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quinta-feira, 6 de março de 2014

* A Segunda Guerra Fria

À diferença do conflito original do século XX, desta vez a briga não se alimenta da ideologia, mas de interesses estratégicos dos EUA e da Rússia
tropas russas
Membros das tropas russas montam guarda perto do navio da marinha ucraniana no porto da cidade ucraniana de Sevastopol

O brasileiro que se desligou do mundo e caiu na folia durante o Carnaval tem motivos para um certo déjà vu ao voltar à realidade nesta quarta-feira de Cinzas. Em um lugar de nome esquisito e bem longe do Brasil, Estados Unidos e Rússia travam uma batalha diplomática que corre o risco de descambar para as armas. Aliados a forças locais distintas de um país em ebulição, Moscou e Washington lutam para que o poder caia nas mãos de um governo alinhado. E parece não haver meio termo: ou se está afinado com um lado ou com o outro. A Guerra Fria ressuscitou?
A crise na Ucrânia, aguçada com a queda do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovich em 22 de fevereiro, tem muitos dos ingredientes da disputa “capitalistas x comunistas” que rachou o globo após a II Guerra Mundial. No sábado 1°, o parlamento russo autorizou o presidente Vladimir Putin a enviar tropas à Ucrânia para defender instalações militares e cidadãos russos naquele país, cuja parte leste tem forte identidade com Moscou. Na terça-feira 4, Putin chamou de “golpe de Estado” a queda de Yanukovich e admitiu usar a autorização parlamentar. No mesmo dia, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, foi à Ucrânia manifestar o apoio de Washington ao governo de transição e acenar com 1 bilhão de dólares de ajuda.
Estes lances encaixam-se no que se poderia chamar de uma “segunda guerra fria”. À diferença do conflito original do século XX, porém, não se alimenta de ideologia, mas de interesses estratégicos dos EUA. O fenômeno foi descrito no livro “A Segunda Guerra Fria”, lançado no ano passado pelo cientista político, historiador e professor aposentado de política exterior do Brasil Luiz Alberto Moniz Bandeira.
Desde os anos 90, diz o livro, os EUA dão importância crescente à Eurásia, região onde está a Ucrânia. Em 1994, o Departamento de Energia norte-americano identificou o Mar Cáspio, próximo da Ucrânia, como uma das maiores fontes de petróleo do globo. Uma baita descoberta para quem não sobrevive sem petróleo importado. E mais ainda porque a principal fonte conhecida, o Golfo Pérsico, é um caldeirão de antiamericanismo islâmico. Dali em diante, diz Moniz Bandeira, a prioridade geopolítica dos EUA consistiu em atrair os governos de países da região do Cáucaso, alguns dos quais pertenciam à ex-URSS. Washington fez isso inclusive mediante o envolvimento militar e uma política de regime change, ou seja, desestabilizando governos eleitos.
Na década passada, houve uma leva de vitoriosas “revoluções coloridas” contra regimes na região do Cáucaso: a Rosa na Georgia (2003), a Lilás no Quirquistão (2005) e a Laranja na Ucrânia (2004/2005). As três, diz Moniz Bandeira, foram incentivadas pelos EUA com um modus operandi batizado de “guerra fria revolucionária”: ONGs defensoras dos valores norte-americanos instigaram as populações locais contra os governos e as estimularam a ir às ruas, tudo descrito pela mídia internacional como revoltas espontâneas e democráticas.
O que acontece agora na Ucrânia, diz Moniz Bandeira, é uma reedição da “Revolução Laranja” de dez anos atrás. O problema – não só no caso da Ucrânia como nas demais revoluções coloridas - é que as turbulências ocorrem muito perto das fronteiras da Rússia. Um país que, sob Putin, superou a crise econômica decorrente do colapso da URSS e voltou a pensar-se como superpotência.
A seguir, o leitor confere os principais trechos da entrevista concedida por e-mail por Moniz Bandeira, que mora na Alemanha.
CartaCapital: Os EUA estão por trás das turbulências na Ucrânia?
Moniz Bandeira: Essa participação na subversão dos regimes na Eurásia é comprovadamente antiga. Na edição de 24 de novembro de 2003, o Wall Street Journal atribuiu o movimento contra o regime na Georgia a operações de um grande número de “organizações não-governamentais (...) apoiadas por fundações americanas e por outras fundações ocidentais”. E não pode haver maior evidência agora do que a participação aberta de dois senadores americanos - John McCain (Partido Republicano) e Christopher Murphy (Partido Democrata) - como líderes nas manifestações em Kiev. O economista Paul Craig Roberts, que foi secretário assistente do Tesouro no governo Reagan (1981-1989), escreveu que "a Ucrânia ou a parte ocidental do país está cheia de ONGs mantidas por Washington cujo objetivo é entregar a Ucrânia às garras da União Europeia, para que os bancos da União Europeia e dos Estados Unidos possam saquear o país como saquearam, por exemplo, a Letônia; e simultaneamente enfraquecer a Rússia, roubando-lhe uma parte tradicional e convertendo esta área em área reservada para bases militares de Estados Unidos-OTAN".
CC: Que interesses norte-americanos o governo deposto da Ucrânia ameaçaria? Que evidências disso o sr. apontaria?
MB: Não se trata de "ameaça". Nenhum país, evidentemente, ameaça os EUA. O problema é que o governo da Ucrânia não atende e não se submete aos interesses econômicos, geopolíticos e estratégicos de Washington. O presidente Viktor Yanukovych recusou-se a aderir à União Europeia e tendia a incorporar-se à União Econômica Eurasiana, cujo tratado o presidente Putin, como um grande estadista, está a negociar com as antigas repúblicas soviéticas. Esse tratado permitirá à Rússia conquistar dimensão estratégica e geopolítica de igual dimensão à da extinta União Soviética e voltar a constituir outro polo de poder internacional. O problema é a rivalidade dos EUA com a Rússia. A questão não é ideológica. É geoestratégica.

