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quarta-feira, 16 de abril de 2014

* Dom Erwin Kräutler denunciou crimes sofridos pelos índios brasileiros

Denúncia feita ao Papa: “Grupos político-econômicos buscam desconstruir os direitos territoriais dos povos indígenas”. Entrevista especial com Dom Erwin Kräutler

Foto: Plattform Belo Monte
Foto: Plattform Belo Monte
“Denunciei ao Papa que, contrariando o que determina a Constituição Brasileira, o atual governo suspendeu os procedimentos administrativos de reconhecimento e demarcação de terras indígenas no país”, narra o Bispo do Xingu
IHU On-Line - A maior diocese do Brasil fica no Xingu e soma aproximadamente 800 comunidades, mas tem apenas 27 padres. Fora essa desproporção, a região conta com muitos desafios à defesa dos direitos dos indígenas e, também, ao trabalho da Igreja na Amazônia. Ambos os temas foram tratados no encontro de Dom Erwin Kräutler, Bispo do Xingu, com o papa Francisco, no último dia 4 de abril.
“Agradeci o privilégio de ser recebido em audiência como bispo do Xingu, que é a maior circunscrição eclesiástica do Brasil em extensão territorial. (…) Como em toda a Amazônia, também no Xingu as comunidades, em sua imensa maioria, só têm acesso à celebração eucarística dominical duas ou três vezes ao ano”, conta Dom Erwin Kräutler, em entrevista por e-mail à IHU On-Line.
“Denunciei que existem hoje grupos político-econômicos ligados ao agronegócio, a mineradoras e empreiteiras, com apoio e participação do governo brasileiro, que buscam desconstruir os direitos territoriais dos povos indígenas e, para conseguir tal objetivo, utilizam sistematicamente instrumentos político-administrativos, judiciais e legislativos”, argumenta Dom Erwin.
“E neste contexto falei dos empreendimentos desenvolvimentistas que causam um verdadeiro caos social e ambiental. Citei como exemplo a hidrelétrica Belo Monte, no Xingu. Todas as apreensões técnicas manifestadas por especialistas não conseguiram convencer o governo brasileiro a desistir desse megaprojeto. Em torno de 40 mil pessoas são diretamente atingidas por Belo Monte e terão que deixar suas casas”, complementa.
Dom Erwin Kräutler é Bispo do Xingu e presidente nacional do Conselho Indigenista Missionário – CIMI. Confira a entrevista.
IHU On-Line – Como foi seu encontro com o Papa Francisco? Sobre quais assuntos conversaram? Belo Monte e a situação da população do Xingu foram temas abordados pelo senhor?
Dom Erwin Kräutler - O encontro com o Papa Francisco tinha a ver com minha função de Secretário da Comissão Episcopal para a Amazônia. O nosso Cardeal Dom Claudio Hummes, que é presidente desta comissão, incentivou-me a solicitar uma audiência particular com o Papa para falar-lhe da minha vida e da experiência na Amazônia e, como testemunha que conhece a Amazônia há meio século, colocá-lo a par de nossas preocupações como Igreja nesta região. Mas sou também Presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), já no quarto mandato. E com esta responsabilidade me senti realmente na obrigação de partilhar com o nosso Papa Francisco a realidade em que vivem os povos indígenas no Brasil, seus sofrimentos e angústias.
A audiência estava marcada para as 10 horas do dia 4 de abril de 2014. Eu havia convidado o Padre Paulo Suess, assessor teológico do Cimi e profundo conhecedor da Causa Indígena no Brasil e na América Latina, a acompanhar-me nesta audiência para que o pudesse apresentar ao Papa. Após saudarmos o Papa e as fotos de praxe, o Padre Paulo Suess ofereceu-lhe seu Dicionário de Aparecida – 40 palavras-chave para uma leitura pastoral do Documento de Aparecida (São Paulo: Paulus, 2007) e mais um texto que redigiu sobre as comunidades sem Eucaristia. Aí o Papa falou logo que esperava sugestões concretas, propostas corajosas dos bispos como ele já havia pedido em 27 de julho de 2013, por ocasião de sua visita ao Brasil, na Jornada Mundial da Juventude: “Peço, por favor, para serem corajosos, para terem parrhesia! No jeito ‘portenho’ (de Buenos Aires) de falar, lhes diria para serem ‘corajudos’”.
Comunidades sem Eucaristia
