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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

* Organizações debatem em La Paz projetos antiimperialistas para a América Latina

Com uma agenda voltada para a unificação dos países latino-americanos em torno de um projeto político-social mais justo, o XX Encontro do Foro de São Paulo (FSP) acontece de 25 a 29 de agosto na cidade de La Paz, capital da Bolívia. Partidos políticos e organizações de esquerda se reúnem em torno da construção de caminhos para superar a desigualdade social na América Latina e minimizar o avanço das forças capitalistas, neoliberais e imperialistas no continente, com vistas a um desenvolvimento próprio e integrado.
Abertura do XX Foro de São Paulo em La Paz

Durante o evento, com o tema "Derrotar a pobreza e a contraofensiva imperialista, conquistar o bem-viver, o desenvolvimento e a integração em Nossa América”, será realizado um balanço dos governos progressistas, dos governos esquerdistas e da contraofensiva imperialista promovida pelos Estados Unidos na região. Para isso, estão sendo discutidas as conjunturas econômicas e políticas em âmbito regional e internacional, debatendo processos de integração, panoramas político-eleitorais, lutas sociais e planos de ação.
Na compreensão de Fabian Solano Moreno, membro do Partido Socialista Frente Ampla Equador, a revolução cubana, ocorrida desde os anos 1950, ainda semeia, por todo o continente, a construção de uma maneira diferente de ver a sociedade, fundamentando mudanças estruturais profundas. "Com as organizações políticas que têm chegado a esses governos temos mostrado eficiência e capacidade, (...) dizendo ao mundo que a ideologia socialista está mais viva do que nunca”, afirmou ao site do FSP.
A secretária-executiva do Foro de São Paulo, Mônica Valente, explica que o encontro é um momento de integração regional e participação popular, um espaço para reflexão e formação política para militantes e membros do FSP. "Quando começamos o FSP, quase 25 anos atrás, tínhamos somente Cuba com um governo socialista, e não neoliberal. Hoje em dia, temos mais de 10 países governados por partidos que fazem parte do FSP”, destaca, no site do FSP.
Nesse contexto, serão levantadas questões acerca das posturas adotadas pelos partidos esquerdistas que, hoje, ocupam espaço de poder institucional nas políticas nacionais, em seus diversos âmbitos. "Um dos pontos mais importantes (...) é bem simples: manifestar que todo projeto de integração latino-americana e caribenha, enquanto os problemas coloniais das Ilhas Malvinas e de Porto Rico não se solucionem, não estará completo”, destaca Gustavo Enrique, coordenador da Frente Socialista de Porto Rico, em entrevista publicada no site do FSP.
Assista ao vídeo da inauguração do Foro:



Temas debatidos
Nos cinco dias do encontro, serão discutidos temas como a crise do capitalismo e suas estratégias progressistas e revolucionárias, a participação política da juventude, independência, descolonização, soberania e livre determinação, e o fim do conflito armado. Compõem a pauta também assuntos como desenvolvimento agrário integral, narcotráfico e consumo de drogas ilícitas.
Entenda o Foro
O Foro de São Paulo foi criado em 1990, quando partidos políticos da América Latina e Caribe se reuniram com o objetivo de debater a nova conjuntura internacional pós-queda do Muro de Berlim (em 1989) e as consequências da implantação de políticas neoliberais pela maioria dos governos da região. A proposta principal é discutir alternativas populares e democráticas ao neoliberalismo, que estava entrando na fase de ampla implementação mundial.
Mais informações: www.forodesaopaulo.org.

quarta-feira, 12 de março de 2014

* Mujica, teórico da transição pós-capitalista?