CC: Diria que a crise na Ucrânia é um prolongamento da Revolução Laranja?
MB: Claro que é uma nova Revolução Laranja. E não terminou. A Ucrânia está na órbita de gravitação da Rússia. E o governo que substitua o de Yushchenko não terá condições de resistir à sua vis attractiva [força atrativa], principalmente porque os EUA e a União Européia não têm condições de bancar financeiramente os problemas da Ucrânia e ainda por cima pagar a conta do gás que o país recebe da Rússia, com a qual tem enorme débito. Yushchenko era a favor do Ocidente quando assumiu a presidência da Ucrânia, porém, tal como seu antecessor, Leonid Kuchma, que solicitara adesão à OTAN em 2002, teve de mudar sua posição, diante da realidade geopolítica. A queda de Yushchenko seria certa se ele consumasse a adesão à OTAN. A Rússia não vai admitir a integração da Ucrânia na União Europeia. Ela possui uma base naval em Sebastobol e mais um porto em Odessa desde o reinado de Catarina, a Grande (1762 e 1796). A frota russa, baseada na península da Crimeia, controla o Mar Negro e as comunicações de importantes zonas energéticas (de reservas de gás e petróleo) através dos estreitos de Bósforo e Dardanelos com o Mar Mediterrâneo. A Criméia pertenceu à Rússia até 1954, e o povo em Kiev, com a queda de Yushchenko, está a demandar a secessão. A Rússia, decerto, não apoiará, abertamente, o separatismo. Porém, milhares de pessoas já estão nas ruas de Sebastopol a clamar "Rússia, Rússia, Rússia" com a bandeira russa e a gritar "Não nos renderemos a esse fascistas". A Crimeia tem cerca de 2 milhões de habitantes etnicamente russos, que não se submeterão ao governo dos fascistas em Kiev, apoiado pelo Ocidente. Em Simferopol, capital da Crimeia, com cerca de 350 mil habitantes, já estão sendo organizadas milícias para resistir a qualquer força de Kiev.
CC: O sr. parece identificar um padrão de intervenção não-violenta por parte dos EUA no pós-guerra fria. Um padrão a combinar a ação de ONGs e de líderes oposicionistas financiados por Washington com propaganda midiática. Diria que esta combinação está presente hoje na Ucrânia?
MB: Não há nenhum padrão de intervenção não-violenta dos EUA no pós-Guerra Fria. Os EUA intervém militarmente, de forma unilateral ou sob o manto da OTAN, quando podem. Intervieram na Líbia, mas não tiveram condições de fazê-lo na Síria, devido à oposição da Rússia e da China, embora continuem a financiar os rebeldes - na realidade, terroristas de Al Qa'ida e organizações similares. A guerra fria, portanto, continua, em uma etapa histórica superior, como demonstram os acontecimentos na Ucrânia, na Síria e nos demais países do Oriente Médio. Os EUA não deixaram de perceber a Rússia como seu principal adversário. De fato, a Rússia não perdeu, militarmente, nenhuma guerra. O que lá ocorreu foi a implosão de um regime socialista autárquico, inserido em uma economia internacional de mercado capitalista, da qual dependia e não podia desprender-se. Como sucessora jurídica da URSS, a Rússia herdou todo o seu potencial militar: cerca de 1.800 ogivas nucleares estratégicas operacionais e reservas de 2.700 ogivas, contra 1.950 ogivas operacionais e 2.500 ogivas de reserva dos EUA. O poderio militar das duas potências era equivalente. Após a dura crise econômica e política que atravessou nos anos 1990, a Rússia recuperou-se economicamente sob o governo Putin. E outra guerra fria, assim, recomeçou, uma vez que os EUA se empenham em implantar o full spectrum dominance [domínio de espectro total]. Na Ucrânia, um dos teatros onde as ONGs ocidentais impulsaram a cold revolutionary war em 2004-2005, a guerra fria reacendeu em 2013, uma vez que o governo recuou nas negociações para incorporar o país à União Europeia, o que podia abrir as portas para o estacionamento de tropas da OTAN dentro do seu território, conforme os EUA pretendem.
CC: Quais as ONGs vinculadas a Washington que mais se destacam na desestabilização de governos não-alinhados com os EUA?
MB: Essas ONGs, que promovem a política de export of democracy [exportação de democracia], são muito variadas, assumem nomes diferentes, embora os patrocinadores sejam virtualmente os mesmos: National Endowment for Democracy (NED), CIA e entidades civis, entre as quais Freedom House, a USAID [United States Agency for Cooperation International], o Open Society Institute (renomeado Open Society Foundations em 2011) do megainvestidor George Soros. Estas e outras organizações não-governamentais são uma fachada para promover mudança de governo sem que pareça golpe de Estado. Na Ucrânia, operam ONGs financiadas pela União Europeia.
CC: A crise na Ucrânia teria o mesmo peso e a mesma importância sem a cobertura dada pelas mídias locais e pela mídia mundial? Por quê?
MB: A Ucrânia é um país econômica e financeiramente muito debilitado. Seu governo, por diversos fatores e em distintas circunstâncias, cometeu muitos erros. E Washington trata de aproveitar as forças domésticas de oposição para fazer avançar seus interesses econômicos e geoestratégicos, através de ONGs financiadas pela NED, USAID, CIA e outras instituições públicas e privadas. Elas representam a mão invisível Washington nessas crises. Consciente ou inconscientemente, a mídia internacional serve como instrumento de psychological warfare [guerra psicológica], ao repetir e reproduzir como se tudo fossem demonstrações de massas e revoltas espontâneas. Isso vale particularmente para a BBC, a CNN e a Fox News. O fato é que o governo Obama continua a implementar uma estratégia para consolidar o full spectrum dominance estabelecido desde o  governo George H. W. Bush. No atual contexto, isto significa que não interessa a Washington que a Ucrânia integre a União Econômica Eurasiana promovida pela Rússia.
CC: É possível para governos de países como a Ucrânia resistir à ofensiva da "guerra fria revolucionária" patrocinada por Washington? Por quê?
MB: Tudo depende das circunstâncias. É difícil prever. Apesar da decadência, os EUA são e serão uma superpotência por muitas décadas, enquanto o dólar for a moeda de reserva internacional. Militarmente, sem dúvida, os EUA nunca seriam derrotados. Mas uma superpotência devedora, cuja dívida pública se iguala ou mesmo supera sua produção de bens e serviços, uma superpotência que depende das importações, inclusive de capitais de outros países, para financiar guerras, sem as quais sua indústria bélica e toda a cadeia produtiva de tecnologia podem quebrar, não poder sustentar indefinidamente um sistema assim. Um dia, certamente, entrará em colapso. Certamente não mais estarei vivo. Mas o Império Americano, como todos os impérios, perecerá.
CC: Que desfecho considera mais provável para a crise na Ucrânia?
MB: Grande parte da oposição na Ucrânia é composta por elementos notoriamente fascistas. Eles são muito bem armados, muito bem organizados militarmente em companhias, patrulham as ruas em grupos de combate de dez pessoas, com capacetes e armas, alguns usando capacetes da divisão SS Galicia [região no Oeste da Ucrânia], que lutou ao lado dos nazistas alemães contra os soviéticos entre 1943 e 1945. Eles pertencem ao partido Svoboda, chefiado por Oleg Tiagnibog, forte especialmente no leste da Galícia, reduto da extrema-direita. Os chamados "ativistas" e "democratas" que fomentaram as demonstrações pro-União Europeia pertencem, em larga medida, a comandos do Svoboda e de outras tendências neonazistas e não escondem suas tendências xenófobas, racistas, anti-semitas e contra a Rússia. E foram com eles que os senadores americanos John McCain e Christopher Murphy se misturaram nas demonstrações contra o governo Yanukovych, democraticamente eleito e derrubado por um golpe, sob os aplausos dos EUA e da União Europeia. É muito provável que tais grupos neonazistas intentem a captura do poder em Kiev. Porém será difícil submeter a Crimeia.
CC: A Rússia jogou tudo o que podia diplomática e politicamente na atual crise na Ucrânia?
MB: A Rússia não jogou todas as suas cartas. O presidente Putin, que se revela o maior estadista da atualidade, sabe muito bem como dispor e lançar as pedras no xadrez da política internacional. Formado na KGB e havendo servido durante muitos anos na Alemanha Oriental, principal teatro do conflito Leste-Oeste, conhece muito bem como funciona a guerra nas sombras. A Ucrânia continuará ainda como cenário da segunda guerra fria e certamente a Rússia não aceitará, passivamente, que se integre na União Europeia. Haverá negociações ou derramamento de sangue. Quem viver verá.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

* Os aterrorizantes planos do Governo dos Estados Unidos!






O ATERRADOR FUTURO DOS EUA E DO MUNDO!


Aqueles que controlam o governo dos Estados Unidos estão fazendo algo grande.
O que se segue é um conjunto de evidências a partir de fontes convencionais, as quais serão listadas no final do artigo.
Então, vamos ligar os pontos para descobrir o que pode ser o futuro aterrorizante dos Estados Unidos e do Planeta.
A imagem unificada que você verá, uma vez que esses pontos estão conectados, será aterrorizante para algumas pessoas, especialmente para quem nunca foi exposto a este tipo de informação antes.
Assustar as pessoas, no entanto, não é o objetivo desta informação. O objetivo é motivá-lo a agir, e fazê-lo rapidamente, pois o tempo é curto. Mas isso só irá acontecer, se você entender o que está realmente em jogo.
Na última década, o governo dos EUA foi radicalmente transformado. Essas transformações começaram com a aprovação da Lei Patriota, que ocorreu durante a administração Bush. A transformação continuou sob o atual presidente, Barack H. Obama, que veio para consolidar ainda mais o trabalho de Bush, quando assinou o NDAA em 2012 e 2013.
O conteúdo dessas leis eram advertências ameaçadoras do que estava por vir, mas na época, para os americanos, as mudanças que estavam ocorrendo tiveram pouco efeito sobre suas vidas. Pelo menos, isso é o que eles pensavam.
Contagem regressiva para um futuro aterrorizante?
RUSSIA PROTESTSA introdução do Departamento de Segurança Interna e as novas políticas invasivas da TSA em aeroportos eram desconfortáveis, mas para a maioria da população não valia a pena resistir.
Ouvimos histórias que o governo ouvia conversas telefônicas das pessoas, e entrava nas casas sem mandado, mas tudo isso, acontecendo nos bastidores, realmente não afetava a população em geral.
Ocasionalmente, os principais meios de comunicação mencionaram a extraordinária rendição e tortura de suspeitos de terrorismo em prisões militares, e é claro que esses analistas políticos fizeram o possível para convencê-lo de que tudo isso foi justificado e necessário para sua segurança.
Em seguida, Obama veio com a cena de uma esperança promissora e mudança. Mas não demorou muito para ele começar a mostrar suas novas caras, como por exemplo, quando renovou o Patriot Act e desistiu de sua promessa de fechar Guantánamo.
Quando Obama assinou o NDAA dando aos militares o poder de prenderem qualquer pessoa, incluindo cidadãos norte-americanos, por tempo indeterminado e sem qualquer tipo de julgamento, e quando ele reivindicou o direito de matar cidadãos americanos sem julgamento dentro dos EUA ou no exterior, houve alguma indignação, mas essa indignação desapareceu quando novas manchetes puxaram suas atenções para longe.
Superficialmente, você pode ter olhado para essa cena e achar que nada disso iria afetar sua vida. Então você deixou de pensar nisso, simplesmente resolveu deixar pra lá, esquecer.
Mas se você estivesse prestando bastante atenção, teria notado que as coisas estavam, meticulosamente, mudando pouco à pouco. Câmeras estavam começando a aparecer em todos os lugares, a polícia começou a ser militarizada e drones começaram a patrulhar os céus no mundo inteiro, países começaram a adotar os drones usando várias e várias desculpas para fazê-lo. Mas, nos bastidores, algo ainda maior estava acontecendo.
Informações biométricas começaram a ser coletadas a partir de manifestantes não violentos quando eram presos, inclusive de todos os imigrantes que entravam no país, desde crianças em idade escolar sem a permissão dos pais, e até mesmo do público em geral, sem o seu próprio conhecimento.
O governo tem recolhido essas informações e as compilado ao maior banco de dados biométricos do mundo. Esta base de dados referida como NGI será on-line em 2014.
Essas leis e preparações têm vindo a construir os mecanismos para a polícia tornar um estado totalitário pedaço por pedaço do planeta. E agora eles estão tentando colocar as medidas finais no lugar.
A nova lei de imigração proposta, chamada de “Border Security Economic Opportunity and Immigration Modernization Act”, que está em debate, tem os dois elementos finais.
A primeira é a prestação de um banco de dados federal de emprego, em que todos os trabalhadores terão de ser aprovados para que consigam um emprego. Esse banco de dados vai se mesclar com outros bancos de dados do governo, à critério do Departamento de Segurança Interna. O DHS terá autoridade para aumentar unilateralmente os requisitos de identificação à vontade, e exigir que essas normas sejam aplicadas como uma condição de emprego.
O que isto significa é que, uma vez que isso esteja 100% implementado, o DHS decide através dos cartões de identificação, estes que devem conter informações de digitalização da íris ou impressões digitais (fronte ou mão direita), e você terá que dar a eles, caso contrário não terá permissão para trabalhar, comprar ou vender.
Mas, as implicações do banco de dados NGI, combinadas com o novo sistema de identificação vai muito além do local de trabalho.
Na lei de imigração há uma disposição para estabelecer um sistema de leitura biométrica em todos os aeroportos internacionais de chegadas e partidas. O sistema que se propõe a lançar ao longo dos próximos 6 anos é, inicialmente, apenas visando os imigrantes, para em seguida, começar a ser usado em todo o público. Então, a mudança não precisará sequer ser anunciada, porque graças a evolução da tecnologia biométrica, hoje permite que a identificação seja feita à distância.
Eles podem fazer isso com o software ligado às câmeras de segurança usando reconhecimento facial, scanners de íris infravermelho e até mesmo o ritmo de sua caminhada.
Identificação por padrões únicos de movimento, conhecido com reconhecimentos envolvidos, que deverá até ser usado nos drones.
Uma vez que o sistema de verificação biométrica está configurado em todos os portos de entrada e de saída, ligando tudo ao banco de dados NGI, câmeras de vigilância existentes e drones rastreiarão os movimentos dos cidadãos em qualquer lugar, e em todos os lugares, incluindo áreas de deserto.
Uma das características mais importantes de um estado policial é a criação de sistemas de controle de, quem pode entrar e quem pode sair. Tais sistemas são usados ​​frequentemente para evitar que os dissidentes políticos escapem. Isso é muitas vezes combinado com uma vigilância intensiva internamente tanto das comunicações e das atividades pessoais e à força policial brutal que opera acima da lei.
Nunca na história de qualquer ditadura no mundo, houve um sistema de monitoramento de vigilância tão sofisticado e poderoso como o que os Estados Unidos está prestes a concluir. Nunca.
Soviéticos tinham fronteiras elaboradas com duplo arame farpado, campos minados e torres de guarda, mas nada disso se compara a uma fronteira patrulhada por drones de alta tecnologia ligados ao maior banco de dados biométrico do mundo, com scanners biométricos em todos os pontos de entrada e saída.
Quando isso for concluído, eles verdadeiramente superarão George Orwell.

