pela chamada esquerda, pela coalisão que está no poder, na qual a esquerda é uma parte mínima, porque tem os grandes proprietários de terra, os grandes empresários.
Está cumprindo um ideário que vem da ditadura?
PT é um partido operário do século XIX. Eles têm um modelo que é indústria, crescimento, como se o Brasil fosse os Estados Unidos do século XXI. Com grande consumo de energia. Uma concepção antiga, fora de sintonia com o mundo atual. Agora está começando a mudar um pouco, mas a falta de sensibilidade do governo para o fato de que o Brasil é um país que está localizado no planeta Terra, e não no céu, é muito grande. Eles não percebem. Acham que o Brasil é um mundo em si mesmo.
Ou seja, que não vai ser afetado pelo aquecimento global, etc.
É, que todas essas coisas são com os outros. Um pouco como acontece nos Estados Unidos, em países muito grandes. A única visão global que o Brasil tem é de se tornar uma potência geopolítica. O Brasil, hoje, é um ator maior, de primeira linha, em Moçambique, em Angola, nos países latino-americanos. Está disputando com a China pedaços de Moçambique. A Odebrecht está construindo hidroeléctricas [barragens] em Angola e assim por diante. O Brasil se imagina como potência que vai oprimir. Agora é a vez de sermos opressores, deixarmos de ser os oprimidos. Agora os brasileiros da vez vão ser os haitianos, os bolivianos, os paraguaios, que trabalham nas “sweetshops” de São Paulo, nas terras em que plantamos soja e etc. O PT nunca foi um partido de esquerda. É um partido que procurava transformar a classe operária numa classe operária americana.
E nunca o Brasil foi um país tão capitalista.
Minha mulher me contou que, conversando com um desconhecido, operador da bolsa de valores, isto em 2007, 2008, ele dizia: se eu soubesse que ia ser tão bom para nós jamais teria votado contra o Lula.
Onde está a esquerda? Qual é a sua opção de voto? Ou a opção deixou de ser votar?
Tanto a esquerda como a direita são posições políticas que você encontra dentro da classe média. A classe dominante é de direita de maneira genética, a grande burguesia, o grande capital. E os pobres, a classe trabalhadora… se eu fosse fazer um juízo de valor um pouco irresponsável diria que 60 a 70 por cento do Brasil estaria muito feliz com um governo autoritário, que desse dinheiro para comprar geladeira, televisão, carro, etc. Uma população que tem uma profunda desconfiança em relação a esses jovens quebradores de coisas na rua, que seria a favor da pena de morte, que é violentamente homofóbica.
Depois do garoto do Flamengo ter sido amarrado por aquela milícia, ouvi trabalhadores negros pobres dizerem: tem mais é que botar bandido na cadeia, fizeram foi pouco com ele.
Ou seja, é um país conservador, reacionário, em que os pobres colaboram com a sua opressão. Não todos, mas existe isso. A escravidão venceu no Brasil, ela nunca foi abolida. Sou muito pessimista em relação ao Brasil, digo francamente. Em relação ao passado e ao futuro. Em relação ao passado no sentido de que é um país que jamais se libertou do ethos, do imaginário profundo da escravidão, em que o sonho de todo o escravo é ser senhor de escravos, o sonho de todo o oprimido é ser o opressor. Daí essa reação: tem mais é que botar esses caras na cadeia. Em vez de se solidarizar. E podia ser o filho dele facilmente. E às vezes é o filho dele.
Oswald de Andrade, o poeta, dizia: “O Brasil nunca declarou a sua independência.” Em certo sentido é verdade, porque quem declarou a independência do Brasil foi Portugal, um rei português. Eu diria: e tão pouco aboliu a escravidão. Porque quem aboliu a escravidão foi a própria classe escravocrata. Não foi nenhuma revolta popular, nenhuma guerra civil. E em relação ao futuro sou pessimista porque… talvez ainda tenha um pouco de esperança, mas acho que o Brasil já perdeu a oportunidade de inventar uma nova forma de civilização. Um país que teria todas as condições para isso: ecológicas, geográficas.
Uma espécie de terceira via do mundo?
É, outra civilização. Porque civilização não é necessariamente transformar um país tropical numa cópia de segunda classe dos Estados Unidos ou da Europa, ou seja, de um país do hemisfério norte que tem características geográficas e culturais completamente diferentes.
Lembremos que houve um projeto explícito no Brasil, e que deu certo, que está dando certo, por isso é que sou pessimista, que é o projeto iniciado com Pedro II, em parte inspirado pelo célebre teórico racista Gobineau, que era uma grande admiração de D. Pedro: o Brasil só teria saída mediante o braqueamento da população, porque a escravidão tinha trazido uma tara, uma raça inferior.
Havia que lavar o sangue.
É uma ideia antiga, que já vem dos cristãos-novos que vieram de Portugal, que tinham de limpar o sangue. A gente sabe que quase toda a população portuguesa que se instalou no Brasil é de cristãos-novos, Diria que 70 por cento desses brancos orgulhosos de serem brasileiros são judeus, marranos, convertidos a ferro e fogo pela Inquisição. Então, havia essa ideia de que o Brasil era um país racialmente inferior porque era composto de negros, índios, portugueses com essa origem um pouco duvidosa. E já Portugal em si não é…
A Holanda.