O Papa convidou-me então a sentar. Agradeci o privilégio de ser recebido em audiência como bispo do Xingu, que é a maior circunscrição eclesiástica do Brasil em extensão territorial. Há no Xingu em torno de 800 comunidades e apenas 27 padres. Como em toda a Amazônia, também no Xingu as comunidades, em sua imensa maioria, só têm acesso à celebração eucarística dominical duas ou três vezes ao ano. É muito doloroso para mim, como bispo, conviver com essa realidade. De repente o Papa me perguntou: “O que pensa ou qual a sua proposta neste sentido?”. Jamais esperava que o Papa quisesse ouvir a minha opinião, e disse: “Não tenho uma ‘receita’ pronta, mas precisamos com urgência encontrar uma solução para que o nosso povo deixe de ser excluído da Eucaristia”. O Papa me respondeu então que havia algumas “teses interessantes”, por exemplo, a de um bispo alemão que foi bispo na África do Sul. Trata-se de Dom Fritz Lobinger (*1929), que de 1987 a 2004 foi bispo da Diocese de Aliwal. Seu livro Altar vazio. As comunidades podem pedir ordenação de ministros próprios (Aparecida: Editora Santuário, 2010) foi traduzido em várias línguas. Dom Fritz Lobinger sonha com ministros ordenados que pertencem à comunidade e continuam a vida de família e profissional. O papa lembrou ainda uma diocese no México onde, nas muitas etnias indígenas, há centenas de diáconos casados que exercem seu ministério junto ao seu povo e presidem as suas comunidades. Só lhes falta a ordenação sacerdotal para poder presidir também a celebração eucarística. É a diocese de San Cristobal de Las Casas, no estado de Chiapas. Mais uma vez o papa Francisco insistiu que os bispos de determinada região apresentassem propostas bem concretas e corajosas. Disse-me que esperava e aguardava tais propostas dos bispos.
Lembrou o grande José de Anchieta, agora “São José de Anchieta”. Quem sabe, esse santo, que chegou das Ilhas Canárias ao Brasil com menos de 20 anos e nunca mais voltou à sua terra natal, pode fomentar nas dioceses brasileiras com número suficiente de padres o espírito missionário rumo à Amazônia.
Vi os olhos do Papa brilharem quando falou dos missionários e missionárias na Amazônia. Recordou-me que o Cardeal Dom Claudio Hummes havia lhe falado a respeito de tantos bispos e padres, religiosas e religiosos, leigas e leigos engajados na evangelização desta região de extensão continental e expressou a todos seu carinho e sua admiração.
Os Povos Indígenas no Brasil
Passei então à questão dos povos indígenas. Falei do Cimi, da sua presença junto aos povos indígenas e também de seu objetivo de sensibilizar e conscientizar a sociedade majoritária a respeito da dignidade e dos direitos destes povos. Disse que o Cimi contribuiu decisivamente para que os índios tenham reconhecido na Carta Magna do Brasil“sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e o direito originário às terras que tradicionalmente ocupam” (artigo 231 da Constituição Brasileira). Denunciei que existem hoje grupos político-econômicos ligados ao agronegócio, a mineradoras e empreiteiras, com apoio e participação do governo brasileiro, que buscam desconstruir os direitos territoriais dos povos indígenas e, para conseguir tal objetivo, utilizam sistematicamente instrumentos político-administrativos, judiciais e legislativos.
Denunciei ainda que, contrariando o que determina a Constituição Brasileira, o atual governo suspendeu os procedimentos administrativos de reconhecimento e demarcação de terras indígenas no país. A paralisação das demarcações é uma das principais causas de conflitos de que os povos indígenas são vítimas. Citei alguns exemplos que comprovam a violência contra os povos indígenas. Falei do confinamento dos Guarani-Kaiowá numa área tão diminuta que resulta em mortes, suicídios e sofrimento atroz e permanente. Lembrei também a precária assistência à saúde por parte do Estado Brasileiro, especialmente na Terra Indígena Vale do Javari, no estado do Amazonas; 85% dos indígenas tiveram contato ou estão contaminados por um ou mais vírus da hepatite. Não podia deixar de referir-me também aos aproximadamente 90 grupos de povos indígenas na Amazônia brasileira em situação de isolamento, muitos deles correndo risco de dizimação.