Abuso de poder

O governo nunca abusa do poder, não é?
Afinal, a América é o maior farol do mundo de esperança e liberdade, e a mídia somente lhes conta a verdade, não é mesmo?
Se você acha realmente isso, está totalmente, completamente e absolutamente enganado.
O fato de que o governo dos EUA já estabeleceu uma lista de no-fly maciço e secreto e o fato de que os ativistas anti-guerra já foram colocados na lista por razões políticas, deve ser considerado um sinal de alerta.
Em sua forma atual, já é impossível para os cidadãos descobrirem se o seu nome está ou não na lista, e não há nenhum processo para ter seu nome retirado da lista.
Então aqui está a verdadeira questão, você confia no governo dos EUA com esse poder todo?
Aliás, você confia no seu governo?
Você realmente acredita que seu principal objetivo é protegê-lo?
Se assim for, você realmente, de fato e conclusivamente, não tem mesmo prestado atenção.
Em 2013, nos foi dado um pequeno vislumbre do que está por vir para a América.
No caso Dorner tivemos um homem acusado de assassinato e condenado pela mídia como culpado. Esta condenação foi baseada em um manifesto apertado que ele supostamente havia escrito, embora não houvesse nenhuma evidência real de que Dorner tinha escrito o manifesto à todos.
Uma caçada nacional foi posta em movimento. Estradas completas foram bloqueadas e carros foram revistados, a polícia mudou de bairro em bairro, adentrando em centenas de casas sem mandado e drones foram acionados para caçá-lo. Uma vez que Dorner finalmente foi encontrado, a polícia intencionalmente colocou fogo no edifício onde ele estava supostamente escondido, em estilo Waco, queimando o homem até a morte.
ICG_Law_OrderA polícia inicialmente negou que ateou o fogo, mas depois eles foram forçados a admitir que tinham devido à uma gravação em áudio da própria polícia, que vazou para o público. Surpreendentemente, apesar de prova apontando para a polícia como quem ateou o fogo, nada aconteceu.
Ninguém na grande mídia ou o governo sequer piscou.
Então vimos o caso do atentado de Boston, onde dois suspeitos foram caçados com evidências igualmente tênues. Apesar de fotos dos eventos mostrarem um número grande de indivíduos que estavam claramente envolvidos, essas outras pessoas nunca foram mencionadas pelas autoridades ou os principais meios de comunicação. Toda a atenção foi colocada, como se já estivesse provado que os culpados eram os irmão Tsarnaev.
A caçada para capturar esses dois meninos foi sem precedentes. O DHS rolou pelas ruas com veículos blindados à nível militar, buscando de casa em casa, sem justificar absolutamente nada, instituindo uma forma improvisada de lei marcial, porque eles podem, têm esse poder.
Os irmãos Tsarnaev foram finalmente capturados e foram mostrados em imagens sendo presos, vivos e bem, mas mesmo assim, horas depois, ambos estavam cheios de tiros, cheio de parafusos.
O irmão mais velho morreu, o outro ficou incapaz de falar, e o governo e os meios de comunicação ficaram em silêncio.
E a história não termina aí, Ibrahim Todashev, um amigo do irmão de Tsarnaev foi brutalmente assassinado pelo FBI apenas algumas semanas mais tarde. Ele foi baleado seis vezes no corpo e uma vez na parte de trás da cabeça; assassinado em estilo de execução a sangue frio.
Todashev estava desarmado, mas os agentes afirmaram que ele atacou.
É difícil imaginar que um homem desarmado poderia fazer para merecer tantas balas e em principalmente, uma bala na parte de trás da cabeça.
Tudo isso cria um novo precedente na forma em que o governo dos EUA persegue suspeitos, com perseguições militarizadas, instituindo lei marcial, e atuando como juizes, júri e carrascos nas ruas, que se transformaram em campos de batalha.
Eles matam impunemente, com base em suas provas inexistentes, todos com o apoio de um tradicional circo da mídia que televisiona todo o evento para seu entretenimento.
Um documento do Departamento de Defesa, intitulado “Internment and Resettlement Operations”, também conhecido como FM3-39,40, vazou este ano revelando planos detalhados para o estabelecimento de campos de internamento militar dentro dos Estados Unidos.
O documento mostra claramente a coleção de números de segurança social, e significa que será usado para os cidadãos norte-americanos, ele ainda tem diagramas para três diferentes tipos de campos que estão para ser implementados. Esses diagramas mostram salas de interrogatório, torres de vigia espalhadas por todo lado e arames farpados duplos em torno dos acampamentos.
Cobrimos este documento em detalhes em nosso vídeo intitulado, “Leaked Document Military Internment Camps in U.S. to be used for political dissidents”.
Mas espere, tem mais! O Departamento de Segurança Interna passou recentemente por uma onda de compras de bala, compra de mais de 1,6 bilhões em apenas alguns meses. Após o sucesso da mídia em encobrir a grande compra, o DHS pediu mais balas. Uma grande porcentagem desses balas são pontos ocos e chumbo grosso que não podem ser usados ​​pelos militares.
É importante dizer que o DHS opera apenas no mercado interno.
O DHS afirma que essas balas serão utilizadas para fins de treinamento, mas qualquer um que entende alguma coisa sobre armas, sabe que você não usa pontos ocos para o treinamento. Pontos ocos são muito mais caros do que FMJ. Além disso, esta é a munição oficial que os soldados norte-americanos têm usado na guerra.
Em paralelo tivemos o senador Coburn lançar um artigo sobre gastos desnecessários no DHS, na qual ele apontou um exercício de treinamento bizarro, onde o DHS praticava tiros em civis que foram disfarçados de zumbis. Coburn enfatizou o aspecto dos gastos, mas se você assistir as cenas reais e colocá-las todas dentro de um contexto, verá que o verdadeiro objetivo desses exercícios é muito mais preocupante.
Funcionários do DHS estão sendo condicionadas a dispararem sobre civis desarmados. A maquiagem zumbi é apenas uma cortina de fumaça.
Acredite ou não, esta é apenas uma fração da evidência de que podemos apresentar aqui. Há muito mais que você vai encontrar se você fizer sua própria investigação.
0522-greek-protest_full_600Se esta é a primeira vez que você encontra esta informação, a realidade é que, se você olhar a partir de uma perspectiva histórica, verá que não há nada aqui que nós estejamos mostrando que seja incomum. Países escorregam em ditaduras totalitárias o tempo todo, vocês tem apenas sido condicionados a acreditarem que isso nunca poderá acontecer na América.
Mas não só pode acontecer na América, como já está acontecendo, está acontecendo agora e será no mundo todo.
Há três maneiras de lidar com o que você acabou de ler. Um, você pode fingir que tudo isso é uma teoria da conspiração de caras que usam chapéu de papel alumínio. Mas para fazer isso você vai ter que ignorar a própria razão e a extensa documentação dada a partir de fontes convencionais, ou seja, da própria mídia tradicional que todos sabemos que é controlada. Alguns podem chamar isso de ceticismo, mas um termo mais preciso é a ignorância intencional.
A opção número dois é se acovardar, tentar se esconder e fazer tudo que puder para evitar o rastreamento e a atenção do governo.
A opção número três é que você pode lutar para parar com isso. Recordar que este é apenas o plano daqueles poucos que controlam o planeta, mas não necessariamente deve ser esse o destino que precisa chegar.
Os poderes têm um calcanhar de Aquiles, e é aí que devemos aplicar. Estes oficiais do DHS são pessoas comuns, a polícia, os soldados. A maioria deles não são maus, eles são apenas mal informados, sofreram uma lavagem cerebral por sua formação. Você pode alcançá-los, fazer amizade com eles e mostrar-lhes esta informação.
Você pode chegar a polícia e aos militares, até mesmo os veteranos. Fazê-los entender o que está por vir. Fazê-los perceber que eles foram enganados, que eles estão sendo usados ​​para destruir seu próprio país, seu próprio planeta e a si mesmos, está sendo feita uma indução inconsciente à auto-destruição. Se os poderes perderem o controle de seus braços, será game over para esses criminosos.
Agora você pode não conhecer ninguém nas forças armadas, mas você ainda pode ajudar a compartilhar esta mensagem a tantas pessoas quanto possível. O caminho atual para um estado totalitário nos Estados Unidos será lançado no resto do mundo ocidental mais cedo ou mais tarde, se ninguém agir depois de conhecer essa informação.
Compartilhe, publique este artigo no Facebook, Twitter, em seu blog ou onde for, tente alcançar o máximo número de pessoas. Compartilhe com seus amigos via e-mail. Faça o download do vídeo que acompanha postado abaixo, consiga alguém para traduzir e legendá-lo, compartilhe, faça DVDs para as pessoas que você conhece, pois o assunto é seríssimo e de máxima urgência. Quanto mais pessoas você atingir, o mais provável é que cheguemos a alguém que esteja na cadeia de comando, e está em uma posição para ajudar a parar isso.
Este artigo é uma adaptação da transcrição do vídeo postado abaixo. Ele foi republicado na agenda real mediante solicitação feita por StormCloudsGathering.com com o único propósito de fornecer uma versão escrita das informações prestadas em seu vídeo.