Exato. Não é a coisa mais branca que podemos encontrar na Europa. A Península Ibérica é um pouco africana, foi dominada 800 anos pelos árabes. Então o Brasil só ia melhorar com branqueamento. Isso foi uma política de estado que durou décadas e trouxe para o Brasil milhões de imigrantes alemães, italianos, mais tarde japoneses. Com o propósito explícito de branquear, não só geneticamente, mas culturalmente e economicamente. E eles foram para o Sul, de São Paulo até ao Rio Grande. Mas, esse que é o ponto curioso, a partir do governo militar para cá essa população branca invadiu o Brasil, a Amazônia. A colonização da Amazônia a partir da década de 70 foi feita pelos gaúchos, muitos deles pobres, que foram expulsos, alemães pobres, italianos pobres, cujas pequenas propriedades fundiárias foram absorvidas pelos grandes proprietários, também gaúchos, também brancos, e que foram estimulados pelo governo, com subsídios, promessas mirabolantes, a irem para a Amazônia.
Hoje, tem um cinturão de cidades no sul da Amazônia com nomes como Porto dos GaúchosQuerência, que é um lugar onde se guarda o gado, típico do Rio Grande do Sul. Os gaúchos [de origem europeia] chegaram numa região temperada, subtropical [sul do Brasil] em que você podia mais ou menos copiar um tipo de estrutura agrícola, de produção alimentar do país de origem. Só que na Amazônia isso é uma abominação. É um preconceito muito difundido essa ideia de que pessoal do Norte não sabe trabalhar, é preguiçoso. Você ouve muito isto no Paraná, no Rio Grande do Sul. Quem sabe trabalhar é o colono alemão, italiano.
Hoje o Brasil foi branqueado. Essa cultura country aí é uma mistura de cultura europeia com cultura americana, de grande carrão, 4×4, pick ups, rodeos, chapéus americanos, botas. Existe um projeto de transformar o Brasil num país culturalmente do hemisfério norte, seja Estados Unidos, seja essa Europa mais reacionária. Porque estamos falando de colonos alemães que vieram do campesinato reacionário, bávaro, pomerano, e dos camponeses italianos, que eram entusiastas do nazismo e do fascismo na II Guerra. Continuam sendo. O que tem de grupo de extrema-direita no sul do Brasil é muito. O foco da direita fascista, nazista é o Paraná e o Rio Grande do Sul. Então o Brasil é um país dividido entre um sul branco e o resto não branco, português, negro no litoral, índio no interior.
O censo da população dá por uma unha uma maioria não-branca.
O agronegócio é na verdade o modelo gaúcho, desenvolvido no pampa, nos campos do Rio Grande. Plantação extensa de monocultura, de soja, de arroz, de cana. Então o Brasil está perdendo a oportunidade de se constituir como um novo modelo de civilização propriamente tropical, com uma nova relação entre as raças, que fosse efetivamente multinacional. Um país que se constituiu em cima do genocídio indígena, da escravidão, da monocultura. Que continua fazendo o que fez desde que foi criado, exportando produtos agrícolas. Que continua a alimentar os países industrializados. Primeiro a Europa, depois os Estados Unidos, agora a China. Continua sendo o celeiro do capitalismo.
E o matadouro.
O segundo maior rebanho bovino do mundo, depois da Austrália. Um país que se está destruindo a si mesmo para se transformar numa caricatura dos países que lhe servem de modelo cultural. Em vez de, ao contrário, saber utilizar a sua situação geográfica altamente privilegiada, a sua situação demográfica, uma população imensa, para construir um novo estilo de civilização.
O senhor está descrevendo a derrota do “Manifesto Antropófago” de Oswald de Andrade [visão de um Brasil que se torna forte por comer, absorver o outro]
É, acho que sim. Bom, nenhuma derrota é definitiva. O meu pessimismo nem passa tanto pelo fato de que o Brasil não tem jeito, porque acho que ainda poderia haver uma revolução antropofágica no Brasil. Mas hoje isso é uma questão que já não teria mais sentido colocar pelo simples fato de que estamos numa situação planetária em que a catástrofe já se iniciou. O mundo está entrando, num sentido físico, termodinâmico, num outro regime ambiental que vai produzir catástrofes humanas jamais vistas, no meu entender: fome, epidemias, secas, mudança de regime hidrológico, tudo. Nessas circunstâncias, é possível que cheguemos a um momento em que noções como Brasil, Estados Unidos, países, comecem a perder a sua nitidez. Pode ser que daqui a 50 anos a palavra Brasil não tenha mais nenhum sentido. Que tenhamos que falar em Terra.
É um pré-apocalipse?
Dira que sim. Isabelle Stengers, filósofa belga, diz que a palavra crise não é adequada porque supõe que você pode superá-la, quando o que estamos vivendo é uma situação que não tem um voltar atrás. Vamos ter que conviver com ela para sempre. Um novo regime do mundo, de climas, de águas, não haverá mais peixes, os estoques estão acabando no mundo, a quantidade de refugiados que vão invadir a Europa vai ser brutal nas próximas décadas. Se a temperatura subir quatro graus, que é o que todos os climatologistas estão imaginando, isso vai produzir uma mudança total no que é viver na Terra. E a quantidade de africanos que vai invadir a Europa vai ser um pouco maior do que aqueles pobres que morrem afogados ali em Lampedusa. E como os países ricos vão reagir? É uma questão interessante. Vai ser com armas atômicas? Vão bombardear quem? O meu pessimismo passa mais por aí.
No Brasil as crises são estritamente políticas. Faz reforma política? Vai ter revolta da população? Será que há Copa? Tudo isso é verdade, fundamental, mas a gente não pode perder de vista o cenário mais amplo.
