segunda-feira, 12 de agosto de 2013

* Kremlin recorre a máquinas de escrever alemãs para evitar espionagem

Praticamente em desuso atualmente, velhas máquinas de datilografar viram solução para o serviço secreto russo, que cada vez mais prefere armazenar informação sigilosa em papel.
Em tempos em que trocar informação sem ser vigiado parece coisa rara, o Serviço Federal de Proteção (FSO), responsável pela segurança do presidente russo e das mais altas autoridades do Kremlin, vem recorrendo a um método improvável para armazenar alguns de seus dados mais sensíveis: as velhas máquinas de escrever.
Recentemente, o FSO fez uma encomenda superior a 11 mil euros à fábrica alemã Olympia Business Systems, uma das poucas que ainda produzem máquinas de escrever. E uma das razões é que a empresa fornece fitas de tecido, que, diferentemente das de carbono, não são reproduzíveis.
"Se uma fita de carbono cair em minhas mãos, é possível reproduzir o texto facilmente. No caso da fita impressora de tecido é diferente, uma vez que, em princípio, somente a tinta é retirada da fita, tornando a reprodução impossível", explica Andreas Fostiropoulos, diretor da Olympia.
Modelo de exportação: máquina Olympia Carrera de Luxe MD
O executivo diz que máquinas de escrever com fitas de tecido tornam mesmo para a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) praticamente impossível a espionagem dos dados trocados.
"Eu não saberia como. Não existe nenhuma conexão com outras redes", afirma Fostiropoulos, que, no entanto, não vê a opção do FSO como uma saída duradoura para driblar a espionagem. "Não devemos nos iludir. A máquina de escrever ainda deverá nos acompanhar por alguns anos. Mas não se trata de uma tecnologia-chave para o futuro."
Telefones da Guerra Fria
O FSO terá de esperar ainda por volta de quatro meses pelas máquinas de escrever. A empresa alemã produz quatro tipos diferentes de máquinas e vende cerca de 3 mil ao ano. São fabricados dois modelos eletrônicos portáteis e dois da chamada área compacta, que estão disponíveis com ou sem visor. Dependendo do modelo, o preço varia de 150 a 300 euros.
"Depois dos escândalos com o WikiLeaks e de relatórios do primeiro-ministro Dimitri Medvedev terem sido espionados durante a reunião do G20 em Londres em 2009, foi decidido que seria necessário expandir a prática de criar documentos em papel", disse recentemente uma fonte do FSO ao jornal russo Isvestiya.
Firma de Hattingen possui caracteres em todas as variações
Em entrevista ao mesmo jornal, um porta-voz do FSO disse que a Rússia continua a usar conexões telefônicas da época da Guerra Fria, que são à prova de escutas, para conversas secretas com outros países. O diário diz que máquinas de escrever também são usadas com frequência no Ministério da Defesa e no Ministério de Proteção Civil.
A revelação das precauções tomadas pelo Kremlin chega num de renovada tensão entre EUA e Rússia, sobretudo por conta do caso Edward Snowdem, responsável por relevar o megaequesma de espionagem online da NSA.
Ele conseguiu asilo político na Rússia. E, na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, criticou Moscou por, em meio à controvérsia, devolver à mesa de negociações "uma retórica antiamericana própria da Guerra Fria".

DW.DE

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