Sources cited and links to get you started on your own research:
NDAA 2013 passes with indefinite detention still intact:
http://rt.com/usa/news/ndaa-indefinit…
Obama extends Patriot Act:
http://www.huffingtonpost.com/2011/05…
Widespread abuse of Patriot Act:
http://www.aclu.org/national-security…
Obama tries to hide information regarding rape and sexual abuse in Abu Ghraib:
http://www.telegraph.co.uk/news/world…
FBI finalizing its NGI Biometrics Database:
http://www.fbi.gov/about-us/cjis/fing…
People placed on no-fly list for political reasons:
http://www.sfgate.com/politics/articl…
http://www.aclu.org/blog/national-sec…
Drones used to hunt Dorner:
http://now.msn.com/christopher-dorner…
Dorner fire set intentionally:
http://www.huffingtonpost.com/2013/02…
The police finally admit it:
http://latimesblogs.latimes.com/lanow…
Leaked Document: Government setting up military detention centers for Activists:
http://www.youtube.com/watch?v=FfkZ1y…
Senator Coburn points out the DHS “zombie” training exercise as wasteful:
http://www.coburn.senate.gov/public/i…
But if you actually watch it it’s much more disturbing:
http://stormcloudsgathering.com/dhs-t…
Yes this really happened (details about the exercise):
http://washingtonexaminer.com/your-ta…
Police admit Dorner fire was set on purpose:
http://latimesblogs.latimes.com/lanow…
DHS buying billions of bullets (links to some of the purchase orders):
450 million rounds purchased by DHS earlier this year:
http://www.upi.com/Business_News/Secu…
Purchase order for additional 750 million rounds of ammunition
https://www.fbo.gov/index?s=opportuni…
Iris scanning from a distance:
http://arstechnica.com/business/2012/…



VÍDEO VAZOU: FEMA PREPARA POLICIA MILITAR PARA APREENDER ARMAS E APLICAR LEI MARCIAL!


Um Policial Militar do Exército dos EUA disse que a Constituição pode ser suspensa pelo Department of Homeland Security (Departamento de Segurança Interna (DHS).
O Infowars confirmou a identidade e a autenticidade da fonte do vídeo abaixo, como um membro da Polícia Militar do Exército dos EUA do Estado do Arizona.
O vídeo, filmado em Setembro de 2013, mostra um comandante do exército passando informações a Policiais Militares sobre a nova estrutura de comando sob a Federal Emergency Management Agency (FEMA) e do Departamento de Segurança Interna (DHS) para operações internas com a Guarda Nacional.
O militar que filmou o vídeo, começou a gravar após se chocar ao ouvir que eles estavam agora sob o controle da FEMA .



Neste vídeo você pode ouvir claramente o comandante discutir a suspensão da Constituição para aplicação da LEI MARCIAL e apreensões de armas por todo os Estados Unidos.
Em essência, a polícia militar fornecerá segurança para a FEMA, a agência confiscará as armas dos cidadãos, enquanto o governo declara crise interna.
” Eles fizeram isso em Katrina, certo”, disse o comandante . “Então, simplesmente vão em frente e tirem as armas das pessoas.”
Esta é mais uma peça do maior padrão de demonização dos proprietários de armas, libertários, conservadores, cristãos e qualquer um que não se curve à escravidão por um governo que foi sequestrado e ocupado por tiranos cruéis que desejam somente o controle total.
O governo federal foi meticulosamente se preparando para a lei marcial até que chegaram à uma velocidade vertiginosa.
No ano passado, um manual vazado do Exército dos EUA, intitulado FM 3-39.40 Internment and Resettlement Operations, entrega as responsabilidades de oficiais do exército “Op Psico” a doutrinarem “ativistas políticos” para que obtenham uma “apreciação política dos Estados Unidos”, enquanto estão presos em campos de detenção na América .
Outro manual de treinamento, demoniza os americanos que adotam as liberdades individuais como potenciais “extremistas” e até mesmo se referiu aos fundadores como exemplos de “extremistas” da história .
O U.S. Army Civil Disturbance Operations manual, a partir de 2006 revelou como os militares em solo dos EUA serão usados para confiscar armas de fogo, criar motins e até mesmo matar americanos.
Este manual lista as armas que serão usadas contra os americanos “dissidentes”, incluindo granadas de “anti-motim”, e enfatizou que “tiros de advertência não serão disparados.”
No início deste ano, a Law Enforcement Targets, Inc, um fornecedor de alvos de tiro ao DHS e outras agências federais, vendeu uma linha de alvos realisticos, “não-tradicionais”, de mulheres grávidas, crianças e idosos .
Um alvo em particular, mostrava uma mulher que está grávida dentro de uma creche.
Esses alvos são para que a lei deva ser aplicada rigorosamente e que ninguém hesite em atirar, mesmo em mulheres grávidas, crianças e idosos.
Além de comprarem os alvos de “tiro ao alvo em americanos”, também compraram dois bilhões de cartuchos de munição para operações internas no ano passado” Sim, dois bilhões de cartuchos.
Esta quantidade excessiva, que seria suficiente o bastante para sustentar a guerra no Iraque durante 24 anos, vai garantir a rápida expansão do estado policial durante o caos civil, causado pelo colapso econômico que virá sobre a América.
Nós já assistimos uma prévia do estado policial após os atentados de Boston, quando a polícia blindada foi às casas, de porta em porta, entrando, sem precisarem de qualquer mandado judicial.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