Não vê ninguém no Brasil, politicamente, que tenha uma visão ampla? O senhor votou na Marina Silva [nas últimas presidenciais].
Votei na Marina em 2010, com certeza. Não tenho certeza nenhuma de que votaria nela em 2014, talvez não.
Eduardo Campos [candidato pernambucano que fez uma aliança com Marina]?
De forma nenhuma. A Dilma, nem sob pelotão de fuzilamento voto nela. Esses idiotas do PSDB nem pensar. Então talvez eu não vote. Talvez vote nulo.
Qual é a missão, o papel, a hipótese para alguém como o senhor? Virar uma espécie de guerrilheiro nas redes sociais?
É. Eu diria que a revolução antropofágica do Oswald de Andrade só é possível sob o modo da guerrilha. Estamos falando de uma coisa que foi pensada em 1928…
Mas que foi revivendo, anos 60, agora.
Oswald, um homem da classe dominante, pensava no Brasil como uma coisa sobre a qual você podia pôr e dispor. Nesse sentido, ele pertence à geração dos teóricos do Brasil, que eram todos da elite dominante paulistana ou pernambucana: Gilberto Freyre, Caio Prado Júnior. Os modernistas eram uma teoria do Brasil, de como o Brasil deve ser organizado, governado.
Talvez os muitos povos brasileiros que compõem esse país só tenham chance de ganhar uma certa emancipação cultural, política, metafísica, no contexto do declínio geral do planeta. Nessas condições é possível que haja esperança para os negros, os índios, os quilombolas [descendentes de escravos], os gays, os pobres desse planeta favela. Não esqueçamos que o mundo tem três bilhões e meio de habitantes vivendo em cidade, metade da população mundial. Desses, no mínimo um bilhão vive em favelas. Ou seja, um sétimo da população mundial vive em favelas. O Brasil deve ter uma proporção maior que a Alemanha, Estados Unidos. Diria que deve andar na casa dos 30 milhões. [A população de] um bom país europeu.
Seria uma guerrilha nas redes sociais? Admite o uso de violência ou uma guerrilha virtual apenas?
Nem uma coisa nem outra. A existência da Internet mudou as condições da guerra, em geral, sim. O maior ato de guerra recente, no bom sentido, de que me consigo lembrar foi o Edward Snowden. Não mais os Estados Unidos espionando a Rússia, nem a Rússia espionando os Estados Unidos, mas o vazamento de informações secretas dos estados. Isso é muito significativo. Um jornalista morando aqui no Rio de Janeiro, que trabalha para um jornal inglês, que recebeu informações de um analista americano, que estava escondido em Hong Kong: isso só é possível com Internet. As redes sociais mudaram completamente as condições de resistência ao capitalismo.
Uma nova forma de guerrilha?
Que não é necessariamente violenta, embora exista o problema do hacker, do bombardeio de sistema eletrônico. Mas o que penso não é bem por aí. Quando penso em guerrilha, é no sentido de combates locais, ponto a ponto. Não estou falando de quebrar a porta do banco ou bater na polícia. Falo em combates em que você seja capaz de conectar combates locais através do mundo inteiro.
Existem formas novas de resistência e aliança entre as minorias étnicas, culturais, econômicas do planeta que passam pela conectividade universal da rede, que é frágil, ao contrário do que se imagina, com pontos fracos, nós, gargalos, em que os Estados Unidos têm um poder muito grande. Mas eu diria que é muito difícil controlá-la até porque essa rede é indispensável para o capitalismo. Difícil o capitalismo danificá-la demais, senão vai perder seu principal instrumento hoje. Ainda que haja várias tentativas, no Brasil inclusive, de vigilância.
É possível que a gente passe para um estado de vigilância à la George Orwell. Tudo isso é possível. Mas acho também que a situação atual permite o desenvolvimento de uma guerrilha de informação, muito mais que de ação física, porque a informação hoje é uma mercadoria fundamental, estamos na economia do conhecimento, então a guerra é uma guerra também pela informação. É por aí que tenho alguma esperança, muito mais que numa saída nas ruas, com ancinhos, forcados, machetes.
Parar de imaginar uma luta de classes e imaginar uma guerrilha de classes. Classe definida, agora, não só de maneira classicamente econômica mas no contexto da nova economia, que mudou a composição de classes. Vários intelectuais hoje pertencem à classe dominada, operária. Então, vejo mais uma guerrilha do que uma guerra, com a vantagem de que as guerras em geral terminam na constituição de um novo poder totalitário, um novo terror. O “Manifesto Antropófago” pode acabar se realizando mais por esse lado. O sonho clássico da revolução, como transformação de um estado A em estado B é um sonho pouco interessante.
Não há desfecho.
Não há desfecho. Prefiro falar em insurreição do que em revolução, hoje. Um estado de insurreição permanente como resistência. A palavra talvez seja mais resistência, insurreição, do que revolução e guerra. Guerrilha é sempre de resistência. O modelo da resistência francesa [na ocupação alemã], criar redes subterrâneas de comunicação. Estamos nessa posição, somos um planeta invadido por alienígenas, digamos, que é o grande capital, a TV Globo, o agronegócio, a hegemonia norte-americana sobre os sistemas de entretenimento; como é que você cria uma rede de resistência a esses “alemães”? Sou um ativista das redes, de fato. Mas não convoco para manifestações, não pertenço a nenhuma organização, estou um pouco velho para sair na rua.
Nota: A imagem que ilustra a reportagem é de Déborah Danowski.