Finalmente recordei o encontro do Papa com indígenas por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, quando um índio lhe colocou um lindo cocar na cabeça e outro índio-pataxó de apenas 14 anos exclamou: “É fantástico que alguém da nossa comunidade teve oportunidade de conhecer o papa. Nós aqui estamos representando todos os índios do Brasil“. Vários indígenas da Amazônia disseram, naquele dia, que esperavam a ajuda do Papa na defesa de suas terras ancestrais.
Amazônia e a Ecologia
Com uma outra recordação que fiz ao papa, passamos para a questão da Ecologia. Lembrei-lhe o que havia falado aos bispos do Brasil em seu discurso de 27 de julho de 2013: “Queria convidar todos a refletirem sobre o que Aparecida disse a propósito da Amazônia, incluindo o forte apelo ao respeito e à salvaguarda de toda a criação que Deus confiou ao homem, não para que a explorasse estupidamente, mas para que ela se tornasse um jardim”. E neste contexto falei dos empreendimentos desenvolvimentistas que causam um verdadeiro caos social e ambiental. Citei como exemplo a hidrelétrica Belo Monte no Xingu. Todas as apreensões técnicas manifestadas por especialistas não conseguiram convencer o governo brasileiro a desistir desse megaprojeto. Em torno de 40 mil pessoas são diretamente atingidas por Belo Monte e terão que deixar suas casas.
O Papa me disse então que está pensando numa encíclica sobre a ecologia e enfatizou: “também a ecologia humana”. Tem toda a razão. Não podemos separar a família humana do meio ambiente em que vive ou abstrair o meio ambiente dos homens e mulheres responsáveis pela criação de Deus, o lar de toda a humanidade, também das futuras gerações. Insisti dizendo que nesta futura encíclica a Amazônia e os Povos Indígenas não podem ficar ausentes. O Papa me revelou que já havia encarregado o cardeal africano Peter Turkson, presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, a elaborar um esboço. Respondi ao Papa: “Pois é, estive ontem com o Cardeal Turkson por várias horas e um dos assuntos foi exatamente este. Insisti que a Amazônia e os Povos indígenas não faltassem numa futura encíclica sobre ecologia. E o cardeal me pediu que o ajudasse nestes pontos. Aceitei o convite com muita alegria”. O Papa acenou contente e agradeceu minha disponibilidade de colaborar.
O abraço do Povo do Xingu
Finalmente falei ao Papa que o meu povo do Xingu lhe quer muito bem e o abraça carinhosamente: “Devo transmitir-lhe o abraço de milhares e milhares de mulheres e homens”. Aí ele disse que retribuía o abraço e, sorrindo, me encarregou de dar, em nome dele, um abraço a cada uma, a cada um dos irmãos e das irmãs na Prelazia do Xingu.
Já na despedida pediu ao povo do Xingu que rezasse muito por ele. Lembrei-me do momento em que apareceu, pela primeira vez como Papa, na sacada da Basílica de São Pedro e, antes de dar sua primeira bênção, pediu a oração do povo de Roma e do mundo inteiro. Assim também pediu, primeiro, orações para depois enviar sua bênção ao povo do Xingu. Agradeci mais uma vez o privilégio de receber-me em audiência e beijei o seu tão simples “Anel de Pescador”. Em seguida, o Papa me acompanhou gentilmente até a porta.
IHU On-Line – Quais suas impressões da conversa com o Papa Francisco?
Dom Erwin Kräutler - O Papa Francisco é muito cordial, fraterno. Seu sorriso não tem nada de postiço. É a vitrine de sua alma e seu coração. Quem se encontra com ele, logo se sente acolhido. Mesmo que no Palácio Apostólico se respire o ar de muitos séculos passados e as tantas salas com tronos e obras de arte que parecem mais um museu, quando entrei na biblioteca e o Papa veio ao meu encontro e com um cordial sorriso me estendeu a mão, percebi que estou “em casa”. Quem cria um ambiente tão afável e acolhedor não são as obras de arte, mas a pessoa do Papa Francisco.
Não sei por que, mas durante a nossa conversa, de repente me veio à mente a figura de Moisés que tirou o povo da casa da escravidão para levá-lo à Terra Prometida. Teve de suportar lancinantes decepções, incompreensão, maledicência aberta e velada, até a revolta do povo a ponto de querer retornar à terra de que Deus o tirou “com mão forte e braço estendido” (Dt 4,34; 26,8). Mas Moisés, em meio a todas as frustrações, deixou-se conduzir pelo Senhor, foi em frente, passo a passo. E por quê? Uma profunda mística o alimentou e manteve firme, também em horas de trevas mais espessas. Nunca esqueceu o que Deus lhe falou na alvorada do Êxodo: “Eu estarei contigo” (Ex 3,12). “O Senhor o conhecia face a face” (Dt 34,10) é o derradeiro comentário sobre Moisés no Livro do Deuteronômio. Penso que o Papa vive uma mística semelhante. Sabe que Deus está com ele e essa certeza da presença de Deus em sua vida é o segredo de seu sorriso cativante.
IHU On-Line – Como o senhor descreveria a reação das pessoas, em geral, e da Igreja, em particular, na Europa, e, especialmente, na Áustria, do pontificado de Francisco?
Dom Erwin Kräutler - Vivo há quase 50 anos no Xingu e por isso não me atrevo a fazer análises a respeito das Igrejas na Europa, nem sequer na Áustria, onde nasci. Deixo isso com os pastoralistas de lá. Mas pelos meus contatos com padres e bispos e pessoas mais engajadas, percebo que há um profundo sentimento de gratidão a Deus e uma incontida alegria por termos esse papa. Não se espera dele que de hoje para amanhã consiga fazer as reformas, há tempo necessárias, mas há uma imensa esperança de que o Papa Francisco dê uma guinada em nossa Igreja.
Alguns são impacientes e querem que o Papa tome decisões “já” em relação às na Europa chamadas “Heisse Eisen” (questões escaldantes), como as normas para admissão ao sacerdócio, o celibato, o papel da mulher naIgreja, o processo para escolha de bispos, a comunhão para casados em segundas núpcias.
Existem também pessoas que, ao que parece, insistem em continuar nos tempos do Concílio de Trento (1545-1563). Não aceitam o modo simples, humilde, acolhedor do papa e, pior, questionam até a sua teologia, seus apelos à misericórdia e duvidam de sua ortodoxia arvorando-se em defensores da fé católica. Graças a Deus é uma minoria numericamente insignificante, mas é gente fanática, intransigente, birrenta que dá dó.
IHU On-Line – Quais são as expectativas quanto ao Sínodo Extraordinário para a Família na Europa? E no Brasil?
Dom Erwin Kräutler - As expectativas são enormes, especialmente depois da pesquisa realizada pela Santa Sé no mundo inteiro. O Sínodo Extraordinário terá uma tarefa homérica a cumprir e as discussões sinodais, sem dúvida, serão acaloradas, o que não deixa de ser positivo quando se buscam respostas aos anseios de milhões e milhões de famílias que aguardam deste Sínodo linhas, diretrizes, orientações.
O discurso proferido pelo cardeal Walter Kasper no Consistório dos Cardeais, em 20 de fevereiro de 2014, pode ser um excelente ponto de partida para as discussões na ala sinodal, especialmente numa questão muito candente como o acesso à comunhão eucarística de divorciados em segundas núpcias. Walter Kasper lembra, em seu discurso, o que o Papa Francisco falou em 24 de janeiro de 2014 aos oficiais do Tribunal da Rota Romana (a instância superior de apelação na Sé Apostólica). O papa afirma que “a pastoral e a misericórdia não se contrapõem à justiça, mas, por assim dizer, são a justiça suprema, porque por trás de cada causa elas avistam não só um caso a ser examinado na ótica de uma norma geral, mas sim uma pessoa humana que, como tal, nunca pode tornar-se um mero caso e sempre tem uma dignidade única“.
Espero que haja realmente diálogo. No Sínodo para a América em que participei, em 1997, como delegado da CNBB, não havia suficiente espaço para trocar ideias, discutir pontos de vista. Faço votos de que finalmente se crie um organograma e fluxograma favoráveis ao diálogo.
E espero ainda que neste sínodo não sejam apenas os padres sinodais, cardeais e bispos que tenham voz, mas que casais e famílias sejam convidados e ouvidos, inclusive pessoas cujo matrimônio fracassou e pedem compaixão e misericórdia para sua situação dolorosa e muitas vezes irreversível.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

* Papa aprova medidas contra a lavagem de dinheiro no IOR, mas operação é de risco


Tiro ao alvo – O argentino Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, aprovou nesta quinta-feira (8) novas medidas de combate à lavagem de dinheiro, ao financiamento do terrorismo e à proliferação de armas de destruição em massa, informou o Vaticano.
Por meio de um decreto papal (Motu Proprio), o pontífice reforçou as atribuições da Autoridade de Informação Financeira (AIF), criada em 2010 pelo antecessor e papa emérito Bento XVI, agora com a incumbência de avaliar e aprovar todos os serviços de natureza financeira que tenham origem e destino nas diferentes instituições que integram o organograma do Vaticano.
As leis do Estado do Vaticano estendem-se aos ministérios, organismos e instituições dependentes da Santa Sé e às organizações sem fins lucrativos, como a Caritas, que estão relacionadas à Igreja Católica.
À AIF foi atribuída uma nova função de avaliação e aprovação de todos os organismos que “realizem atividades de natureza financeira, em resposta a uma recomendação da Comissão Moneyval [de combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo], do Conselho da Europa”, destaca o comunicado.
O “Motu Proprio” confirma o empenho do novo chefe da Igreja Católica para garantir a transparência do Vaticano, especialmente nos assuntos relacionados ao “Istituto per le Opere di Religione (IOR)”, também conhecido como Banco do Vaticano e palco de um sem fim de escândalos e crimes ao longo das últimas seis décadas.
O decreto papal representa “a continuidade e uma ligeira extensão” em relação ao Motu Proprio, de 30 de dezembro de 2010, do papa Bento XVI, explicou aos jornalistas o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.
“É um instrumento que dá [aos parceiros internacionais como a Moneyval] a garantia de que o caminho escolhido vai adiante. No mundo atual, trata-se de resistir a formas, cada vez mais insidiosas, de criminalidade financeira. E nós devemos estar à altura desses desafios para proteção da legalidade, não podemos ficar para trás”, disse o porta-voz.
As medidas juntam-se à criação, em abril, de um grupo de oito cardeais para aconselhar o papa no governo da igreja e estudar um projeto de revisão da Cúria Romana, e à constituição da comissão de investigação, em junho, para reformar o Banco do Vaticano.
Detalhe estranho
Entre as novas medidas adotada pelo pontífice, pelo menos uma chama a atenção. A do combate à proliferação de armas de destruição em massa. Primeiro é preciso saber qual é a definição do Vaticano para armas de destruição em massa. A partir de então será possível definir o foco dessa medida.
A estranheza está no fato de o diretor-geral do Banco do Vaticano, o advogado alemão Ernst von Freyberg, nomeado para o cargo por Bento XVI, ter ligações com um estaleiro especializado em navios de guerra.
Perigo na Praça São Pedro
Como já noticiou o ucho.info, acabar com o crime organizado que atua no intramuros do Vaticano é uma operação tão delicada quanto extirpar um tumor que cresceu na aorta. Caso a cirurgia não seja realizada com precisão de relojoeiro suíço, a morte por hemorragia do paciente é absolutamente certa.
As quadrilhas que há décadas atuam nas coxias da sede da Igreja Católica sempre contaram com a impunidade e a conivência cada vez maior de clérigos que sob a batina escondiam a essência criminosa. Tanto é assim, que Albino Luciani, o papa João Paulo I, foi assassinado após 33 dias de papado porque decidiu promover uma profunda faxina no Vaticano, começando pelo IOR.
Seu sucessor, o polonês Karol Józef Wojtyła, papa João Paulo II, foi alvo de um atentado, na Praça São Pedro, operado por Mehmet Ali Agca, braço avançado da máfia Urca na Itália. Os religiosos que integravam o staff de Wojtyla sabiam do perigo que representava a exposição do papa ente a multidão, mas agiram em conluio com os criminosos.
O alemão Joseph Ratzinger, papa Bento XVI, sucessor de Wojtyla, renunciou ao comando da Igreja Católica porque com o passar do tempo percebeu o risco que corria ao tentar eliminar os bandidos da Santa Sé.
Jorge Bergoglio não está livre de se tornar alvo desses criminosos profissionais que há mais de meio século frequentam as entranhas do Vaticano. Nesse período, o IOR funcionou como uma quase insuspeita usina de branqueamento de capitais, operada por um grupo de bandidos de todos os naipes que cooptaram religiosos com aptidão para o crime.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