* Kremlin recorre a máquinas de escrever alemãs para evitar espionagem

Praticamente em desuso atualmente, velhas máquinas de datilografar viram solução para o serviço secreto russo, que cada vez mais prefere armazenar informação sigilosa em papel.
Em tempos em que trocar informação sem ser vigiado parece coisa rara, o Serviço Federal de Proteção (FSO), responsável pela segurança do presidente russo e das mais altas autoridades do Kremlin, vem recorrendo a um método improvável para armazenar alguns de seus dados mais sensíveis: as velhas máquinas de escrever.
Recentemente, o FSO fez uma encomenda superior a 11 mil euros à fábrica alemã Olympia Business Systems, uma das poucas que ainda produzem máquinas de escrever. E uma das razões é que a empresa fornece fitas de tecido, que, diferentemente das de carbono, não são reproduzíveis.
"Se uma fita de carbono cair em minhas mãos, é possível reproduzir o texto facilmente. No caso da fita impressora de tecido é diferente, uma vez que, em princípio, somente a tinta é retirada da fita, tornando a reprodução impossível", explica Andreas Fostiropoulos, diretor da Olympia.
Modelo de exportação: máquina Olympia Carrera de Luxe MD
O executivo diz que máquinas de escrever com fitas de tecido tornam mesmo para a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) praticamente impossível a espionagem dos dados trocados.
"Eu não saberia como. Não existe nenhuma conexão com outras redes", afirma Fostiropoulos, que, no entanto, não vê a opção do FSO como uma saída duradoura para driblar a espionagem. "Não devemos nos iludir. A máquina de escrever ainda deverá nos acompanhar por alguns anos. Mas não se trata de uma tecnologia-chave para o futuro."
Telefones da Guerra Fria
O FSO terá de esperar ainda por volta de quatro meses pelas máquinas de escrever. A empresa alemã produz quatro tipos diferentes de máquinas e vende cerca de 3 mil ao ano. São fabricados dois modelos eletrônicos portáteis e dois da chamada área compacta, que estão disponíveis com ou sem visor. Dependendo do modelo, o preço varia de 150 a 300 euros.
"Depois dos escândalos com o WikiLeaks e de relatórios do primeiro-ministro Dimitri Medvedev terem sido espionados durante a reunião do G20 em Londres em 2009, foi decidido que seria necessário expandir a prática de criar documentos em papel", disse recentemente uma fonte do FSO ao jornal russo Isvestiya.
Firma de Hattingen possui caracteres em todas as variações
Em entrevista ao mesmo jornal, um porta-voz do FSO disse que a Rússia continua a usar conexões telefônicas da época da Guerra Fria, que são à prova de escutas, para conversas secretas com outros países. O diário diz que máquinas de escrever também são usadas com frequência no Ministério da Defesa e no Ministério de Proteção Civil.
A revelação das precauções tomadas pelo Kremlin chega num de renovada tensão entre EUA e Rússia, sobretudo por conta do caso Edward Snowdem, responsável por relevar o megaequesma de espionagem online da NSA.
Ele conseguiu asilo político na Rússia. E, na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, criticou Moscou por, em meio à controvérsia, devolver à mesa de negociações "uma retórica antiamericana própria da Guerra Fria".

DW.DE

domingo, 21 de julho de 2013

* Política dos EUA para Cuba é obsoleta e contraproducente

EUA sempre rechaçam diálogo cubano, diz último embaixador norte-americano em Havana