domingo, 2 de março de 2014

* Qual é a origem do aplauso?

Survivors_of_the_attack_on_Pearl_Harbor_receive_applause_at_the_Pearl_Harbor_Visitor_Center_in_Hawaii_121207-N-DB801-198
O ato de bater as palmas das mãos em sinal de aprovação tem origem desconhecida, mas existe há pelo menos 3 000 anos. Nessa época, o gesto era essencialmente religioso, popularizado em rituais pagãos de diversos povos como um barulho destinado a chamar a atenção dos deuses. No teatro clássico grego, tornou-se, então, a forma pela qual os artistas pediam à platéia que invocasse os espíritos protetores das artes. O costume chegou ao Império Romano, onde passou a ser comum nos discursos políticos. Preocupado com a repercussão de suas aparições públicas, o imperador Nero carregava uma claque com mais de 5 000 soldados e cavaleiros. Dali, o costume espalhou-se para o resto do mundo. Nos séculos XVIII e XIX, quase todos os teatros de Paris contratavam pessoas que tinham uma única função na platéia: aplaudir. O truque continua utilizado até hoje pelas emissoras de TV, especialmente em programas de auditório. Agora, bater palmas para marcar o ritmo de uma música é provavelmente um costume muito mais antigo.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

* Estudo de terreno para construir Brasília foi feito antes de Juscelino

Empresa americana produziu imagens aéreas que ajudaram a projetar a capitalDocumentos inéditos mostram que um estudo da topografia e do relevo do DF serviu de base para Lucio Costa definir o projeto da nova capital. O material foi produzido antes mesmo da eleição de JK