Mujica, teórico da transição pós-capitalista?
Em entrevista inédita no Brasil, presidente uruguaio debate causas do fracasso do “socialismo real” e afirma: para superar sistema, é preciso começar pelo choque de valores
Cada vez mais popular tanto nas redes sociais como na mídia tradicional, o presidente do Uruguai, Pepe Mujica, arrisca-se a sofrer um processo de diluição de imagem semelhante ao que atingiu Nelson Mandela. Aos poucos, cultua-se o mito, esvaziado de sentidos — e se esquecem suas ideias e batalhas. Por isso, vale ler o diálogo que Pepe manteve, no final do ano passado, com o jornalista catalão Antoni Traveria. Publicada no site argentino El Puercoespínentrevista revela um presidente que vai muito além do simpático bonachão que despreza cerimônias e luxos.
Mujica, que viveu a luta armada e compartilhou os projetos da esquerda leninista, parece um crítico arguto das experiências socialistas do século XX. Coloca em xeque, em especial, uma crença trágica que marcou a União Soviética e os países que nela se inspiraram: a ideia de que o essencial, para construir uma nova sociedade, era alterar as bases materiais da produção de riquezas. ”Não se constrói socialismo com pedreiros, capatazes e mestres de obra capitalistas”, ironiza o presidente. Não se trata de uma constatação lastimosa sobre o passado ou de um desalento. Mujica mantém-se convicto de que o sistema em que estamos mergulhados precisa e pode ser superado. Mas será um processo lento, como toda a mudança de mentalidades, e precisa priorizar o choque de valores: tornar cada vez mais clara a mediocridade da vida burguesa e apontar modos alternativos de convívio e produção. Leia a seguir, alguns dos trechos centrais da entrevista:
Fonte: Outras Palavras
“A batalha agora é muito mais longa. As mudanças materiais, as relações de propriedade, nem sequer são o mais importante. O fundamental são as mudanças culturais e estas transformações exigem muitíssimo tempo. Mesmo nós, que não podemos aceitar filosoficamente o capitalismo, estamos cercados de capitalismo em todos os usos e costumes de nossas vidas, de nossas sociedades. Ninguém escapa à densa malha do mercado, a sua tirania. Estamos em luta pela igualdade e para amortecer por todos os meios as vergonhas sociais. Temos que aplicar políticas fiscais que ajudem a repartir — ainda que seja uma parte do excedente — em favor dos desfavorecidos. Os setores proprietários dizem que não se deve dar o peixe, mas ensinar as pessoas a pescar; mas quando destroçamos seu barco, roubamos sua vara e tiramos seus anzóis, é preciso começar dando-lhes o peixe”.
“A vida é muito bela e é preciso procurar fazer as coisas enquanto a sociedade real funciona, ainda que seja capitalista. Tenho que cobrar impostos para mitigar as enormes dificuldades sociais; ao mesmo tempo, não posso cair no conformismo crônico de pensar que reformando o capitalismo vou a algum lado. Não podemos substituir as forças produtivas da noite para o dia, nem em dez anos. São processos que precisam de coparticipação e inteligência. Ao mesmo tempo em que lutamos para transformar o futuro, é preciso fazer funcionar o velho, porque as pessoas têm de viver. É uma equação difícil. O desafio é bravo. Há quem siga com o mesmo que dizíamos nos anos 1950. Não se deram conta do que ocorreu no mundo e por quê ocorreu. Sinto como minhas as derrotas do movimento socialista. Me ensinam o que não devo fazer. Mas isso não significa que vá engolir a pastilha do capitalismo, nesta altura de minha vida”.
“Não sei se vão me dar bola, mas digo aos jovens de hoje que aprendemos mais com o fracasso e a dor que com a bonança. Na vida pessoal e na coletiva pode-se cair uma, duas, muitas vezes, mas a questão é voltar a começar. E é preciso criar mundos de felicidade com poucas coisas, com sobriedade. Refiro-me a viver com bagagem leve, a não viver escravizado pela renovação consumista permanente que é uma febre e obriga a trabalhar, trabalhar e trabalhar para pagar contas que nunca terminam. Não se trata de uma apologia da pobreza, mas de um elogio à sobriedade — não quero usar a palavra austeridade, porque na Europa está sendo muito prostituída, quando se deixa as pessoas sem trabalho em nome do ‘austero’”.
“Em toda a história do Uruguai, o presidente repartia as licenças de rádio e TV com o dedo. Tivemos a ideia de abrir consultas e processos democráticos baseados em méritos. Pensamos e realizamos! O que certa imprensa diga não me preocupa. Já os conheço. O problema que o diário [uruguaio] El País pode me criticar e se, algum dia, estiver de acordo e me elogiar. Seria sinal de que ando mal”.
[Para ler, na íntegra (em castelhano) a entrevista com Pepe Mujica, clique aqui]

terça-feira, 6 de agosto de 2013

* Evo Morales culpa frango de granja por homossexualidade e calvície

Presidente afirma que 'hormônio' dado às aves afeta os homens e as mulheres


O presidente da Bolívia, Evo Morales, surpreendeu sua audiência ao assegurar que os frangos de produções industriais são responsáveis pelos "desvios" dos homens para a homossexualidade e para a calvície na Europa.
Evo acena durante comemoração do Bicentenário da Independência da Venezuela - Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Evo acena durante comemoração do Bicentenário da Independência da Venezuela
Na abertura de uma cúpula social que realiza em seu país para discutir a mudança climática, o líder boliviano atacou a criação intensiva de aves com essas afirmações e outras, sobre os supostos prejuízos à saúde da Coca-Cola e das batatas holandesas.
Segundo o mandatário, os frangos são engordados com hormônios femininos. "O frango que comemos está carregado de hormônios femininos. Por isso, os homens que comem esses frangos têm desvios em seu ser como homens", disse Morales a milhares de pessoas na abertura da Conferência Mundial dos Povos sobre a Mudança Climática e os Direitos da Mãe Terra.
Ele também acrescentou, às as consequências desse tipo de alimento, a calvície, e profetizou: "Em cinquenta anos, todo mundo será calvo". Segundo o presidente, esses dados demonstram que o "ocidente cada vez mais traz mais e mais veneno".
A ideia de que hormônios são adicionados às aves em criações comerciais é considerada um mito sem fundamento por especialistas.

"O frango que comemos está carregado de hormônios femininos. Por isso, os homens que comem esses frangos têm desvios em seu ser como homens."
- Evo Morales


VEja o vídeo: