sexta-feira, 28 de agosto de 2009

* Acampamento de MST em Palmares resiste há 8 anos!


Acampamento de MST com 8 anos de existência recebeu ação de despejo. Veja o clipe abaixo:





EI! ESSA TERRA É MINHA!

Essa é a primeira frase que as pessoas que têm "terra" falam quando se sentem ameaçadas de perdê-las. Outra frase ditas pelos latifundiários é: se não saírem daí, vou mandar tirar na bala!Outros dizem: como é que vocês (os sem-terras) querem invadir "as terras dos outros"? Essas terrras são de herdeiros. Foi do meu bisavó, depois passou para o meu avó que deixou para o meu pai e agora o dono sou eu! Acho que muita gente já ouviu esses argumentos dos latifundiários e de pessoas que os defendem por aí.

Eu nunca vi alguém dizer que é dono do Sol, da Lua, das estrelas, dos oceanos, dos planetas, da chuva, do tempo, da gravidade, do oxigênio. Por que algumas pessoas insistem em dizer que que "as terras"são deles? O que leva um ser humano a dizer que ele é dono de terras e mais ninguém tem direito de tê-las? Onde está escrito isso?

Quando os invasores europeus chegaram ao Brasil no século XVI, havia mais de cinco milhões de seres humanos divididos em várias etnias, línguas, costumes e religiões diferentes. É claro que havia rivalidades entre esses povos, mas a terra, entre eles, era um bem que pertencia a todos e e ao mesmo tempo era sagrada, pois era da terra que eles tiravam seus alimentos. Para esses povos, a terra é como uma mãe que alimenta seus filhos todos os dias. Os índios não consegem entender a destruição que os caras-pálidas causam a natureza!

Os europeus tomaram as terras dos povos indígenas (dando origem aos latifúndios no Brasil) e passaram a utiliza-la para atender ao mercantilismo, política econômica que oxigenou o sistema capitalista nascente baseada na exploração de metais preciosos e na produção de produtos tropicais como no caso brasileiro, a cana-de-açúcar. Para os invasores europeus, a "terra" era um instrumento de enriquecimento e de conquista de poder.

A posse da terra é uma questão que vem se arrastando há séculos na história da humanidade e os conflitos que surgiram a partir dela foram provocados a partir do aparecimento da divisão de classes e da propriedade privada dos meus de produção. Nas primeiras comunidades criadas pelo homem, a terra e tudo que havia nela pertenciam a toda a comunidade. Os índios brasileiros ainda mantêm essa relação de propriedade coletiva. Com o surgimento da propriedade privada, surgem instituições que exigem um aperfeiçoamento social e político para dirigi-las e um grupo de pessoas para administrá-las. É dessa complexidade político-social que surge o Estado.

É dessa estrutura que vão surgir as pessoas que mandam e as que obedecem, as pessoas que decidem e as que cumprem, as pessoas que administram e as que trabalham, e também, as pessoas que passam a ter propriedades (dentre elas, a terra) e as que deixam de possuí-las e passam a trabalhar para aquelas que as têm.

Desde o mundo antigo até os dias atuais que a questão agrária vem causando conflitos, mortes e grandes transformações sociais e econômicas. Isso mostra que "a questão agrária" não é nova, não é uma questão de um povo, nem de um país, mas algo que cabe a humanidade resolver. É uma questão que vai definir a sobrevivência da espécie humana.

O latifundio é um câncer social que trás no seu DNA a fome e a miséria para milhões de seres humanos. A visão que as pessoas têm sobre a terra é histórica e, sendo assim, foi construída ao longo do tempo, podendo perfeitamente ser transformada. Tudo que é histórico foi construído pelo homem e, tudo aquilo que é construído pelo homem pode ser transformado.

Crônica do Professor Valter Ferreira

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