Publicação: 12/07/2013 06:04 Atualização: 12/07/2013 08:29

QUEBRA-CABEÇA: Milhares de fotografias aéreas foram usadas para compor mapa do local que abrigaria o novo Distrito Federal (Iano Andrade/CB/D.A Press)
QUEBRA-CABEÇA: Milhares de fotografias aéreas
foram usadas para compor mapa do local
que abrigaria o novo Distrito Federal

Antes de Juscelino Kubitschek ser eleito presidente e anunciar a construção de Brasília, já havia um estudo completo e detalhado da topografia e do relevo da área onde seria erguida a nova capital. A pesquisa contava com mais de mil mapas e fotografias aéreas. Tudo acabou usado pelos engenheiros comandados por Lucio Costa para tirar o Plano Piloto do papel. Mas esse material acabou esquecido na burocracia estatal, até três semanas atrás, quando um historiador do Arquivo Público do Distrito Federal os identificou em meio aos milhões de documentos guardados no órgão, que nunca teve sede própria e funciona inadequadamente nas dependências da Novacap.


Produzidas entre 1954 e 1957 pela empresa norte-americana Donald J. Belcher Associados, com sede em Nova York, as mais de mil plantas e imagens revelam que o terreno de Brasília não era tão plano e regular como vemos hoje. Havia muitos obstáculos, como morros, imensos buracos e vários córregos e ribeirões. “Esses documentos se referem aos estudos do terreno necessário para que fossem construídos os prédios, ou seja, a cidade visível hoje. Vendo as fotos, dá para se ter uma ideia de quanta terra foi mexida e retirada para a construção de Brasília. Algo, na verdade, inimaginável”, comenta o historiador Wilson Vieira Júnior, responsável pelo resgate dos documentos.

Responsável pelo resgate do material, Wilson Vieira Júnior revela que os documentos estavam esquecidos na mapoteca  (Iano Andrade/CB/D.A Press)
Responsável pelo resgate do material, Wilson Vieira Júnior revela que os documentos estavam esquecidos na mapoteca

O então presidente da República, Café Filho, nomeou o marechal José Pessoa Cavalcanti Albuquerque para coordenar o trabalho de registro da área onde viria a ser construído o novo Distrito Federal. A equipe ganhou o nome oficial de Comissão de Localização da Nova Capital Federal. Não era o primeiro grupo criado por um presidente com a finalidade de levantar dados sobre uma área para a mudança da capital do Rio de Janeiro para o Centro-Oeste (veja quadro). No entanto, foi o pioneiro em uso de fotografias aéreas e a que produziu os mais detalhados mapas do relevo do Planalto Central. O material também foi usado na desapropriação das terras onde seria erguida a cidade.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

* A vida de Lampião vai virar filme?

O cinema nacional está a todo vapor com as produções sobre os grandes nomes da nossa história. Agora chegou a vez de Virgulino Ferreira da Silva, o cangaceiro Lampião. O ator Paulo Goulart Filho confirmou que será o protagonista, em entrevista ao Programa do Jô. A idéia é que as filmagens aconteçam no primeiro semestre de 2013, no Ceará, na Paraíba, em Pernambuco e Sergipe. 
O filme será dirigido por Bruno Azevedo e ele já disse que sua intenção é mostrar um lado mais humano de Lampião e não ser uma cinebiografia, porém em momento algum há interesse em glorificar a imagem do cangaceiro.
Virgulino Ferreira da Silva
Queremos mostrar que talvez o outro lado deste personagem possa ser mais interessante do que o lado sanguinário, assassino e saqueador que conhecemos. Mostraremos um lado sobre Lampião que poucas pessoas conhecem. Trata-se de uma mega produção, não uma biografia, e, sim, um filme de ficção baseado em fatos reais, com muitos efeitos especiais, um super elenco e uma forma diferente de fazer cinema no Brasil, contribuindo, significativamente, para a construção de uma nova identidade cultural do cinema nacional”, destaca Azevedo em entrevista ao jornal Gazeta do Oeste.
Sobre a confirmação de Goulart, o diretor disse que ainda quer mais nomes populares:
Lampião será interpretado por Paulo Goulart Filho. São muitos os atores e convidados e também atrizes. Temos um universo quase que infindo para explorarmos novos personagens e compor um time fantástico de elenco. mas o carro chefe do filme é formado por três personagens, Lampião, Maria Bonita e Corisco, nesta ordem convidamos Paulo Goulart Filho, Alice Braga e Rodrigo Santoro, porém, a única confirmação certa que temos até agora é de Paulo Goulart. Alice e Rodrigo estão aguardando a definição de suas agendas para que saibamos se haverá ou não possibilidade de filmarmos com eles, já que pretendemos iniciar nossa produção logo após o carnaval de 2013. Porém, participações de um elenco de primeira eu posso garantir a todos, além, é claro, de alguns atores e atrizes que ainda não são famosos perante o conhecimento do público, e que estão sendo escolhidos em cada uma das cidades por onde iremos filmar. Assim, não só valorizamos o talento de artistas regionais, como também deixamos o filme com uma identidade mais realista e com a cara do nordeste brasileiro”.