Jimmy Carter
Jimmy Carter
Wayne Smith revela mentiras divulgadas por Washington para responsabilizar Cuba por fracasso de negociações
Opera Mundi – Wayne S. Smith é o último diplomata norte-americano a exercer em Cuba o cargo de embaixador. Sem relações diplomáticas desde sua ruptura unilateral com Havana em 3 de janeiro de 1961, Washingson sempre se negou a normalizar suas relações com Cuba, apesar do fim da Guerra Fria e da opinião unânime da comunidade internacional.
Diplomata de carreira, professor doutor da Universidade de George Washington e professor associado da Universidade Johns Hopkins, ele também é diretor do “Programa Cuba” do Centro para a Política Internacional. É considerado o maior especialista norte-americano das relações entre Cuba e Estados Unidos.
Smith integrou o Departamento de Estado em 1957 e trabalhou na União Soviética, na Argentina e em Cuba. Presente na embaixada norte-americana de Havana durante o movimento insurrecional cubano dirigido pelo Movimento 26 de Julho de Fidel Castro, Smith assistiu à queda do ditador Fulgêncio Batista. Após a ruptura das relações entre Cuba e Estados Unidos, o presidente John F. Kennedy o nomeou secretário executivo de seu Grupo de Trabalho sobre a América Latina.
De 1979 a 1982, Smith esteve na liderança da Seção de Interesses Norte-americanos em Cuba e se destacou por sua política de diálogo e de aproximação com Havana sob o governo de Jimmy Carter. Em 1982, devido a um profundo desacordo com a nova política elaborada pelo presidente Ronald Reagan em relação a Cuba, deixou definitivamente o Departamento de Estado.
Apoiador de uma normalização das relações com Cuba, Smith aborda nesta entrevista sua experiência de diplomata em Havana e a política dos Estados Unidos durante os primeiros anos da Revolução. Destaca também a aproximação com Fidel Castro iniciada por Jimmy Carter. Esta conversa termina com uma reflexão sobre a atual política dos Estados Unidos sob a administração Obama.
Opera Mundi: Senhor Embaixador, sua primeira experiência de diplomata em Cuba remonta a qual data?
Wayne S. Smith: Minha primeira experiência de diplomata remonta a agosto de 1958, em plena guerra revolucionária dos insurgentes de Fidel Castro contra o regime ditatorial de Fulgêncio Batista. Na realidade, minha nomeação à embaixada dos Estados Unidos em Havana se devia mais à causalidade do que a uma escolha pensada. Após deixar o exército – era um soldado de infantaria da Marinha –, queria integrar o mundo da diplomacia, com uma especialidade em… chinês! Logo fui estudar no México e redigi uma dissertação de mestrado que comparava dois instrumentos de política exterior destinados a proteger zonas de influências: a Doutrina Monroe no continente americano e a Cortina de Ferro na Europa.
Voltei a Washington em novembro de 1956, alguns dias antes do desembarque em Cuba de Fidel Castro com seus 81 guerrilheiros oriundos do México, em 2 de dezembro de 1956. Integrei o Escritório de Inteligência e me pediram para trabalhar com Cuba. Meu papel consistia em averiguar se havia alguma relação entre o Movimento 26 de Julho (M 26-7) de Castro e os comunistas. Não encontrei absolutamente nada. Não havia nenhuma conexão. Ao contrário, o partido comunista cubano não apreciava muito Castro. Havia muita desconfiança e ele preferia manter distância. A aproximação entre o Partido Socialista Popular – era assim que se chamava o partido comunista à época – e o M 26-7 ocorreria mais tarde.
Logo comecei a fazer parte do serviço de Relações Exteriores e me transferiram imediatamente para Havana.
OM: Qual era seu ponto de vista, naquela época, sobre o conflito que opunha Fidel Castro e Fulgêncio Batista?
WSS: Após passar algumas semanas no serviço consular, integrei o serviço político da embaixada e estava encarregado de analisar a situação interna. Desde aquela data até hoje, só trabalhei com assuntos relacionados a Cuba. Em 1958, estava convencido de que Castro e seus partidários tinham grandes possibilidades de conseguir a vitória e que seu governo seria muito melhor que o de Batista.
Apoiamos Batista durante anos, inclusive durante a guerra insurrecional, pois estávamos conscientes de que Castro faria uma verdadeira revolução não apenas em Cuba, mas também no resto do continente. Ele havia declarado que transformaria os Andes na Sierra Maestra – conjunto de montanhas onde a guerrilha do M 26-7 se desenvolveu – da América Latina. Evidentemente, isso significava que ele se oporia à política dos Estados Unidos e que reduziria nossa influência no continente, favorecendo a chegada ao poder de governos que se emancipariam da nossa influência. Por conseguinte, desde o início, nossa atitude quanto a Castro foi hostil.
OM: Em que momento os Estados Unidos tomaram a decisão de atacar o governo de Fidel Castro?
WSS: Em março de 1960, durante a explosão do barco francês Le Coubre, carregado de armas belgas, no porto de Havana, Castro nos acusou, afirmando que aquilo havia sido obra da CIA. Provavelmente, estava certo. Para dizer a verdade, não sei. Todo mundo pensa que fomos nós. Poderíamos negar mil vezes e não mudaria nada, pois ninguém acreditaria.
Depois disso, durante uma reunião na Casa Branca com a CIA e o Departamento de Estado, chegamos à conclusão de que não era possível chegar a um acordo com Cuba, particularmente pelo discurso sumamente hostil de Castro e pelo apoio popular do qual ele dispunha. O presidente Eisenhower tomou, então, a decisão de atacar Castro. A partir daí, começaram as ações destinadas a acabar com ele.
OM: Mas já havia ações terroristas contra Cuba desde o final de 1959. Aviões oriundos da Flórida já bombardeavam Cuba.
WSS: Sim, mas não eram nossos aviões. Os exilados organizavam essas operações. A CIA os apoiava? Provavelmente. Mas não se tratava de uma ação oficial do governo dos Estados Unidos. No entanto, a partir de março de 1960, as ações empreendidas contra Cuba faziam parte de um programa oficial destinado a derrubar o poder em Havana.
OM: Apesar disso, o triunfo da Revolução em janeiro de 1959 ainda não tinha relação com a União Soviética.
WSS: Até a ruptura das relações, em janeiro de 1961, não havia vínculos sólidos entre Castro e a União Soviética. Por certo, houve a visita do diplomata Anastasio Mikoyan a Cuba em 1969, mas não havia então uma relação social entre Moscou e Havana.
Eu diria, inclusive, que a aproximação ocorreu definitivamente na véspera da invasão da Baía de Porcos, em abril de 1961. Castro estava a par de todos os preparativos e tinha certeza de que era só uma questão de tempo. No entanto, não pensava que enviaríamos apenas alguns milhares de exilados. Estava convencido de que várias divisões de soldados da marinha se seguiriam ao primeiro desembarque, o que não foi o caso.
Do lado de Miami, alguns agentes do segundo escalão da CIA estavam convencidos de que a invasão seria um passeio e que finalmente Fidel Castro seria derrotado, como foi o caso na Guatemala, em 1954, contra Arbenz. Na América Central, o desembarque foi por terra e, em Cuba, seria por mar, mas o resultado seria o mesmo, eles pensavam. A CIA estava convencida de que os cubanos abaixariam as armas e não lutariam. A Agência pensava, inclusive, que a população nos receberia de braços abertos.
OM: O senhor estava trabalhando em Cuba naquela época. Foi solicitado para que expressasse sua opinião sobre a operação?
WSS: Nós nem sequer estávamos a par dos preparativos. Eu trabalhava na seção política da embaixada e éramos os mais preparados para avaliar a situação interna. Mas nunca nos informaram nada sobre o menor projeto. Ninguém sabia nada na embaixada.
OM: O que o senhor teria respondido se tivessem perguntado sua opinião sobre a operação?
WSS: Teria explicado claramente que seria um fracasso. Um desembarque de alguns milhares de homens na Baía de Porcos não teria a menor possibilidade de êxito, sobretudo naquele local.
OM: Por quê?
WSS: O governo de Castro gozava de um apoio popular enorme em Cuba, e ainda mais naquela região. Aquela zona havia sofrido bastante com o subdesenvolvimento e Castro havia viajado para lá com vários projetos para permitir que essa população se beneficiasse com mais prosperidade. Para ela, o novo poder era o melhor que havia ocorrido para Cuba, pois estava saindo, pouco a pouco, da miséria. Castro era muito popular na região da Baía dos Porcos, assim como no resto do país. Não havia absolutamente nenhuma possibilidade de desatar uma sublevação popular contra o poder naquele lugar. Pensar o contrário era totalmente absurdo. Acabavam de se libertar de Batista, que era o símbolo da exploração. Não iam acolher com os braços abertos aqueles que pretendiam restaurar o antigo regime.
Então, foi na véspera do desembarque, em 16 de abril de 1961, após os bombardeios dos diferentes aeroportos cubanos, em previsão da invasão, quando Castro anunciou que Cuba era uma nação socialista e deu, assim, um passo em direção à União Soviética. Seu cálculo era o seguinte: dado que a invasão era iminente, precisaria do apoio de outra superpotência, a única capaz de nos fazer frente.
OM: Então a aliança com a União Soviética foi uma consequência direta da política agressiva dos Estados Unidos, já que, durante os primeiros anos, a Revolução Cubana manteve uma posição de neutralidade no conflito que opunha as duas grandes potências.
WSS: Foi exatamente isso. Cuba se aproximou da União Soviética, em grande parte, por causa de nós, por causa da política dos Estados Unidos. Castro estava convencido – com razão – de que utilizaríamos todos os recursos necessários para derrotá-lo.
OM: Não teria sido mais criterioso por parte dos Estados Unidos dar mostras de mais diplomacia e focar mais as relações de diálogo com o novo governo revolucionário?
WSS: Com efeito, poderíamos ter tentado estabelecer uma relação positiva com o novo poder, mas as forças que havia no Departamento de Estado e no Pentágono não estavam de acordo. Desde o início, Washington expressou seu ceticismo, se é que posso dizer assim, com relação a Castro. Penso que subestimamos Fidel Castro, que tinha um apoio extraordinário de toda a população.
Decidimos, então, romper as relações com Cuba e eu fui o último diplomata dos Estados Unidos a abandonar o país. Só voltei ali 16 anos depois, em 1977.
OM: Após a eleição de Jimmy Carter, em 1977, houve uma aproximação entre Cuba e Estados Unidos? O senhor poderia nos contar esse processo?
WSS: Quando chegou ao poder, Jimmy Carter expressou sua vontade de ter relações com Cuba. Era extraordinário! Acabava de tomar posse em janeiro de 1977 e estava falando de estabelecer um diálogo com Cuba! Eu me lembro de ter dito a minha esposa, Roxy, que eu ia perder o trem da história, pois estava naquela época em Buenos Aires, como responsável da seção política da embaixada dos Estados Unidos. Mas, felizmente, recebi de imediato um telegrama que me convidava a voltar urgentemente a Washington para participar dos primeiros intercâmbios com os cubanos, que aconteceram em Nova York. Os primeiros encontros ocorreram no modesto hotel Roosevelt, e prosseguiram no luxuoso hotel Plaza. Nossas relações foram melhorando dia após dia [risos].
OM: Quais eram os temas debatidos?
WSS: De início, falamos de alguns temas secundários. Logo decidimos ir mais longe e estabelecer seções de interesses em Havana e em Washington, o que nos permitiu ter uma representação diplomática em cada país. Tínhamos muitos desacordos mas, como não podíamos solucioná-los sem ter a possibilidade de falar sobre eles, daí a importância de ter diplomatas em ambas as capitais. A Suíça nos representava em Cuba, e a Tchecoslováquia representava Cuba em Washington, mas havia temas que não queríamos abordar através de outro governo.
Depois disso, os cubanos nos convidaram para ir a Havana e finalizamos o acordo sobre a abertura de seções na capital cubana.
OM: O presidente Carter o nomeou para a chefia da Seção de Interesses Norte-americanos em Havana (SINA) em 1979, com o cargo de embaixador.
WSS: Ele me nomeou para o cargo em junho de 1979 e devo dizer que a experiência foi muito frutífera. Houve vários avanços. Delimitamos as fronteiras marítimas. Aliviamos o embargo, pois permitimos que as filiais norte-americanas localizadas no exterior comercializassem com Cuba. Os diplomatas cubanos e norte-americanos puderam viajar por todo o país, o que não ocorria antes. Autorizamos de novo os voos diretos e os exilados puderam voltar à ilha pela primeira vez desde o triunfo da Revolução.
Em uma palavra, nós nos encontrávamos em um processo de normalização completa de nossas relações.
OM: Lamentavelmente, Jimmy Carter perdeu a eleição para Ronald Reagan em 1981.
WSS: Reagan nomeou para Secretário de Estado Hall Haig. Este havia declarado que queria fazer de Cuba um “estacionamento”, o que indicava claramente que a política de aproximação e diálogo iniciada por Carter terminaria em seguida.
O governo mexicano havia organizado um encontro secreto entre Haig e o vice-presidente cubano à época, Carlos Rafael Rodríguez. O vice-presidente sinalizou a Haig que Cuba estava disposta a por fim ao envio de armas às guerrilhas da América Central. Cuba esperava assim prosseguir no diálogo com os Estados Unidos.
OM: Qual foi a resposta de Haig?
WSS: Haig rechaçou a oferta declarando que Washington não estava interessado no diálogo, mas na ação. Na realidade, os Estados Unidos não desejavam, de maneira alguma, normalizar as relações com Cuba.
Dois meses mais tarde, o governo de Havana me informou que Cuba havia interrompido toda a provisão de armas com destino à América Central. Os cubanos esperavam assim que pudéssemos retomar o diálogo. Transmiti a informação ao Departamento de Estado e perguntei se dispúnhamos de provas que contradissessem a declaração das autoridades cubanas sobre as armas. Se não fosse o caso, sugeri que seria bom retomar o diálogo, pois havia muitos temas a serem resolvidos. Tive que mandar vários telegramas e tive que esperar vários meses antes de receber uma resposta de Washington.
OM: Qual foi a resposta?
WSS: O Departamento de Estado me informou que não dispunha de nenhuma prova que contradissesse a declaração dos cubanos a respeito da provisão de armas à América Latina. Mas, na mesma mensagem, me informava que a Casa Branca não tinha nenhum interesse em prosseguir o diálogo com Cuba.
Então insisti na necessidade de manter um contato com as autoridades cubanas, explicando que era de nosso interesse prosseguir com as conversas, sem êxito.
Pouco tempo depois, o Departamento de Estado publicou uma declaração acusando Cuba de manter o envio de armas com destino à América Central e que Castro havia rechaçado nossas propostas de negociação. Era uma mentira total e eu estava bem informado para saber disso! Os cubanos estavam dispostos a debater nossos numerosos desacordos e era de nosso interesse fazê-lo.
A partir daí, decidi pôr fim à minha missão diplomática em Havana, pois não podia continuar trabalhando nessas condições. E, sobretudo, não podia continuar representando o governo de Reagan. Pedi, então, que me substituíssem no cargo em 1982 e pus fim a minha carreira de diplomata.
OM: Estava em desacordo com a política hostil da administração Reagan.
WSS: Não apenas estava em desacordo, mas, sobretudo, não podia suportar as mentiras emitidas pelo Departamento de Estado. Era simplesmente inaceitável. Os cubanos estavam dispostos a normalizar as relações com os Estados Unidos, mas simplesmente rechaçamos o diálogo. Não só nos negamos a dialogar, mas também mentimos a respeito, acusando-os de se oporem a uma aproximação bilateral entre ambas as nações.
OM: O que o senhor fez depois?
WSS: Logo depois de abandonar o serviço de relações exteriores, fiz o juramento – que talvez nunca devia fazer – de que dedicaria o resto do meu tempo a fazer com que nossos países pudessem ter finalmente relações normais.