* Papa Francisco rezou com pastores e fiéis da Assembleia de Deus

Visita a templo evangélico não estava programada.


papa reza com fieis evangélicos
Além de rezar no templo evangélico, Papa visitou uma pequena casa com 20 pessoas




Antes do evento de quinta-feira (25) em Varginha, no Complexo de Manguinhos, na Zona Norte do Rio, o Papa Francisco fugiu mais uma vez do protocolo. Como o acesso ao campo fica em frente a um templo da Assembleia de Deus, ele decidiu entrar.
Convidou pastores e fiéis que estavam no local para declamarem juntos um “Pai Nosso”.  “Estávamos na congregação e recebemos um representante da equipe dele (Francisco). Perguntou se poderia passar aqui. Aceitamos, claro, afinal somos irmãos em Cristo. É uma interação positiva, nós (cristãos) aprendemos sempre que não existe essa diferença e nem deve haver briga. Sem paz com todos, não veremos Deus”, explicou o pastor Elenilson Ribeiro.
O pastor Eliel Magalhães, da mesma igreja, explicou que o templo ficou aberto durante o evento para servir de apoio aos católicos que foram ver o Papa.
“A gente tem o seguinte posicionamento: Jesus Cristo é o senhor. Nosso Pontífice não é o Papa, mas ficamos muito contentes com a visita. Deixamos a igreja aberta para apoiar as pessoas, quem precisasse ir ao banheiro beber uma água”, esclareceu Magalhães.
O padre Márcio Queiroz, que acompanhou o pontífice na visita à favela, relatou que “Caminhando pela comunidade, chegamos até a igreja evangélica. Eu mostrei a ele que eles estavam no templo, e ele pediu para ir até lá para cumprimentá-los. O papa falou com o pastor e com as pessoas que estavam lá, e os convidou a rezarem um Pai Nosso”, disse.
O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse que os cristãos pediram bênção ao Papa e que foi um momento ecumênico, espontâneo e muito bonito. Os padres também deram mais detalhes da visita de Francisco à moradia de uma família da comunidade. Segundo Federico, a casa era muito pequena, de 5 por 4 metros e estava lotada, com mais de 20 pessoas da família, todas as gerações de uma família. Todas as crianças pequenas foram ao colo do papa e ele abençoou uma por uma.
O padre Márcio explicou que a casa estava cheia porque a família da dona é da Paraíba, e todos tinham vindo ao Rio para a visita do papa. Segundo ele, havia uma criança de 15 dias de vida e uma idosa de 93 anos, e o pontífice perguntou o grau de parentesco de cada um. “Como tinha medo que alguém enfartasse, tive que ligar na noite anterior e avisar que aquela seria a casa escolhida. Quando contei, ouvi um silêncio e pensei que a dona da casa tinha desmaiado”, brincou o padre.
Outro detalhe da passagem do papa pela favela destacado pelos sacerdotes foi a parte em que o papa entrou em uma capela local. “Ele ficou muito comovido, e tinha lágrimas nos olhos”, disse o porta-voz do Vaticano.
O padre Queiroz informou que apresentou a mãe ao papa, e disse que ela rezava diariamente por todos os sacerdotes. Segundo ele, por causa disso, ela ganhou um terço de presente do pontífice. “Ele [o papa Francisco] estava saindo da capela e voltou para presenteá-la”, declarou.
Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, ressaltou que “Foi um momento ecumênico, espontâneo e muito bonito”. Curiosamente, as grandes redes de TV que cobriam o evento não deram destaque a esse encontro que não é novidade para Francisco.
Quando Jorge Bergoglio foi escolhido para ser o sumo pontífice, o evangelista Luis Palau afirmou: “Eu me encontrei com o agora Papa Francisco várias vezes durante nossas visitas a Argentina… ele é um grande amigo dos evangélicos. Sempre teve um grande respeito pelos evangélicos”. Em junho, seis pastores evangélicos pentecostais da Argentina visitaram o Papa Francisco em sua residência no Vaticano.
O encontro durou uma hora e meia, e os líderes evangélicos, disseram ser amigos desde que Bergoglio era o arcebispo de Buenos Aires. Ele se encontrava com os pastores seguidamente nas reuniões da Comunidade Renovada de católicos e evangélicos no Espírito Santo (CRESCER). Com informações Jornal Extra e Agência Brasil.