Sobre o fato de produzir um filme sobre um “vilão” que ficou marcado como um personagem macabro da história do Nordeste, ele rebate:
Há relatos de que Lampião tirava dos ricos e dava aos pobres. Cometeu, sim, muitas atrocidades, porém, em pesquisa recente, foi perguntado para muitas pessoas no Nordeste: Lampião, herói ou bandido? 94% das respostas foram: herói! Portanto, é difícil classificar a característica exata de um personagem como este. O que queremos mostrar no filme é um perfil de anti-herói, mas que, ainda assim, tem seu carisma, seu respeito, seu senso de justiça. Lá fora, nas produções hollywoodianas, isso funciona muito bem, com heróis que fazem justiça com as próprias mãos e agem contra o sistema corrupto em prol dos mais necessitados. Claro que não queremos incentivar ninguém a fazer justiça com as próprias mãos, ainda mais da maneira como Lampião fazia. O que queremos é mostrar que existem lados desconhecidos deste personagem. Sua relação com seus amigos do bando, o código de ética e respeito, a paixão por Maria Bonita, a cumplicidade de todos, o código de fidelidade, sua vaidade com as roupas, perfumes, penteados, etc”.
O lançamento está previsto para o fim de 2013 ou começo de 2014.
Veja a entrevista com o futuro intérprete de Lampião no programa do JÔ: http://programadojo.globo.com/videos/t/videos/v/jo-recebe-paulo-goulart-filho/2275310/
Fonte: Cinema com Rapadura

 

sábado, 9 de abril de 2011

* Diretor de Relações Públicas do GRUCALP entrevistado dia 07 de Abril/2011

Dia 07 de Abril Jaorish Gomes Teles da Silva, Diretor de Relações Públicas do GRUCALP foi entrevistado pelo locutor Mávio Alves, no Programa Falando Sério da Rádio Cultura dos Palmares AM.
Eis os clipes registrando a entrevista:


Jaorish fala sobre como o Centro Cultural dos Palmares foi instalado num imóvel onde foi adaptado o Cineteatro Professor Miguel Jasselli (homenagem ao educador e diretor de teatro que muito marcou a História palmarense e foi o primeiro diretor de teatro de Hermilo Borba Filho).
O locutor aborda o tema de que em Palmares somente se fala mais em Hermilo Borba Filho e em Ascenso Ferreira, e Jaorish explica como eles marcaram a História da Cultura Pernambucana e levaram o nome de Palmares até para o exterior através de obras centralizadas nos costumes e fatos da Região Mata Sul Pernambucana.
Comenta como Jayme Griz também muito marcou a História palmarense, principalmente porque ocupou cadeira na Academia Pernambucana de Letras, compondo obras com a linguagem regional da Mata Sul Pernambucana e escrevendo sobre nossos costumes.
Explica como o Centro Cultural do GRUCALP mantém trabalhos de preservação cultural e atividades artísticas atualmente.


Neste seguimento da entrevista, Jaorish fala sobre o poeta Ascenso Ferreira e sua grande contribuição para divulgar Palmares porque seus poemas abordam costumes da Mata Sul Pernambucana.
Explicações sobre o Clube Literário dos Palmares que no final do Século XIX exerceu ações expressivas principalmente em prol da Abolição da Escravatura e do Movimento Republicano.
Conta sobre como o poeta Milton Souto, autor do Hino Municipal dos Palmares, nomeou o local onde o GRUCALP funcionava como Centro Cultural dos Palmares.
Jaorish enaltece muito Jayme Griz, poeta Palmarense que ocupou cadeira na Academia Pernambucana de Letras.
Numa fase de repressão, foi criado o GRUCALP, logo quando o Clube Literário dos Palmares e a Academia Palmarense de Letras estavam desativadas.