Política dos EUA para Cuba é obsoleta e contraproducente, analisa último embaixador do país em Havana


Foto: Efe
Foto: Agência Efe
Para Wayne Smith, motivos alegados por governo norte-americano não são suficientes para recusar diálogo com Cuba
Opera Mundi publica neste domingo (21/07) a segunda parte da entrevista com Wayne S. Smith, último embaixador dos EUA em Cuba. Leia a primeira parte do texto aqui.
Opera Mundi: Atualmente, o senhor é diretor do Cuba Project do Center for International Policy (Centro para Política Internacional), sediado em Washington. Qual é o objetivo dessa instituição?
Wayne S. Smith: O objetivo do nosso projeto é por fim à política que consiste em ilhar Cuba vigente há mais de cinquenta anos e aproximar nossos povos, unidos pela história e a geografia. Desejamos ter relações normais com Cuba. Nossa política governamental em relação à ilha, vestígio da Guerra Fria, é ao mesmo tempo obsoleta e contraproducente. A cooperação em todos os campos seria benéfica para ambos os países.
OM: Por que os Estados Unidos se negam a normalizar as relações com Cuba?
WSS: Os anos se passaram e ainda estamos na mesma situação absurda. Sempre me pergunto quais são as razões que nos impedem de sentar à mesa de negociações e falar sobre nossas diferenças para encontrar uma solução para esse conflito que já dura tanto. Conversamos com os chineses e temos relações diplomáticas e comerciais perfeitamente normais com aquele país. Nós, inclusive, normalizamos nossas relações com o Vietnã, contra quem travamos uma guerra sangrenta, na qual perdemos mais de 50.000 soldados!
Hoje o mundo é diferente. A União Soviética desapareceu e a Guerra Fria acabou. Fidel Castro declarou há muito tempo que Cuba já não apoiaria os movimentos revolucionários na América Latina. Cuba também expressou várias vezes sua disposição de se sentar à mesa de negociações. Após os atentados de 11 de setembro de 2011, Cuba ofereceu imediatamente seu espaço aéreo e seus aeroportos para os aviões norte-americanos e expressou seu apoio aos Estados Unidos. Cuba havia denunciado o terrorismo e demonstrou sua vontade de colaborar plenamente conosco nesse tema. Cuba assinou as doze resoluções antiterroristas das Nações Unidas.
OM: Qual foi a reposta do Presidente George W. Bush?
WSS: Em vez de aceitar a mão estendida, Bush pôs fim a todas as conversas com Cuba que se haviam estabelecido sob a administração Clinton, declarando publicamente que, dali em diante, o objetivo da política externa dos Estados Unidos seria derrotar o regime cubano. Durante os oito anos seguintes, a política de Washington teve como objetivo derrotar o governo cubano. Uma política absurda e ineficaz.
OM: Sob a administração Obama, as coisas mudaram?
WSS: Foram retiradas algumas restrições relacionadas às viagens e às remessas. Agora os cubanos podem viajar a seu país de origem quantas vezes quiserem, ao passo que, durante a administração Bush, isso se limitava a 14 dias a cada três anos. Também é mais fácil agora organizar intercâmbios acadêmicos e culturais entre os dois países.
Nos anos 60, Cuba foi excluída da OEA (Organização dos Estados Americanos) e todos os países da América Latina – exceto o México – romperam as relações com Havana. Agora é exatamente o contrário. Somos o único país da América que não tem relações diplomáticas e comerciais com Cuba. Agora os ilhados somos nós, e não Cuba. Conforme afirmou o presidente Lula, do Brasil, ao presidente Obama em uma conferência, se não mudarmos essa política obsoleta em relação a Cuba, isso prejudicará nossa credibilidade internacional.
Essa política de hostilidade em relação a Cuba vai contra os interesses dos Estados Unidos. Isso não tem nenhum sentido e, infelizmente, não vejo a administração Obama mudar a situação. Todos pensávamos que sua eleição permitiria normalizar as relações, mas não foi o caso. Por certo, suprimiu algumas restrições, mas não tomou nenhuma medida fundamental que permitisse a normalização das relações com Cuba. É muito difícil de entender.
OM: Os Estados Unidos explicam que não podem normalizar as relações com Cuba por conta da situação dos direitos humanos. Washington não pode retirar sanções contra um país que viola os direitos humanos.
WSS: A questão dos direitos humanos é um argumento que não resiste a uma análise. Os Estados Unidos têm relações com a China, o Vietnã, a Colômbia e toda uma série de países que apresentam uma situação de direitos humanos muito pior que a de Cuba.
Por outro lado, se desejássemos melhorar a situação dos direitos humanos, seríamos muito mais eficazes estabelecendo relações com Cuba.
OM: Cuba dispõe de um partido único, o que vai contra os princípios democráticos, segundo Washington.
WSS: China e Vietnã também dispõem de um partido único e isso não se constitui em um problema para nós. Por que seria diferente com Cuba?
OM: Segundo os Estados Unidos, a repressão da oposição em Cuba impede qualquer normalização das relações.
WSS: Sou bastante cético. Tomemos o exemplo das Damas de Blanco. Elas se manifestam livremente em Cuba e publicam suas declarações. Yoani Sánchez se comunica com o mundo inteiro. As autoridades cubanas não a prenderam. Recebo regularmente e-mails do opositor Elizardo Sánchez.
É claro que eu gostaria que houvesse mais liberdade política em Cuba, mas a maioria dos dissidentes atua livremente na ilha, ao passo que este não é o caso em numerosos países com os quais temos relações diplomáticas e comerciais plenas e completas. Já não há nenhum preso político em Cuba, segundo a Anistia Internacional.
OM: Washington também acusa Cuba de tráfico de seres humanos.
WSS: Com efeito, o Departamento de Estado acusa Cuba de tráfico de seres humanos e, obviamente, Havana rechaça categoricamente a acusação, afirmando que dispõe dos padrões e mecanismos mais avançados da região para lutar contra essa praga.
De qual prova Washington dispõe para sustentar sua acusação? A resposta é simples: nenhuma. Nós nos limitamos a acusar Cuba de não publicar as medidas que toma para lutar contra esse fenômeno. O fato de que Cuba não comunique nada a respeito não significa que o país tenha se convertido no centro do tráfico de seres humanos. O informe publicado pelo Departamento de Estado não fornece nem um só exemplo de implicação cubana nesse tipo de crime. Afirma, inclusive, que o código penal cubano sanciona severamente o tráfico de seres humanos. O informe argumenta que a prostituição não é um crime em Cuba, mas isso também é tolerado em muitos países do mundo, inclusive nos Estados Unidos.
Em uma palavra, os informes anuais do Departamento de Estado a respeito disso não trazem nem uma só prova que sustente essas acusações. O que é mais grave é que esses falsos informes deliberadamente enganosos colocam uma sobra sobre a credibilidade de todo o programa de luta contra o tráfico de seres humanos.
OM: Desde 1982, os Estados Unidos mantêm Cuba na lista dos países que patrocinam o terrorismo internacional, o que constitui um obstáculo à normalização das relações entre ambos os países. Quais critérios motivaram a decisão de incluir a ilha?
WSS: Em março de 1982, decidimos incluir Cuba na lista dos países que patrocinam o terrorismo por seu apoio à guerrilha em El Salvador. O problema é que nós fazíamos exatamente o mesmo, já que apoiávamos os dissidentes na Nicarágua, com a finalidade de derrotar o governo sandinista. Por outro lado, em dezembro de 1981, o governo cubano havia me informado pessoalmente de que havia interrompido qualquer envio de armas com destino à América Central. Enquanto Cuba buscava melhorar as relações com os Estados Unidos, nossa resposta foi incluí-la na lista dos países que patrocinam o terrorismo.
Cuba não deveria fazer parte dessa lista, e vou explicar as razões. Faz mais de 30 anos que colocamos Cuba nessa lista sob pretextos falsos, que não resistem um só instante à análise. Cuba sempre condenou o terrorismo e afirmou – repito – as doze resoluções antiterroristas das Nações Unidas. Cuba inclusive se propôs a assinar um acordo com os Estados Unidos a esse respeito, oferta que sempre rechaçamos.
OM: Washington reprova o fato de Cuba abrigar membros das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e de outras guerrilhas colombianas.
WSS: O Departamento de Estado acusa Cuba de abrigar membros da organização separatista vasca ETA e das FARC colombianas. Convém ressaltar que esses membros se encontram em Cuba com a total aquiescência do governo espanhol. Por sua vez, o governo colombiano, longe de acusar Cuba de abrigar guerrilheiros, saudou várias vezes a contribuição de Havana no processo de paz.
OM: Os Estados Unidos denunciam o fato de que Cuba abriga fugitivos norte-americanos.
WSS: É verdade que cidadãos norte-americanos condenados por nossa justiça se refugiaram em Cuba. Mas isso não basta para colocar um país na lista de Estados que patrocinam o terrorismo, inclusive segundo nossa própria legislação. Cuba se nega a extraditá-los, mas também nos negamos a extraditar a Cuba reconhecidos terroristas, responsáveis por numerosos assassinatos, que se encontram em nosso território. Desde 1959, não extraditamos nenhum deles.
O Departamento de Estado buscou todos os pretextos para manter Cuba nessa lista. Por exemplo, em 2002, Washington acusou Havana de abrigar terroristas chilenos, o que o próprio governo do Chile desmentiu. Logo acusamos Cuba de estar contra a guerra do Iraque, esquecendo-nos de que nossos aliados mais próximos também haviam expressado sua reprovação.