* Evangélicos se unem a católicos na Jornada Mundial da Juventude


Em países onde o cristianismo é minoria, não é difícil ver evangélicos e católicos se unindo, dividindo espaços e até congregando juntos. A missão Portas Abertas, e outras similares que lutam contra a perseguição de cristãos no mundo, já ajudou em campanhas pela libertação de católicos presos em nome de sua fé.

Fundada durante a Guerra Fria, a Portas Abertas tinha como principal objetivo contrabandear Bíblias. Aos poucos foi crescendo e hoje atua em quase todo o mundo, sendo conhecida por suas campanhas pelos direitos humanos daqueles homens e mulheres que sofrem perseguições e são presos e mortos por ousarem crer em Cristo.

Além de divulgar as histórias dessas pessoas, pedem orações em favor delas e coletam assinaturas de cristãos de todo o mundo, usando-as para pressionar as autoridades. São muitas as histórias de sucesso com essa estratégia.

Durante a Jornada Mundial da Juventude, neste final de semana, seus representantes no Brasil se uniram aos católicos. Não para ver o papa, mas seu objetivo é coletar assinaturas dos peregrinos para sua atual campanha que visa defender os cristãos perseguidos na Síria.

Integrantes do Underground, um ministério da PA voltado para os de jovens, carregavam cartazes e anunciam em alto-falante que precisavam de apoio para o abaixo-assinado que exige uma atuação mais enérgica do governo sírio na proteção aos cristãos.

Alyne Romeiro, coordenadora do Underground, explica: “Essa galera reunida quase toda é evangélica. Temos batistas, assembleianos, presbiterianos, congregacionais, mas também temos católicos envolvidos conosco na Portas Abertas”.

Diz ainda que se surpreendeu positivamente com a JMJ e com o “intercâmbio” desses grupos que no Brasil dificilmente andam juntos. “Os católicos estão se interessando muito pelo assunto, preenchem, assinam o documento e falam: quero apoiar os meus irmãos, também”, ressalta. Com informações Último Segundo.

Assista o vídeo e comente:

* Papa Francisco me deixou vislumbrado na entrevista ao Programa Fantástico!

Estarrecido e vislumbrado!
Estas as palavras para descrever  como fiquei após assistir à entrevista do Papa Francisco I ao Programa Fantástico.
Durante a entrevista eu não me movi, a respiração quase parou. As palavras fluindo daquele ser calmo, tranquilamente expondo frases de homem humilde e de coragem pelo aprofundamento e crítica social e reconhecimento dos erros da própria Igreja Católica.
Sobre a juventude, ele disse não se agradar de jovens que não não protestam. Mas pediu para as autoridades ouvir os jovens e para as facções políticas manipular os jovens. Os jovens devem ser revolucionários: “Com toda a franqueza lhe digo: não sei bem por que os jovens estão protestando. Esse é o primeiro ponto. Segundo ponto: um jovem que não protesta não me agrada. Porque o jovem tem a ilusão da utopia, e a utopia não é sempre ruim. A utopia é respirar e olhar adiante. O jovem é mais espontâneo, não tem tanta experiência de vida, é verdade. Mas às vezes a experiência nos freia. E ele tem mais energia para defender suas ideias. O jovem é essencialmente um inconformista. E isso é muito lindo! É preciso ouvir os jovens, dar-lhes lugares para se expressar, e cuidar para que não sejam manipulados.”
Defendeu que a Igreja deve se aproximar mais do povo, principalmente dos pobres,mas sem defender ideologias político-partidárias. Isso ficou bem claro.
Sabemos como há quem confunda amparar ao povo oprimido com levar discursos de ideologias que nunca serão cumpridas. Sabemos como há distorções sobre ações clericais e questões politiqueiras. E como há muita gente usando a posição religiosa para se locupletar politicamente e economicamente.
O Papa condenou tudo isso e aconselhou. Disse que é contra tudo isso.
Papa Francisco condenou o Sistema Capitalista. Condenou “a idolatria ao dinheiro” que leva às injustiças sociais. Condenou um sistema econômico controlador do mundo que leva ao desequilíbrio social e descarta os extremos: crianças e jovens e idosos. Enfatizou sobre como o sistema econômico mundial claramente descarta as crianças, jovens e idosos. Isso até na Europa. E pediu para a luta em prol do aproveitamento da sabedoria dos idosos e da vitalidade dos jovens, educação e nutrição das crianças.
Na realidade, ele expôs como o capitalismo é degradante, desrespeitador dos direitos humanos, do meio ambiente, provoca exclusão, fome, analfabetismo. E explora essas fragilidades.
Vemos assim como a Igreja Católica, tida como bases de uma sociedade injusta, está atualmente, através do seu líder, lutando por desenvolvimento sustentável e solidário: “Penso que temos que dar testemunho de uma certa simplicidade - eu diria, inclusive, de pobreza. O povo sente seu coração magoado quando nós,  as pessoas consagradas, são apegadas a dinheiro.”
Questionado sobre como a Igreja Católica vem perdendo fiéis para evangélicos e outras religiões, ele reconheceu sobre como o clero católico deve se aproximar mais do povo. Disse que os sacerdotes ficaram afastados das comunidades e precisa mudar isso. A Igreja precisa ir às ruas e às comunidades mais carentes e sair dos palácios clericais:
"Pra mim é fundamental a proximidade da Igreja. Porque a Igreja é mãe, e nem você nem eu conhecemos uma mãe por correspondência. A mãe... dá carinho, toca, beija, ama. Quando a Igreja, ocupada com mil coisas, se descuida dessa proximidade, se descuida disso e só se comunica com documentos, é como uma mãe que se comunica com seu filho por carta." Assim expressou o Pontífice.  Ouvindo isto lembro de outro Papa: João XXIII e sua Encíclica “Mater ET Magistra” (Mãe e Mestra). Mas após João XXIII, este já é o quinto Papa e a luta continua!
Francisco também explicou a atitude que toma em relação a sua segurança: “Eu não sinto medo. Sei que ninguém morre de véspera. Quando acontecer, o que Deus permitir, será. Eu não poderia vir ver este povo, que tem um coração tão grande, detrás de  uma caixa de vidro. As duas seguranças (do Vaticano e do Brasil) trabalharam muito bem. Mas ambas sabem que sou um indisciplinado nesse aspecto.”