Nesta parte da entrevista cedida ao Programa Falando Sério, da Rádio Cultura dos Palmares (www.rcpalmares.com.br), Jaorish explica como o Núcleo Municipal da União Brasileira de Escritores (U.B.E.), está mantendo atividades no Centro Cultural do GRUCALP. Cita os fundadores do Núcleo: Telles Júnior, Jaorish, José Maria Sales, Vilmar Carvalho, Antonio Caetano e Célio Queiroz. E conta como foi realizada a Primeira Semana Palmarense da Poesia, ocorrida no Centro Cultural do GRUCALP, de 14 à 18 de Março de 2011 aglutinando literatos, tais como Nonato Baraka, José Maria Sales, Rosa Maria, Luciano França, Manoel José da Silva Filho, entre outros, nos encontros com estudantes durante aquele evento.
Relatos sobre eventos ocorridos no Centro Cultural do GRUCALP: Festival de Música, Concerto com um autêntico Stradivarius, SEmana da Poesia e Dia Mundial do Teatro. E sobre as exibições de filmes educativos e produções cinematográficas premiadas longas metragens, etc. Explicou que tudo feito sem usar os recursos financeiros do Projeto Ponto de Cultura e somente a partir de Abril essa verba será usada.


Nesta quarta parte da entrevista cedida por Jaorish no Programa Falando Sério, da Rádio Cultura dos Palmares (www.rcpalmares.com.br), dia 07 de abril de 2011, aborda:
Cursos de Artesanato, ARte Culinária, TEatro, Dança, Capoeira, Música do Centro Cultural do GRUCALP
Peça Teatral que será apresentada no Cineteatro Professor Miguel Jasselli, do Centro Cultural do GRUCALP, e os alunos dos cursos ganharão ingressos.
Voltando ao assunto do Clube LIterário dos Palmares, Jaorish conta como grandes nomes intelectuais foram atraídos para o Clube, tais como o Conde D'Eu, Joaquim Nabuco, Silva Jardim.
Cita Palmares como pioneiro no interior do Estado na luta pela Abolição da Escravidão e pela República. Por isso a Cidade tem tradições de rebeldias. Ainda hoje os artistas são rebeldes e não devem baixar a cabeça para nenhum lider de pistolagens ou coroneizinhos politiqueiros.
A produção artesanal do GRUCALP centralizada no beneficiamento da bananeira da qual tudo se aproveita.
Comenta que mesmo propondo parcerias com o Governo Municipal dos Palmares há meses, ainda espera respostas sobre as propostas.


Nesta quinta parte da entrevista cedida por Jaorish ao Locutor Mávio Alves, no Programa Falando Sério da Rádio Cultura dos Palmares (www.rcpalmares.com.br), abordam os temas:
Primeira Semana da Consciência Quilombola, na qual teve parcerias com o Centro de Educação e Cultura Daruê Malungo do Recife e com ONGs locais, e, com a Rádio Cultura dos Palmares.
50 anos de criação do GRUCALP já está em preparação
Citam nomes de Membros do GRUCALP que têm projeção noutros Estados, tais como Flavinho do Recife, João de Castro Ribeiro...


GRUCALP agradece à Rádio Cultura dos Palmares pela parceria ao divulgar as ações do nosso Movimento Cultural.

*
*
*

segunda-feira, 13 de julho de 2009

* Hoje é o 81º Aniversário de nascimento de Telles Júnior!


Hoje é comemorado o 81º Aniversário de nascimento do artista Telles Júnior!

Veja o site do artista (pintor, escultor, poeta, ator, diretor de teatro, compositor de músicas, locutor, esoterista) e saiba mais sobre sua vida e obras artísticas (poemas, fotos de esculturas e de pinturas): www.tellesjunior.xpg.com.br
Quem viveu a vida na arte e a arte em vida conseguiu a Eternidade! Imortalidade pela obra deixada no mundo!
No programa "Cultura e o seu redator", a Rádio Cultura dos Palmares AM (http://www.rcpalmares.com.br ) homenageou o artista. Inicialmente, nas notas de aniversários do dia, com o repórter Alberto Passos e depois no programa citado, na voz do locutor Humberto Araújo (Humberto chicote).