Também acusamos Cuba de desenvolver armas biológicas. O próprio presidente Jimmy Carter, durante sua visita a Cuba em 2002, tendo acesso total aos centros de investigação apontados pelo Departamento de Estado, desmentiu essas afirmações.
OM: Após o 11 de setembro de 2001, Bush declarou que todo país que abrigasse um terrorista seria considerado terrorista. Ao mesmo tempo, Luis Posada Carriles, um exilado cubano e antigo agente da CIA responsável por mais de uma centena de assassinados, encontra-se em Miami e jamais foi julgado por seus crimes. Fez um avião civil cubano explodir em pleno voo em 1976, o que custou a vida de 73 pessoas, entre as quais se encontrava todo o time juvenil de esgrima. É o autor intelectual da onda de atentados sangrentos que atingiram a indústria turística cubana em 1997 e 1998. Reivindicou abertamente esses atos terroristas em uma entrevista ao New York Times em 12 de julho de 1998. Como explica essa contradição entre a retórica governamental e a realidade dos fatos?
WSS: Se seguirmos a lógica de Bush, então somos um Estado terrorista. Não se trata apenas de Luis Posada Carriles. Há todo um grupo de notórios terroristas de origem cubana que se encontram em liberdade nos Estados Unidos.
Washington deveria prender Posada Carriles e julgá-lo por seus atos terroristas. Deveriam colocá-lo na prisão. É do interesse do povo norte-americano.
OM: Por que os Estados Unidos se negam a julgá-lo?
WSS: Nós não o julgamos por conta da influência da comunidade de exilados cubanos. Por outro lado, dado que foi agente da CIA, poderia fazer declarações comprometedoras para todo o aparato governamental. Convém recordar que muitos terroristas cubanos exilados começaram trabalhando na CIA realizando atentados em Cuba. Uma vez que a CIA fechou sua base em Miami e mudou de tática, personagens como Posada Carriles ou Orlando Bosch atuaram por conta própria.
As provas contra Posada são esmagadoras. Documentos do FBI e da CIA outrora secretos mostram que Posada e Bosch estiveram envolvidos no atentado de 1976, que custou a vida de 73 pessoas, assim como o assassinato de Orlando Letelier, ex-ministro chileno do governo de Salvador Allende, executado em pleno Washington também em 1976, com sua assistente Ronnie Moffitt, cidadã norte-americana. Também dispomos das gravações nas quais Posada Carriles reconhece ser o autor dos atentados de Havana de 1997, inclusive o do hotel Copacabana, que custou a vida do empresário italiano Fabio di Celmo.
Nossa justiça não sancionou nenhum desses atos terroristas, inclusive aquele cometido nos Estados Unidos contra uma cidadã norte-americana. Pelo contrário, toleramos isso. Orlando Bosch inclusive conseguiu o indulto presidencial do presidente George H. W. Bush.
Quando Posada Carriles foi julgado em El Paso, Texas, por um problema migratório – não por seus atos de terrorismo –, pois havia entrado em território nacional de modo ilegal, tudo isso apareceu no julgamento. A juíza Kathleen Cardone, que devia seu posto ao presidente Bush, decidiu absolvê-lo de todas as acusações.
OM: O caso dos cinco presos políticos cubanos detidos nos Estados Unidos desde 1998 por se infiltrarem em grupos violentos do exílio cubano envolvidos em atos terroristas contra Cuba constitui atualmente o principal obstáculo à normalização das relações entre ambas as nações. Qual é sua opinião sobre esse assunto?
WSS: Nos anos 90, após o desmoronamento da União Soviética e do fim da Guerra Fria, um setor do exílio cubano, querendo acabar com o governo de Havana, voltou a recorrer à violência terrorista. Cuba então dependia do turismo para sobreviver. Grupos extremistas fizeram explodir dezenas de bombas em hotéis em Cuba, ocasionando uma queda espetacular do fluxo turístico. Dezenas de pessoas ficaram feridas e, conforme dissemos, um italiano, Fabio di Celmo, morreu após a explosão de uma bomba no hotel Copacabana.
Diante da falta de reação do governo dos Estados Unidos, que permitia que esses indivíduos vivessem em completa liberdade, Cuba infiltrou seus próprios agentes nesses grupos. Após coletar informações suficientes sobre sua atuação, os agentes cubanos transmitiram a Havana um informe sobre cerca de cinquenta pessoas envolvidas em atentados terroristas contra Cuba.
OM: Essa informação foi transmitida às autoridades norte-americanas?
WSS: Melhor que isso. Em julho de 1998, o governo cubano convidou vários altos representantes do FBI em Havana e lhes transmitiu toda a informação que os agentes coletaram, que demonstravam que várias organizações do exílio cubano estavam planejando atividades terroristas e, em alguns casos, eram responsáveis por atentados.
Os cubanos pensaram que, ao proporcionar essas provas ao FBI, o governo dos Estados Unidos adotaria as medidas necessárias para neutralizar esses indivíduos.
OM: Como os Estados Unidos reagiram?
WSS: Em vez disso, o FBI realizou uma investigação para descobrir como Cuba havia conseguido essa informação e procedeu à prisão de cinco agentes de segurança do Estado infiltrados na Flórida. É verdadeiramente lamentável, já que lança uma sombra sobre a credibilidade de nossa política contra o terrorismo.
OM: Os cinco cubanos não violaram a lei norte-americana?
WSS: Só eram culpados de uma coisa: eram agentes de uma potência estrangeira não declarados diante das autoridades norte-americanas. Também eram culpados por delitos menores, como posse de documentos falsos. Em nenhum caso, estavam envolvidos em atividades ilegais.
No entanto, foram julgados e condenados a penas de prisão muito severas, quer dizer, no total, a quatro prisões perpétuas duplas de 77 anos, ainda que elas tenham se reduzido após a apresentação de recursos. Gerardo Hernández foi condenado a duas prisões perpétuas mais 15 anos; Ramón Labañino a 30 anos; Antonio Guerrero a 21 anos e 10 meses; Fernando Gonzáles a 17 anos e 9 meses; e René González a 15 anos. Tudo isso por tentar impedir a realização de atos terroristas contra seu país. Esse julgamento é uma vergonha terrível para a justiça dos Estados Unidos.
OM: Foram esgotados quase todos os recursos legais. O senhor pensa que a solução desse caso passará por um acordo político entre Havana e Washington?
WSS: Muitos de nós pensamos que o presidente Barack Obama autorizaria a Corte Suprema a estudar o caso. Se o processo tivesse seguido um curso normal, sem interferência política, a Corte Suprema teria o caso. Em vez disso, o presidente Obama pediu explicitamente que a Corte Suprema não revisasse o julgamento.
OM: Por que o presidente Obama tomou uma decisão como essa?
WSS: Parece que a direita cubano-americana intransigente, que rechaça qualquer ideia de normalização das relações com Havana, o pressionou. É curioso que seja dado a ela tanto crédito, quanto todas as sondagens apontam que sua influência na comunidade cubana da Flórida é cada vez menos evidente. Cerca de 70% da opinião pública dos Estados Unidos pensa que Washington deveria ter relações normais com Cuba. Por outro lado, ganhou as eleições na Flórida sem o apoio da direita cubano-americana.
Devemos soltar os cinco imediatamente, mas temo que ainda haja muito caminho a ser percorrido.
OM: Evoquemos o caso do cidadão norte-americano Alan Gross, preso na ilha desde 2009 e condenado a 15 anos de prisão por colaborar em um programa da Agência Internacional para o Desenvolvimento dos Estados Unidos (USAID), cujo objetivo é conseguir “uma mudança de regime em Cuba”. Ele proporcionou aos dissidentes equipamentos de telecomunicação. O que o governo cubano deve fazer, em sua opinião?
WSS: Gross é culpado de todos os atos pelos quais é acusado e violou a lei cubana. Mas creio que deveria ser liberado por razões humanitárias. Penso, inclusive, que os cubanos estariam dispostos a fazê-lo se tivessem a segurança de que faríamos o mesmo com os cinco.
OM: O que o senhor pensa sobre as sanções econômicas contra Cuba, em vigor desde 1960?
WSS: A Guerra Fria acabou em 1991. Deveríamos ter normalizado nossas relações desde então. O que fizemos? Exatmente o contrário. Adotamos a Lei Torricelli em 1992, a Lei Helms-Burton em 1996 e os dois planos de Bush em 2004 e 2006, que agravam as sanções contra Cuba. Temos feito exatamente o contrário do que havíamos afirmado quando impusemos as sanções. Ainda nos encontramos nesse ponto. Não tenho uma explicação lógica. Tenho a impressão de que Cuba tem o mesmo [efeito] sobre os Estados Unidos do que a lua cheia tem sobre os lobos. Somos incapazes de atuar racionalmente em nossa política em relação a Cuba.
OM: Como o senhor analisa as reformas econômicas iniciadas por Raúl Castro?
WSS: Creio que seja o caminho correto. De todo modo, isso tinha que mudar um dia ou outro. Devo dizer que sou bastante otimista, pois Raúl Castro e seus homens oriundos do exército são bons homens de negócio e demonstraram isso nos setor turístico. Fizeram um excelente trabalho nesse campo.
OM: Que imagem os cidadãos norte-americanos têm de Cuba?
WSS: O povo norte-americano tem uma imagem falsa e tendenciosa de Cuba, mas, por outro lado, é favorável à normalização das relações. Todos os norte-americanos sonham em descobrir Cuba, que dispõe de uma população educada e de um excelente sistema de saúde. A título de comparação, olhe simplesmente o número de cidadãos norte-americanos que não tem acesso a um seguro de saúde.

Fonte: http://racismoambiental.net.br/