Diante da coragem do Papa até de ser transparente sobre os escândalos econômicos e morais do Vaticano, compreendemos o motivo porque ele em vários momentos dessa visita ao Brasil disse que precisa de orações. Muito corajoso seguir a luta contra a corrupção e conservadorismos sociais e clericais. Com certeza, ao observar essa luta do Papa, compreendemos como há vilões desejando a queda de sua liderança: "Agora mesmo, temos um escândalo de transferência de 10 ou 20 milhões de dólares de monsenhor. Belo favor faz esse senhor à Igreja, não é? Mas é preciso reconhecer que ele agiu mal, e a Igreja tem que dar a ele a punição que merece, pois agiu mal. No momento do conclave, antes temos o que chamamos congregações gerais - uma semana de reuniões dos cardeais. Naquela ocasião, falamos claramente dos problemas. Falamos de tudo. Porque estávamos sozinhos, e para saber qual era a realidade e traçar o perfil do novo Papa. E dali saíram problemas sérios, derivados em parte de tudo o que vocês conhecem: do Vatileaks e assim por diante. Havia problemas de escândalos. Mas também havia os santos. Esses homens que deram sua vida para trabalhar pela Igreja de maneira silenciosa no Conselho Apostólico.”
Bonita mensagem que ele deixou no final: "não importa se católicos, evangélicos, judeus, ortodoxos ou seja qual religião, mas que dêem educação e comida às crianças e jovens famintos e sem educação"..."Questões religiosas se resolvem com diálogo, mas antes de tudo é necessário amparar aos necessitados!...."
Veja o vídeo da entrevista completa:

O Fantástico deste domingo (28) exibiu entrevista exclusiva com o Papa Francisco, a primeira a um jornalista desde sua eleição. Na sua visita ao Brasil, o sumo pontífice encontrou tempo na agenda para receber o repórter Gerson Camarotti, da GloboNews, para uma conversa franca.
Foto divulgada pelo Vaticano mostra jovem em confissão com o Papa
O Papa ouviu na manhã de sexta (26) a confissão de cinco jovens inscritos na Jornada Mundial da Juventude, durante encontro na Quinta da Boa Vista, Zona Norte do Rio de Janeiro. O grupo foi formado por três brasileiros, uma italiana e um venezuelano. O pontífice fez também uma oração com os fiéis.