Agradecemos a ao carinho dos amigos que fazem a Rádio da integração regional da Mata Sul Pernambucana! A pioneira na região!
Parabéns Telles Júnior!
Beijos e abraços de todos os que fazem o GRUCALP e todos os artistas palmarenses!
Acima, foto do Museu Telles Júnior - Rua Antonio Becco, 138 Centro - Palmares - PE (o primeiro Museu da Cidade dos Palmares, criado pela família do artista, no local onde funcionava o atelier dele, num anexo da residência).
O espaço cultural está necessitando restauração. Família sem recursos para manter e sem verbas públicas direcionadas para os fins devidos, obras de artes e acervos diversos de escritos, pertences pessoais, estão em ambiente impregnado de fungos, cupins, goteiras, etc...
O GRUCALP iniciará uma campanha de restauração do Museu Telles Júnior.
Clipes sobre a vida e obra de Telles Júnior veja nos canais:
*

terça-feira, 9 de junho de 2009

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

* Intolerância e ódio



O contexto histórico do conflito de Gaza, de dois povos lutando por um mesmo território, é um drama humano que não pode ser explicado nem resolvido usando esquemas ideológicos.
Somente o diálogo e a negociação poderão encontrar uma solução política que dê ponto final aos erros acumulados pelos líderes de ambas as partes, e que terminam resultando em guerras periódicas.
Entendo a simpatia de alguns com os palestinos e a preocupação de outros com a segurança de Israel.
Mas em nenhum dos dois casos é aceitável o apoio acrítico a líderes radicais, sejam israelenses que não se dispõem a devolver os territórios conquistados, sejam palestinos que sustentam um programa político que propõe a destruição do Estado de Israel.
Quem quer entender o atual conflito em Gaza e está preocupado em contribuir para uma agenda de paz, deve abandonar visões simplistas, maniqueístas, onde um lado representa o bem e o outro lado, o mal. A pergunta que devemos nos colocar, nós que temos a sorte de estar longe da zona de guerra, é o que pode ser feito para avançar a causa da paz.
Infelizmente, muitos intelectuais e partidos instrumentalizam o conflito para avançar suas a próprias agendas políticas. Que agenda é essa? A de atacar o grande inimigo, os Estados Unidos, e todos aqueles que são definidos como seus associados.
Trata-se de uma agenda que nada tem a ver com a preocupação efetiva com o sofrimento humano, pois esses intelectuais e organizações nada fizeram frente a massacres gigantescos. Seja em Chechênia, Sudão, Curdistão, Tibete, Ruanda, nossos intelectuais "engajados" se calaram.
Para eles os direitos humanos só devem ser defendidos se eles se encaixam no marco da ideologia política.
Quem quer a guerra vê o demônio no outro. Sempre lutei contra aqueles que procuravam assimilar Arafat a Hitler e o movimento palestino, ao nazismo. Hoje devo enfrentar aqueles que procuram associar o Estado de Israel ao nazismo. Trata-se de uma mentira deslavada. Hitler exterminou sistematicamente todos os judeus, sejam cidadãos alemães ou aqueles que se encontravam nos territórios ocupados pela Alemanha nazista. Quando finalizou a guerra que criou o Estado de Israel, em 1949, lá viviam 120.000 árabes, e hoje são mais de um milhão. O número de refugiados palestinos era aproximadamente de 500.000, hoje eles e seus descentes somam mais de 4 milhões.
As palavras não são ingênuas.
Não se trata de negar o sofrimento pelo qual passou e passa o povo palestino.
Mas não desvalorizemos os fatos históricos, e lembremos, sobretudo, que desumanizar o adversário é o primeiro passo para justificar a sua destruição.
O Partido dos Trabalhadores fez uma declaração pública relacionando Israel com o nazismo, argumentando que nos ataques israelenses morreram civis, assim como os nazis também atacaram alvos civis. Como eles certamente não são ignorantes, sabem que isso acontece em todos os confrontos, sem nenhuma exceção, em que o inimigo se mistura à população local, sendo praticamente impossível enfrentá-lo sem baixas civis.
Aclaremos: a questão que estou discutindo não é se o ataque israelense se justifica ou não. A questão é a vontade de associar Israel com o nazismo, pelo uso manipulador de uma analogia. Ela é uma agressão moral para um povo que atravessou o Holocausto. Não sei a razão que os motiva, se antissemitismo mal elaborado ou vontade de atingir indiretamente os Estados Unidos. Mas, certamente, com esse tipo de argumentação, dificilmente eles terão algum papel entre aqueles que procuram avançar a causa da paz na região.
As negociações políticas não são do interesse de extremistas, sejam palestinos ou israelenses. Tampouco de partidos políticos e intelectuais com agendas ideológicas que nada têm a ver com o drama dos povos da região.
O Brasil é um país com imensos problemas sociais, mas em vários sentidos representa um exemplo para o mundo de convivência entre etnias e religiões. Não podemos permitir que um país abençoado pela própria cultura seja contaminado pela intolerância e o ódio.


BERNARDO SORJ é professor de sociologia da UFRJ e diretor do Centro Edelstein de Pesquisas Sociais.